21 maio 2013

Lendo Hesíodo


Acabei de perceber que Hesíodo é um... digamos... proto-decadente?

«Quem dera eu não tivesse pertencido à quinta raça de homens, mas ter morrido antes ou nascer depois. Pois agora é a raça do ferro; não mais, quer de dia quer de noite, cessaram as fadigas e as misérias de os apoquentar; e árduas penas lhes concederam os deuses. Todavia, em tudo, para estes se misturavam também bens e males. Mas Zeus destruirá também esta raça de homens mortais, quando, ao nascerem, apresentam já brancas as têmporas. Nem o pai é semelhante aos filhos, nem ao pai os filhos, nem o hóspede ao hóspede e o amigo ao amigo, nem o irmão será caro ao irmão, como era antes. E desonram os progenitores, mal eles envelhecem e censuram-nos, falando-lhes com palavras agrestes, desgraçados, que não conhecem o temor dos deuses, nem aos anciãos que os geraram dão o alimento necessário. É a justiça da força, e um saqueará a cidade do outro. Ninguém será fiel a um juramento; nem o que é justo, nem o bem, mas antes o promotor de males e o homem insolente respeitam. A justiça estará na força; e o respeito não existirá; e o malvado ofenderá quem é melhor, proferindo pérfidas palavras, que apoia com juramento. E a todos os homens, desgraçados, acompanhará a inveja, de palavra amarga, feliz com o mal alheio, de olhar sinistro. Então, a Vergonha e a Justiça, com alvas vestes ocultando o belo corpo, partirão para o Olimpo, para junto da raça dos imortais, deixando a vasta terra, abandonando os mortais.»

- Hesíodo, "Trabalhos e  Dias"

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