19 outubro 2014

Estarei lá: # Comunicadores Com Dilma


Colóquio Internacional Barthes Plural

A Universidade de São Paulo (USP) realizará o Colóquio Internacional Barthes Plural, de 23 a 26 de junho de 2015. Como parte das comemorações brasileiras dos 100 anos de Roland Barthes, a universidade convida pesquisadores do mundo todo para falar sobre o Plural de Barthes de forma ampla: pluralidade de objetos artísticos e pluralidade de sentidos.

A coordenação do evento espera receber propostas sobre Barthes pianista amador, pintor de aquarelas, romancista experimental, fascinado por Brecht, pelo bunraku, pela ópera, cinema, culinária, etc., mas também sobre o Barthes que desperta novas travessias, disseminações, novas formas de discutir (e criar) o romance, ensino, luto, prazer, corpo, dentre diversas temáticas.

Serão aceitas propostas em português, francês, espanhol e inglês, com até 300 palavras. O tempo de exposição será de 30 minutos. As propostas de comunicação devem ser enviadas até o dia 31 de outubro de 2014, através do formulário online.

18 outubro 2014

O corpo representado: mídia, arte e produção de sentidos

Lançado o livro “O corpo representado: mídia, arte e produção de sentidos”, que discute a dimensão simbólica e cultural do corpo, com especial atenção para o papel do corpo no espaço urbano e contemporâneo. Os autores pensaram sobre histórias em quadrinhos, cinema, revistas, postais, videoclipes e também sobre o corpo como objeto da arte, especialmente aquele da dança contemporânea em seu caráter urbano e experimental. O livro, publicado pela editora da própria universidade (EdUERJ), pode ser acessado no site da editora.

