08 novembro 2012

Microanálise do PSDB

Sem desconsiderar a complexidade de toda política  pode-se dizer que o PSDB, no seu atual momento de recuo e de introspecção, é um partido relativamente simples, que dá para analisar por meio de uma microanálise. Coisa de passar anos pregando a miniaturização do Estado. Virou um partido mini. Mini nas ideias, mini nas propostas, mini nos compromissos, minie mouse. 

Eis então a microanálise: 

Ela diz respeito à caducidade do partido. Sem bandeiras, sem compromissos e sem projeto, o PSDB vai perdendo até a memória de si mesmo. Para uma agremiação que, ao nascer, se dizia mobilizada por elevados ideais democráticos, a situação atual é, além de contraditória, constrangedora. 

A agenda moralizante do PSDB, sobretudo de José Serra, é o maior sintoma dessa caducidade – próprio ao impulso conservadorista dos caducos. O que o faz trazer para o centro de sua discussão política temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e outras coisas afins? É claro que a falta de projeto, a lacuna de um debate maior sobre desenvolvimento ou sobre política sociais. 

Outro sintoma dessa caducidade é o cinismo com que fala em "renovação".

Toda vez é a mesma coisa, o PSDB perde as eleições e começa a falar sobre “renovação”. De quadros, de estratégias e de alianças. Porém, o tempo passa e nada é renovado. Assim foi em 2002, quando Alckmin foi derrotado por Lula; em 2006 quando Serra o foi por Lula e em 2010, quando o mesmo o foi por Dilma. O PSDB é um partido velho. Por isso não se renova. Não permite que suas juventudes avancem na estrutura partidária. 

O PSDB não abre espaço para suas própria renovação? É claro que não: nestas eleições foram eleitos dois ex-deputados tucanos, Eduardo Paes e Gustavo Fruet, que saíram do partido porque não tinham futuro diante dos cardeais – a acabaram indo integrar a base de sustentação do Governo Dilma. 

Perder São Paulo é grave, para o PSDB, tanto em termos materiais (população governada, orçamento, poder burocrático, influência legislativa) como em termos simbólicos. E nesses termos perdeu prestígio. Sem forças para avançar sobre si mesmo, lento, vai-se deixando morrer nos ermos da Amazônia, em Manaus e no Pará (é, tinha que sobrar para nós...)


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