08 outubro 2012

Comentando as eleições 1: Macro-cenários nacionais

Adoro eleições e não resisto a comentá-las, mesmo com os afazeres do pós-doutorado que se aproxima e que anda condenando este blog à eventualidade de si mesmo. Seguem algumas notas, desde o nacional até o local, do geral ao peculiar:



No jogo já configurado, PMDB, PSDB e PT são, respectivamente, os três partidos com maior número de prefeituras. O quarto lugar coube ao DEM – que muitos insistem em dizer que está morto, depois da criação do PSD. Na verdade, o DEM já elegeu 474 prefeitos, mais que o PP e que o PSB.
Os aliados do PT
Nas legendas da base governista, os destaques foram o PSB, com três eleitos, o PT, com dois, e o PMDB, também com dois.
O PMDB ainda tem a maior base municipal, mas encolheu. O partido elegeu quase 200 prefeitos a menos do que em 2008, ainda que tenha crescido em São Paulo, de 69 para 85 prefeitos eleitos. Vai disputar o segundo turno em três capitais secundárias - Campo Grande, Natal e Florianópolis. Sua jóia, é claro, é o Rio. A vitória de Eduardo Paes foi triunfal, e consolida a aliança nacional com o PT.
O PSB é, até o momento, o partido que mais cresceu em relação a 2008. Logo abaixo vem o PT, que elegeu 39 prefeitos a mais, em relação a 2008.
O PDT, que reelegeu o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, ainda disputará o segundo turno em três capitais: Curitiba com o PSC, Natal com o PMDB e Macapá com o PSOL.
O PP, que elegeu o prefeito de Palmas (TO), Carlos Amastha, disputa ainda em Campo Grande o segundo turno com o PMDB.
A oposição ao PT
O PSDB também saiu menor das urnas, em comparação ao resultado de 2008. Os tucanos elegeram 681 prefeitos, contra os 787 que haviam eleito quatro anos atrás. Mais problemático ainda é o fato de que suas maiores perdas foram em estados que o partido governa: São Paulo (menos 34 prefeituras) e Minas Gerais (menos 17). Sua maior derrota foi no Ceará: 46 prefeituras a menos do que em 2008.
Mas os tucanos dis­putam o 2o turno em sete capitais: São Paulo, João Pessoa, São Luís, Belém, Vitó­ria, Manaus e Rio Branco, o que pode fazer do PSDB o partido com maior número de prefeitos nas capitais. O partido dos tucanos tem oito candidatos no segundo turno, enquanto o PT vai para as eleições de 28 de outubro com seis candidatos nas capitais.
Fragmentação partidária?
As eleições municipais possuem sua própria lógica. São menos vulneráveis à polarização dos grandes partidos, principalmente PT e PSDB, e bem mais pragmáticas que as eleições estaduais e nacionais. Possuem uma lógica própria, que obedece melhor à ordem do vivido, do imediato, do cotidiano.
O resultado disso é uma maior fragmentação do quadro do poder, o que se verifica no fato de que sete partidos diferentes venceram as eleições nas nove capitais que definiram o resultado em primeiro turno: PMDB, PSB, PDT, PT, PSDB, DEM e PP.
Outra forma de observar esse processo é percebendo que grande parte dos partidos “nanicos” ampliou sua base municipal: o PSC ganhou 21 prefeitos; o PRB ganhou 19; o PV, 15; o PRP, 7; o PSL, 7; o PRTB, 5; o PTC, 3; o PHS, 2; o PSDC, 1; o PSOL, 1.

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