07 junho 2010

Filosofia Política 8

O evento mais importante que já aconteceu na teoria política é o surgimento da teoria do espelho, ou melhor, do speculum, para usarmos o termo apropriado. O speculum, devendo ser o espelho de um governante qualquer, foi, na verdade, o espelho do governante ideal, ao senso da moral cristã. Em vez de ver-se e de ser visto como homem que era, diante de homens e em meio deles, o governante passou, em algum momento da neurose histórica ocidental, a ser visto como o espelho do homem ideal, do príncipe perfeito.
Ah, lá por volta do ano mil a vida era impraticável. Ao mesmo é essa a sensação que tenho. O por todos os lados os fantasmas da moral especular cristão nos envolvia, tendendo a sugerir que o único espelho verdadeiro era o espelho na vida ideal.
Obviamente uma indébita apropriação platônica lida com inspiração aristotélica. Um evento maior na nossa história cultural, mas desprezível, dói ponto vista filosófico.
Ideal, o príncipe, ou o governante, passou a ser percebido como a reprodução imagética desse virtuoso impossível mágico: praesentibus et futuris imitabilem.
Conquanto pio, que fosse, ele.

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