10 novembro 2010

Os interesses por trás da campanha para derrubar o Enem 1

O problema no Enem foi técnico, um erro assumido pela gráfica e que atinge 0,06% das 4,5 milhões de provas. Isso significa que 99,94% das provas estavam sem problemas. Por que tanto barulho? O blog O biscoito fino e a massa responde: “Grana, baby, grana”, e, com os dados divulgados pelo blog Na Maria, explica direitinho o que está por trás dessa campanha de chilique para derrubar o Enem:
o bizarro episódio em que o estado de São Paulo dispensa a famosa inexibilidade (o princípio que rege todas as compras de assinaturas dos grandes grupos de mídia por lá) e realiza uma licitação para a aquisição de DVDs “Novo Telecurso”, tanto para o ensino fundamental como para o médio. (...) Com fulminante rapidez, o edital é publicado em 25/07/99 e o resultado do certame sai em em 11/08/99, com vitória do Grupo Globo - o que não chega a surpreender, dado o fato de que a Fundação Roberto Marinho, salvo engano (...) é a única entidade que produz qualquer porra chamada “Novo Telecurso”. Evidentemente, os pagamentos com dinheiro público paulista não falharam. R$ 4 milhões depositados em 26 de agosto emais R$ 9 milhões no dia 29 de agosto.
Mas as diversões proporcionadas por esse curioso caso não param por aí. A Fundação Roberto Marinho licita com exclusividade três editoras, e somente três, para distribuir os materiais do telecurso: duas delas são conhecidas, a Posigraf (da Positivo) e a IBEP Gráfica LTDA (manjadas de quem acompanha as compras da Secretaria da Educação de SP). A terceira é de estatuto deveras nebuloso: Editora Gol LTDA. Será que a existência de tão insólita e desconhecida editora, licitada como uma das três exclusivas distribuidoras do “Novo Telecurso” que faz negócios de dezenas de milhões de dinheiro público não seria de interesse de algum jornalista da mídia brasileira?
Acompanhando o blog Na Maria, vamos descobrindo que a Editora Abril e o Grupo Folha já entraram, também eles, no negócio do livro didático e do material para cursinhos. Muitos e muitos milhões, que se tornam bem menos milhões do que isso por causa do Enem.

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