17 maio 2012

Ah, a hipocrisia do corpo...

Não sou hipócrita. Sei o quanto a nossa valorização estética do corpo é marcada pelos cânones ocidentais que o capitalismo ajudou a consagrar. Também sei o quanto a nossa acção e o nosso desejo se dá sempre no seio de um conjunto estreito de possibilidades, historicamente constituídas. Nascemos sempre numa tribo que nos permite o sentido do mundo, fechando-o ao mesmo tempo. A isto se chama um constrangimento constitutivo. Nunca cedi à estética Kate Moss das magrezas, como sabeis, mas estou ciente que não escapo completamente a uma visão modelar da beleza - por exemplo, um corpo feminino depilado é uma imposição cultural que o meu desejo fracassa em subverter. No entanto, e dado que os cânones conduzem a uma terrível opressão sobre o corpo real de toda a gente, devemos desafiar a estreiteza da narrativa, ainda que o discurso vá, por vezes, um passo à nossa frente. A obsessão e a vergonha do corpo não nos faz bem. O encanto assume uma parafernália de formas. Parabéns à Dove. 

"How is historical agency enacted in the slenderness of narrative?" (Homi K. Bhabha, The Location of Culture, 1994:198)

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