11 julho 2013

Política cultural e autoritarismo no Pará 6: O objeto do protesto dos artistas paraenses, as falsas e as meias questões presentes no debate, que desviam nossa atenção

O protesto não me parece ter sido contra a música do Terruá, especificamente e nem contra a música lírica, especificamente, mas sim contra o desmando, o exclusivismo e o autoritarismo da política cultural do PSDB.
O protesto foi contra Paulo Chaves e seu elitismo. Foi contra a arrogância dessa política cultural que passa longe da ideia de democracia.
É claro que também foi contra o Terruá e o Festival de Ópera, porque são eventos, são escolhas, que representam essa política cultural. Projetos caros, absurdamente caros, quando se pensa no público que atinge e nos efeitos sociais que produzem.
Projetos abusivamente caros, quando pensamos no quanto o Pará é pobre e no quanto difícil fazer cultura neste estado.
Na mesma medida, foi um protesto contra a monetarização dos indicadores culturais.
Cabe uma palavra sobre isso, sobre a monetarização dos indicadores culturais, prática maior da política cultural do PSDB, que está no DNA da Secult, da Secom e da Funtelpa na gestão tucana: a obsessão, a maldição, de converter a cultura em números, em indicadores, em público pagante, em cabeças, em audiência e em cifrões.
A rápida análise que Ernani Chaves, professor da Faculdade de Filosofia da UFPA faz da Nota Oficial que o Governo do Pará divulgou a respeito do protesto é esclarecedora. Leiam. Nela, o professor Ernani observa os termos usados pelo PSDB para justificar o Terruá: apenas quantitativos, números, coisas como “lotado”, êxito...

Penso que os artistas também protestam contra esse argumento, contra esse algoritmo cultural que os tucanos gostam de usar para justificar o que consideram importante.

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