Um soco na arrogância da visão seletiva supostamente intelectual

As declarações do antropólogo Roberto DaMatta sobre o PT me chocaram pela leviandade e pela superficialidade. Ler um grande pensador repetindo os argumentos infantis dessa gritaria que toma conta da internet e da grande mídia é um desalento, é frustrante. E por isso mesmo me senti imensamente contemplado com o texto abaixo, uma resposta ponderada, inteligente, dialética
Um soco na arrogância da visão seletiva supostamente intelectual (ou, Carta Aberta ao antropólogo Roberto DaMatta) 
Por Marcio Valley, em seu blog.  
Roberto Da Matta, li, ontem (08/10/2014), o seu texto “Um soco na onipotência”, onde você defende que o PT seja “defesnetrado do poder” e revela ter sentido a angústia diminuída ao ver Aécio chegar ao segundo turno dessas eleições. Na sua visão, Aécio, tendo “achado o seu papel e o seu tom”, e “com sua tranquilidade”, irá proporcionar ao Brasil a “descoberta da soma e da continuidade”. 
Senti uma enorme tristeza ao término da leitura. Sempre respeitei você e seus pensamentos. O seu texto para mim significou, de fato, um soco de alto teor destrutivo, porém não na onipotência do PT, mas na imagem do antropólogo Roberto DaMatta, que nunca imaginei pudesse abdicar da inteligência para defender uma causa. 
Participo pouco do Facebook, mais para divulgar meus textos. Isso porque percebo nas redes sociais uma enorme carência de discussão inteligente e racional dos problemas políticos brasileiros. Trata-se de mera gritaria irracional, com repetição de memes e de conteúdo absolutamente raso. É nessas discussões adialéticas, onde não é possível o contraponto, visto como ofensa, e cuja pretensão é somente a de fazer prevalecer a própria visão e de repelir agressivamente todo pensamento que contrarie essa ótica, que vejo comumente serem usadas essas expressões de mera injúria como “petralhas”, “tucanalhas”, “privataria”, “coxinhas” e, vejam só, “lulopetismo”, a mesma utilizada por você, um intelectual. 
Nas redes sociais, busco relevar o mais possível o uso dessas palavras de ordem, fundamentalistas e estimuladoras da divisão e do acirramento, porque não sou insensível ao fato de que esse uso, em geral, surge da falta de oportunidade de acesso a uma cultura de discussões de alto nível. Entretanto, quando percebo que esse mesmo estilo, digamos, “literário” é manipulado por pessoas que deveriam ser o farol a seguir no que concerne à inteligência e à razão, dói no coração e a sensação de impotência no enfrentamento e solução dos problemas públicos cresce na alma. Discussões baratas conduzem a resultados igualmente baratos. 
Como um intelectual pode se unir à grita da corrupção generalizada petista assim, de forma tão leviana? Sem o adensamento das causas? Sem uma perspectiva histórica? Sem analisar o sistema legal que proporciona tais desvios? Sem uma análise comparativa? Sem qualquer pronunciamento sobre a existência ou não das ações de combate? A corrupção inexistia no Brasil pré-PT ou nasce a partir da assunção desse partido? A malfadada governabilidade no Brasil – e seus filhos diletos, o fisiologismo e o patrimonialismo – é uma pré-condição do exercício do poder ou somente foi e será praticada pelo PT, mas não por outros partidos que eventualmente venham a conquistas o governo? Em outras palavras, é possível a qualquer partido governar sem se render aos clamores e anseios de sua inexoravelmente necessária base de apoio? 
DaMatta, a tristeza que me doeu, ao ler seu texto, veio-me da constatação de que, mesmo um formador de opinião como você, com enorme capilaridade na divulgação através de organismos gigantes como “O Globo”, e que, na condição de intelectual, possui ou deveria possuir capacidade de análise crítica dos fatos presentes e de, a partir dessa capacitação, também de intuição sobre o futuro que poucos podem se arvorar de possuir, ainda assim arrisca-se em relação à própria reputação e biografia ao escrever textos supostamente analíticos, mas cujo conteúdo é exclusivamente panfletário e demonstração de exercício do mais puro e, diria mesmo, infantil “wishful thinking”. De fato, custo a crer, perdoe-me, que você acredite no que escreveu. 
Sei que você sabe (ou deveria saber) que um dos primeiros atos de Fernando Henrique Cardoso (desse mesmo PSDB que você agora tão calorosamente articula em favor), assinado somente dezoito dias depois de tomar posse, através do Decreto nº 1.376/1995, foi extinguir a Comissão para Investigar a Corrupção, comissão que havia sido criada em 1993 por Itamar Franco. 
Lula, no dia 1º de janeiro de 2003, primeiro dia de seu governo, a partir da antiga Corregedoria-Geral da União, assinou a MP n° 103/2003 (depois Lei n° 10.683/2003), criando a Controladoria-Geral da União e atribuindo ao seu titular a denominação de Ministro de Estado do Controle e da Transparência, o que implicou elevar o status administrativo da pasta e sinalizou aos subalternos o norte a ser orientado. 
Nos oito anos de governo do PSDB, com FHC, a Polícia Federal realizou um total de 48 (quarenta e oito) operações, ou seja, uma média de seis operações por ano.
