03 setembro 2010

Um espírito de porco








Terry Eagleton é marxista, religioso, velho e punk. Bem assim o classificou o jornal londrino Sunday Times. Eu poderia acrescentar que é um tanto gênio, também.
Há anos venho acompanhando seus escritos. É um cara revoltado. Briga com todo mundo. Onde pode.

Aos 67 anos, ele publicou mais de 40 livros e uma centena de artigos publicados, sobre literatura, política, religião e, digamos assim, todos os outros assuntos do mundo.

Trata-se de alguém capaz de escrever, por exemplo, o seguinte: 
“A questão importante não é acreditar ou não em Deus, mas se perguntar por que Deus voltou à agenda política. Eu acredito que foi por causa dos atentados de 11 de setembro”.
E também se trata de alguém que faz a maior confusão com os demais humanos que cruzam à sua frente. A frase acima, inclusive, é só o começo da seguinte esculhambação que Eagleton deu em dois intelectuais britânicos, no ano passado.
Vejam como continua: “Dawkins e Hitchens se comportam como racionalistas obsoletos do século 19, como se a fé fosse uma rival da teoria da evolução. Na verdade uma coisa não tem nada a ver com a outra. Todas as pessoas têm algum tipo de fé, mesmo que não seja religiosa. Todos acreditam profundamente em algo sem o qual não podem viver, algo que define a sua identidade como indivíduo. Dawkins e Hitchens ignoram coisas básicas sobre a teologia, bem como as ricas tradições das diferentes religiões. Eles pensam que toda fé é cega, e que acreditar em Deus é como acreditar em alienígenas, o que é um equívoco primário”.

Um tanto selvagem, não?
Pois é. Isto é Eagleton.

Quando veio ao Brasil ele angariou antipatias generalizadas dizendo que
“no Brasil, o futebol é o ópio do povo”.

Teve que se desculpar. Mas logo depois de se desculpar começou de novo: “O futebol foi uma conspiração das elites. A classe dominante se reuniu numa mesa para debater uma forma de manter as pessoas felizes quando não estivessem trabalhando. E o resultado foi essa invenção genial”.

Querem mais um momento genial de Terry Eagleton? Escutem o que ele disse sobre Marcel Proust:
“A mãe de Proust, como burguesa, temeu pela vida quando estava grávida (durante a comuna de Paris), e a asma do escritor foi resultado dessa experiência intra-utrina. As frases longuíssimas de seus livros foram uma compensação in consciente para a falta de ar que ele sentia.”

Nenhum comentário: