14 fevereiro 2011

Sucessos e gargalos na Ciência e Tecnologia

Assisti ontem à noite a entrevista de Mercadante à Band. Alguns dados:
  • Nos últimos 8 anos o país experimentou avanço expressivo na produção científica. A publicação de trabalhos científicos em revistas científicas indexadas cresceu 5 vezes mais rapidamente que a média internacional. Em muitas áreas relevantes das ciências, o Brasil tem número de citações acima dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
  • Houve avanço expressivo também na formação de doutores e mestres. Em 1987 formavam-se 5 mil por anos; no ano passado, foram 50 mil.
  • Houve desconcentração nos cursos de pós-graduação, com crescimento expressivo no centro-oeste, norte e nordeste. No norte havia 19 cursos de doutorando formando 340 doutores por ano. Depois do governo Lula, formam-se 1.400. 
  • A lacuna está em concatenar formação profissional, estímulo às pesquisas e coordenação com as demandas do setor produtivo.
  • O Brasil dispõe de dois modelos maduros: o da Embrapa na agricultura e o Cenpes (Centro de Pesquisas) da Petrobras, com laboratórios em 19 estados.
  • A Petrobras já gerencia 50 redes de pesquisa com 70 instituições produzindo para demandas objetivas da empresa. Hoje em dia a Petrobras fatura R$ 260 bilhões por ano e precisa investir 2% em pesquisa e desenvolvimento.
  • Um dos grandes desafios é a desburocratização das importações de material, insumos, de pesquisa. O Brasil importa cerca de 800 milhões por ano em insumos.
  • Por ser isenta de impostos, é alvo preferencial da Receita e da Anvisa, mas acabou de ser constituído um grupo interministerial para criar um modelo de atuação concentrado em determinados portos e aeroportos. Esse grupo será formado por especialistas (beneficiados com bolsas do CNPq) e os centros de pesquisa serão estimulados a importar por lá.
  • Identifica-se grande carência na engenharia. No Brasil se forma um engenheiro para cada 50 formandos; na Coreia, essa proporção é de um para quatro.
  • A botânica é outra área que exigirá cuidados estratégicos. Há oferta muito baixa de pesquisadores especialmente na Amazonia. Há grande demanda pela área de biotecnologia, mas o setor não se desenvolverá se não houver o trabalho de base da botânica.
  • O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) está na frente de grandes centros internacionais. Recentemente, abriu 6 vagas de pós-doutorados para candidatos do mundo inteiro. Recebeu 97 inscrições, 13 dos EUA, 11 da Índia, entre outros países. Para a vaga de pesquisador, candidataram-se 86 alunos do mundo inteiro. Agora, o MCT pretende repetir a experiência da Unicamp, que vem abrindo vagas de docentes para professores do mundo inteiro.

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