03 dezembro 2010

Segue a íntegra do artigo referido no post anterior: 
Já somos 81,3 milhões em ação 
Há 3 anos, a F/Nazca faz um estudo aprofundado (F/Radar) sobre fenômenos sociais impulsionados pela popularização da Internet no país. Alguns paradigmas foram quebrados ao longo do estudo, e os dados falam por si só. 
A pesquisa é quantitativa e abrangente: compreende todos os brasileiros acima de 12 anos, em 143 municípios de todo o Brasil, e tem margem de erro estatístico de dois pontos percentuais. O campo é realizado pelo Datafolha. Seguem alguns pontos mais polêmicos da última leitura (segundo semestre de 2010): 
- Universalidade e democratização relativa 
O país tem hoje 54% de pessoas acima de 12 anos que costumam acessar a Internet. A penetração é de 84% na classe AB, 51% na C e 23% nas classes DE. Noventa e um por cento dos jovens de 12 a 15 anos costumam acessar a Internet, sendo que esse número cai sucessivamente nas outras faixas etárias. 
No entanto, se podemos nos surpreender com a extrema rapidez do "hábito de acesso" (diferente de "ter acesso"), a penetração em casa segue em patamares baixos: apenas 27% dos brasileiros possuem conexão com banda larga em casa e 6% com conexão discada. 
O acesso em casa determina uma série de comportamentos diferenciados quando comparados com o acesso fora de casa e consubstancia uma fronteira social: 73% da classe AB possui acesso em casa, enquanto que na classe C são apenas 24%. Vale salientar ainda que a posse de Internet tem um crescimento pífio nas classes CDE. 
O acesso em casa é, por exemplo, o principal gargalo para a popularização do comércio online. Apenas 25% dos brasileiros costumam fazer compras online e há uma relação direta entre classe social e compras online. 
- A Internet é um dos principais fatores de emancipação cultural 
Apesar dos rumores alarmistas que correm na mídia e que dão conta do excesso de informação, distração, superficialidade cultural e patologia social, a Internet é vista pelos brasileiros como uma chave para a vida moderna. 
Noventa e três por cento dos brasileiros se consideram mais informados, 89% mais práticos, 88% mais comunicativos, 88% mais conectados, 88% mais instruídos e 60% mais independentes, desde que começaram a usar a Internet. A Internet só é vista como negativa por uma pequena minoria dos brasileiros. 
- Colaboração na Internet é relacionamento e identidade. 
Quando perguntado sobre colaboração voluntária e "autoral" na Internet, 57% dos brasileiros afirmam que "costumam colocar algum conteúdo feito por si próprio na Internet". Esse percentual vem crescendo à base de 5% por semestre. 
Os principais conteúdos são fotos (52%), textos (20%) e vídeos (19%), e a principal motivação é relacionar-se com alguém (30%) e ilustrar ou contar algo sobre a vida pessoal (20%). 
- Colaboração na Internet chama-se Orkut 
Cinquenta e cinco por cento das pessoas que costumam acessar a Internet de forma ativa dizem fazê-lo por meio de seu perfil ou por meio de comunidades no Orkut (40% e 15% respectivamente). 
As demais (e ruidosas) redes são incipientes. Apesar de terem taxas de crescimento significativas, o Twitter e o Facebook só respondem por 7% e 4%, respectivamente, das menções a "colaboração online". 
- Mídia de informação se chama Google 
A única mídia de informação que mantém relevância estável em todas as faixas etárias são as ferramentas de busca (leia-se Google), mantendo-se em torno de 50% para todas as faixas etárias. 
O comportamento de consumo de notícias do brasileiro possui, no entanto, uma enorme diferença em função da faixa etária. 
Embora a televisão continue sendo a mídia de consumo de informação preferida (45%), seguida pela Internet (40%), pelo rádio (7%), pelo jornal impresso (4%) e pela revista (2%), os jovens de 12 a 24 anos se informam prioritariamente nas suas redes sociais (80% entre 12 e 15 anos, 60% entre 16 e 24 anos) e nas ferramentas de busca (55% de 12 a 15 anos e 52% entre 16 e 24 anos). 
Os portais, sites de mídia impressa e blogs só possuem relevância para os mais velhos. 
- Jogar: uma mania nacional, mas uma mania gratuita ou pirateada 
Quarenta e dois por cento da população brasileira costuma jogar através de algum dispositivo (29% pelo celular, 27% pelo computador, 23% por videogame tradicional e 6% por videogame portátil). 
Esse número tem evidentemente penetração muito maior entre os mais jovens (90% de 12 a 14 anos e 70% de 16 a 24 anos), e os jogos mais populares são disparadamente os de futebol (27%). 
No entanto, quando perguntado onde obtêm seus jogos, 81% dos brasileiros que jogam o fazem gratuitamente: 36% através daqueles obtidos das operadoras de celular gratuitamente, 29% emprestados de amigos, 22% baixados sem pagar em sites de compartilhamento de arquivos e 19% entrando sem pagar em sites de jogos em rede. Apenas 19% afirmam comprar seus jogos, sendo que um terço destes compra jogos em camelôs e banquinhas de rua (leia-se piratas). 
Mais informações sobre o F/Radar em www.fnazca.com.br 
Artigo originalmente publicado no Meio & Mensagem do dia 29/11/2010

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