19 julho 2010

Sobre a imprensa paraense

Instigante o texto de Lúcio Flávio Pinto replicado pelo Blog do Estado, sobre a decadência empresarial e conteudística do jornalismo paraense:

Imprensa do Pará perde expressão
Lúcio Flávio Pinto, Editor do Jornal Pessoal
O Dez Minutos, de Manaus, se consolidou como o maior jornal do Norte e Nordeste do país. Com uma tiragem de praticamente 80 mil exemplares diários, número apurado pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) em fevereiro deste ano, já é o 14º maior do Brasil em venda avulsa. Sua circulação é apenas três vezes e meia menor do que o líder nacional, a Folha de S. Paulo, com 287 mil exemplares. Todos os grandes jornais brasileiros ficaram abaixo de 300 mil exemplares. Menos de três décadas atrás chegaram a bater na marca de um milhão de exemplares, com promoções comerciais atraentes. Em 1990 a Folha colocava 350 mil exemplares nas ruas.

Na região Norte-Nordeste, o mais próximo do periódico de Manaus, em 28º lugar, é o Diário do Nordeste, de Fortaleza, que, com circulação de 41 mil exemplares, passou à frente do tradicional líder regional, A Tarde, de Salvador (30º), com 40 mil exemplares, metade do que vende o Dez Minutos. O jornal amazonense abriu um pouco sua diferença sobre o Estado de Minas, que vem em seguida, com 76 mil exemplares. Poucos anos atrás esta situação era impensável. O segundo jornal em Manaus fica muito abaixo: é o Diário do Amazonas (69º), com apenas 12 mil exemplares. A Crítica, que foi líder durante muitos anos, não aparece no ranking.
O Diário do Pará se mantém em 41º lugar, com circulação de 28 mil exemplares. Seu concorrente direto, O Liberal, deve continuar abaixo, embora não se saiba sua tiragem porque ainda está fora do IVC. Seu principal executivo, Romulo Maiorana Júnior, anunciou sua volta à fonte de maior credibilidade sobre a imprensa escrita do Brasil. A promessa vai fazer dois anos e ainda não foi cumprida. Se não se filiou novamente ao IVC, é porque a tiragem de O Liberal continua inferior à do jornal dos Barbalhos.
A perda de expressão da imprensa paraense é visível, sob qualquer aspecto, mesmo sem que se faça uma análise qualitativa. Ela já não pesa em termos nacionais. Não tirou proveito da influência da internet, que alavancou publicações com grafismo destacado, notícias rápidas e ênfase em usos e costumes. Até aqui, o Amazônia, que tenta explorar o segmento, é um fracasso de público e comercial. Não seguiu os fenômenos que ocorreram em Manaus e em São Luís, onde o Aqui Maranhão atingiu circulação de 39 mil exemplares e subiu para o 33º lugar, oito corpos à frente do Diário do Pará.
Por enquanto, a maior característica da imprensa diária de Belém é explorar o sensacionalismo do crime, como nenhum outro jornal do país. Não é propriamente um título que credencie.

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