18 outubro 2010

Sobre o apoio de Gabriel a Ana Júlia

Perguntaram o que achei do apoio de Almir Gabriel à candidatura de Ana Júlia. Penso o seguinte: O apoio é menos constrangedor para a governadora do que para ele. Do ponto de vista de AJ, numa batalha eleitoral difícil, há a ganhar. Ademais, não se recusa apoio, como se sabe. 

Além disso sempre haverá, como dispositivo retórico, a possibilidade de dizer o seguinte: O dr. Almir Gabriel iniciou um processo de ensimesmamento e de autocrítica e está revendo os erros do projeto politico que outrora representou, coisa que o infeliz Jatene não se dispõe, até o momento, a fazer. 

Além disso, sempre há quem possa lembrar que foi diante do ultimo umbral que o fariseu Theodósio percebeu que sempre tomou, em sua pobre vida, o caminho mais errado que teve opção de tomar. 

Não sei, afinal, se estou entendo bem corretamente isto que se passa. Quer dizer que, a partir de agora, poderemos sentar ao lado do dr. Almir Gabriel e perceber, com ele, com toda tranquilidade e até mesmo polidamente, o quanto foi mesquinha a sua ordem de mandar disparar aqueles tiros em Eldorado de Carajás? 

Se se trata disso, por mim vai tudo muito bem. Ganhamos um companheiro e eu, publicamente, saúdo a disposição democrática e corajosa, do ex-governador, de vir a público fazer autocrítica.

18 comentários:

Prof. Marcelo Fernandes disse...

Pô Fabão,
Defender essa aliança como algo bom para a Ana Julia é complicado. Pra mim, quem mais ganha é o Dr. Almir. Que sai da vida pública anistiado pelo Jader e pelo PT.
Junto com o Almir, foram 8 dos 12 anos que o PT bate tanto. Os 8 anos de privatizações, chacina, falta de concurso público... E tudo que o PT podia bater no PSDB.
O Almir foi um dos maiores líderes políticos deste estado, que na eleição anterior ele foi sepultado pela derrota nas urnas, que a Ana Júlia e o Jader, quando ganharam as eleições, fizeram questão de sair falando por aí que tinham enterrado o "Rato Fujão". E tinham mesmo!
Agora, me admiro do Almir, se juntar com os dois por causa de uma opinião individual e pessoal, sobre a causa de vingança, pois culpou a sua derrota ao Jatene.
Pra falar a verdade acho que o PSDB que mandou o Almir para destruir com a campanha do Juvenil e agora acabar mais ainda com a da Ana Júlia.
Segura esse cavalo de tróia pro lado daí!

Adelina Braglia disse...

Boa tarde, Fábio:

li duas vezes seu post. Para ter certeza se havia ironia ou não. Confesso que não conclui satisfatoriamente minha pesquisa..rsrs..Assim, permito-me crer que não há ironia, nem sarcasmo.

É por esse ângulo então que vou comentar: realmente nesta pífia democracia não se recusa apoios. Alguns, a gente nem gostaria de dizer que tem, mas, é da idiossincrasia democrática isso, não?

Se o PT (ou só resta mesmo a DS?) aceitasse o apoio de Almir Gabriel pelo que ele foi, pelo que ele construiu e avançou neste estado até então oligarca, eu respeitaria a decisão dos dois. Mas, camarada, a idade e a experiência não me permitem mais essa ilusão.

Dr. Almir uniu-se ao que de pior o PT pode produzir e o fez por ranço e rancor e, ao contrário do que você supõe, por absoluta falta de auto-crítica, eis que jamais a teve.

O agravamento dessa ausência de auto-crítica extrapolou qualquer medida, após a derrota de 2006. Incapaz de colocar-se entre os derrotados, restava-lhe sair à caça dos culpados.

Nessa sanha , foi derrotado de novo, internamente, em todas as tentativas de divisão ou de imposição da sua "autoridade" nas escolhas estapafúrdias que fez - primeiro seu candidato era Mário Couto, lembra?, Aí, saiu do PSDB. Solitário. Absolutamente só. Não levou consigo nenhum dos antigos companheiros, nenhum deputado, nenhum prefeito. Um caso típico do rapaz que marcha sozinho errado na parada militar e só a mãe o saúda como o único que sabe a marcha certa. No caso, a mãe, é sua companheira Raquel. O que fez com que ela, inclusive, subisse no meu conceito, pelo companheirismo.

Não, camarada, não há como concordar com a possibilidade de que esta decisão tenha sido em nome da auto-crítica. E, menos ainda imaginar que do outro lado haja algum respeito pelo que ele foi.

Separados, Almor e Ana Júlia, mereciam pelo menos um olhar de cautela. Juntos, reduziram-se ao que são: personagens histriônicos dos capítulos finais de uma história que ainda vai ser melhor escrita. Obviamente, nem por você, nem por mim.

Abração.

Anonymous disse...

Cara, tu tá sentando a porrada no rato fujão, não tá? Égua, meu, que onda! Tu escreveu na "catigoria", na elegância, parabens, cara, e manda ver.

Anonymous disse...

Prezadíssimo Fábio,
Mais uma vez você consegue ir ao ponto nevrálgico de uma questão que tem muitos lados. Percebo a necessidade de falar um tanto alegoricamente, neste momento, mas as entrelinhas que você espalhou no texto são muito claras. Ao meu ver, elas mostram a contradição do PT muito mais que a maluquice e a velhacaria do Almir Gabriel. Acho que passado esse momento eleitoral, vai chegar a hora de fazer uma autocrítica profunda no partido e para isso vai ser preciso ter discernimento e coragem.

Anonymous disse...

Caro Fábio,
Lembro bem do post no qual você fala dos erros cometidos na campanha da Ana Julia e da Dilma, e argumentava que para esse 2° Turno era necessário debater as diferenças entre o PT e o PSDB. E é exatamente isso, porém de forma bastante atrapalhada que a Dilma e a Ana estão fazendo. E agora vocês vem com essa aliança com um dos mais “celebres” dos tucanos, que privatizou, que assassinou trabalhadores sem terra, tão criticado pelos petistas. Não acredito na redenção do “companheiro Dr. Almir” sei que vocês também não acreditam, ninguém acredita nem os fiéis seguidores do tucano. Já esperava que o PT chegasse a esse nível, mas não o senhor que até este momento eu guardava admiração, pensava que ainda existissem pessoas integras não PT, vai ver que estava errado. Não vale tudo pela política e você sabe disso por isso assumir esse discurso é algo lastimável.
Pensando bem não existem tantas diferenças entre a socialdemocracia e o neoliberalismo, mas seria mais digno assumir-se em quanto tal.

Anonymous disse...

Professor Fábio, Não sei se entendi direito o seu post, e minha dúvida só aumentou lendo os comentários aqui escritos, porque as interpretações foram múltiplas. Por isso, gostaria de lhe perguntar: o senhor está falando com ironia ou está falando de boa fé? O senhor acredita ou não no seguinte: a) É constrangedor ou não, para o PT, aceitar o apoio de Gabriel e b) Ao aderir à campanha de Ana Júlia, Gabriel está fazendo o não isso que o senhor chamou de "autocrítica"? Peço, penhoradamente, que me responda e já agradeço.

Paulo André Nassar disse...

O ratão tá senil. Já não merece ser levado a sério.
Se eu fosse a Ana Julia eu saia é correndo do Almir. Nos últimos anos ele tá com um jeitão de Anti-midas...

abs,
PA

Cristiano Ataíde Jr. disse...

Fábio, apoio se recebe, não se discute. Só o que não pode é deixar de pautar nossos temas por causa de apoio. Você não acha?

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Marcelo Fernandes:
Caro, acho que há almiristas por aí, mas é interessante sua análise. Acho que podemos dizer que Almir é o homem bomba de si mesmo, não é?

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo das 14:01:
Tô.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Olá Adelina, Bom dia!
Foi só ironia...

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo das 14h35:
O PT está cheio de contradições e é preciso, de fato, discutir profundamente as posições do partido no estado. Não que precisemos extirpar contradições, pois isso não existe. Elas andam junto, sempre e inevitavelmente. Mas precisamos afinar discursos e marcar para a sociedade as posições. Vai chegar a hora da avaliação. E estaremos lá.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo das 14h50:
Caro, eu também não acredito na redenção do “companheiro Dr. Almir”. Isso não existe. Só usei uma linguagem alegórica... Releia o post e constate. Quanto à proximidade entre neoliberalismo e social-democracia, concordo com você: são a mesma coisa, hoje em dia. Por isso acho central, no debate político do PT, perceber isso e desconstruir a ala que pretende que o partido se transforme numa força social democrata.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo das 16h42:
Respondendo: 1) Com ironia; 2) É constrangedor e 3) Almir Gabriel não está fazendo autocrítica nenhuma. Ele só é o homem bomba de si mesmo.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Cristiano Ataíde Jr:
Acho.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Paulo André Nassar:
Almir virou uma figura de tragédia shakespeareana, que poderia se chamar, como vc sugere, "O Anti-midas".

Anonymous disse...

Fábio:
Sobre este assunto, e considerando que você acusa o Gaqbriel de ter dado ordens para matar em Eldorado do Carajás, li o comentário abaixo em algum blog que não lembro agora.
"Vocês querem conhecer melhor Almir Gabriel?
Saibam então o que aconteceu e o que ele disse poucos dias antes do episódio
de Carajás, quando mataram um monte de operários, cumprindo ordens de alguém.
Se algum dos presentes na reunião falasse, seria uma bomba de milhões de
megatons. Estavam presentes os secretários: Sete Câmara (Segup), Ronaldo
Barata (Iterpa) (já falecido), Coronel Fabiano (PM), Marcos Klautau (Casa
Civil), Valry Ferreira (Sespa) (já falecido), Paulo Elcídio (Casa Civil),
Coronel Roberto Kós (Casa Militar), Chembra (Assessor de Imprensa) (já
falecido) e o General Kleiton Tavares (Assessor da Presidência da República).
Não lembro o nome do Major (Casa Militar). A Sônia Maranhão (Secretária
Particular do Governador) entrou na sala várias vezes. Eu estava sentado na
ante-sala, esperando para falar com o governador, por isso sei de todos esses
detalhes.
Perguntem a algum dos que estão vivos e saberão quem é Almir Gabriel."
O que o senhor acha disso?
Acho que é muito sério.
Por que as pessoas que estavam lá não falam?

Adelina Braglia disse...

Caro Fábio,

Não, eu não estava naquela sala à qual o Anônimo das 9:15 hs se refere..rsrs..

Neste período estava ainda em SP, para onde havia retornado em 1992, prestado um concurso na FSEADE e levava minha vida sem mais imaginar que voltaria ao Pará.

Fui convidada a voltar, e o fiz em junho de 1996, logo após Eldorado. Era a formação de uma Comissão Especial de Mediação de Conflitos, que funcionou muito bem, diga-se de passagem, menos pela minha participação e mais pela dos demais companheiros: Paulo Sette Câmara, Ronaldo Barata, Hildegardo Nunes e Emanuel Matos.

Na primeira conversa com Dr. Almir, seu abatimento ainda era visível, mesmo passados dois meses da tragédia. Ali não estava um mandante de violência policial, mas um homem cujo trajetória jamais mereceria que fosse chamado de assassino, como foi, pelos seus hoje novíssimos companheiros.

Almir Gabriel, um homem que havia colocado toda a sua vida à disposição da luta democrática, como médico, como senador e como homem era refém do esquerdismo e do oportunismo mais cruel, aquele que se alimenta de sangue. Se hj ele releva isto, é problema dele, que escolhe seus aliados. O meu é, apesar do presente, não desqualificar o passado.

Inicialmente, me propus a ficar seis meses, que se transformaram em mais 14 anos. Como vc vê, sou um pouco lenta nas decisões de ir ou ficar e só agora estou indo de volta...rsrs...

Os conflitos, ao longo de 96, 97, 98 e 99 continuavam ocorrendo. MST e FETAGRI incendiavam o INCRA Marabá quase que mensalmente...rsrs..Isso me impôs muitas viagens para lá, naquele período.

Nestas voltas a Marabá, onde havia vivido entre 1977 e 1988, exercendo assessoria sindical e dois mandatos - vereadora e vice-prefeita - pude rever amigos, refazer contatos e me permitir colher informações preciosas, dados, fatos, relatos, inclusive ainda satisfatoriamente contaminados por sentimentos e emoções. Eldorado foi uma batalha construída passo a passo por todos os seus personagens. É isso que um dia a história precisará resgatar: todas as estratégias e em todas as irresponsabilidade.


Um abraço pra você.