Nos doze anos de governo do PT, essa número saltou para cerca de duas mil e trezentas, o que dá uma média de mais de 190 (cento e noventa) por ano. 
Ao assumir, o governo do PT encontrou cerca de cem varas federais. Agora já são mais de quinhentas. 
Como você sabe, ou deveria saber, são as operações da Polícia Federal e as varas da Justiça Federal que, no âmbito federal, investigam, combatem e julgam os crimes de corrupção. 
Durante o governo do PSDB, havia Geraldo Brindeiro, o “engavetador geral da república”. 
Durante o governo do PT poderosos membros do governo em exercício foram investigados, denunciados pelo Procurador Geral da República (não mais um “engavetador”), julgados, condenados e presos por corrupção. Você pode não apreciar a famosa expressão do Lula, “nunca antes na história desse país”, mas, quanto a esse fato, é possível desmenti-la? Quando e em que circunstâncias isso, antes, ocorreu? 
De que forma, DaMatta, esses fatos (que você facilmente encontrará em sites idôneos da internet) se coadunam com a sua afirmação de “corrupção deslavada do PT”? 
DaMatta, o comum do povo, desprovido dos mesmos mecanismos de acesso à informação e ao conhecimento, pode não saber, como você sabe, que não existem administrações, privadas ou públicas, imunes à prática de ilícitos. O que diferencia uma boa administração de uma ruim é como se lida com os infratores. Há liberdade para as instituições funcionarem, investigando e eventualmente punindo, ou tudo é conduzido para debaixo do tapete por diligentes engavetadores? 
Mexa no formigueiro, DaMatta, e isso aumentará o número de formigas visíveis. Você sabe disso, é o “efeito percepção”. Concluir que, porque não se viam as formigas antes, elas não existiam, é exercício da mais perfeita idiotice, desculpável somente aos ignorantes, não aos cultos. 
DaMatta, todo o suposto prejuízo do mensalão (não vou entrar no mérito da existência do crime, que já foi julgado pelo STF, mas você sabe que se discute bastante se o dinheiro supostamente “desviado” não se encontra nos cofres da Globo, da Folha, do Estadão e de outros órgãos da imprensa, de forma lícita, através de contratos legítimos de publicidade), não chega a 75 (setenta e cinco) milhões de reais. Sem questionar a validade das privatizações realizadas pelo FHC, há estudiosos do assunto, idôneos, que alegam que o prejuízo com as vendas das estatais, a partir do uso das “moedas podres” e outros “incentivos”, pode ter chegado a cerca de 2 (dois) bilhões e 400 (quatrocentos) milhões de reais. Isso mesmo, entregamos o patrimônio todo e, longe de reduzirmos o déficit público, ainda acrescentamos essa montanha de dinheiro à nossa dívida pública. Porém, muita gente ficou multimilionária a partir das privatizações do PSDB. 
Esse valor, DaMatta, corresponde a mais de trinta e duas vezes o valor do mensalão, em valores não atualizados (se atualizar passa fácil de cinquenta vezes). Claro, na sua percepção você não deve considerar isso corrupção, não é mesmo? 
Ou, quem sabe, DaMatta, talvez você tenha algo a dizer sobre as privatizações tucanas, sobre a atuação de José Serra em conjunto com sua filha Verônica e seu genro Alexandre Burgeois, sobre Daniel Dantas e sua filha, também Verônica, sobre Ricardo Sérgio de Oliveira no Banco do Brasil (agindo “no limite da irresponsabilidade”), sobre André Lara Rezende e as operações de câmbio, a família Jeressaiti e a aquisição da Telemar, sobre o Banestado. 
Só o Banestado, DaMatta, ocorrido em pleno governo FHC, causou um prejuízo de mais de 19 (dezenove) bilhões de dólares, que foram ilegalmente remetidos para os Estados Unidos. 
Começo a concordar, DaMatta, que os petistas são incompetentes, pelo menos no quesito “desvio de dinheiro público”. 
Enfim, retorno à indagação que fiz acima: a corrupção é uma característica do PT? Se não, onde estão os condenados por corrupção do período do PSDB no governo federal? 
E Aécio, DaMatta? Está ele livre de indícios de corrupção em sua passagem pelo governo mineiro? Você bem sabe que Minas Gerais, com o PSDB, foi o berço do mensalão tucano, gerido pelo mesmo indivíduo, o publicitário Marcos Valério, cujos tentáculos se espraiaram em direção ao governdo federal do PT. Além disso, você sabe que Aécio é réu, acusado de improbidade administrativa, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual, em razão de desvio de 4 (quatro) bilhões e 300 (trezentos) milhões de reais da área da saúde em Minas, não sabe? E o aeroporto construído com dinheiro público em área desapropriada de parte da fazenda de seu tio, em Minas, ouviu falar sobre isso?
Bom, tudo isso eu relato, DaMatta, em função de sua visão estreita e seletiva sobre a corrupção do PT, olvidando-se (de forma proposital?) daquela oriunda dos quadros tucanos. Em princípio, não me parece o papel de um intelectual. Passável para uma pessoa comum, para redatores de Facebook, essa visão reducionista é, no meu entender, vergonhosa para um erudito. 
Até compreendo que existam na mídia os “experts” (substitutos de segunda linha dos verdadeiros intelectuais) vendendo suas falsas expertises a soldo, uma para cada gosto, mas não acredito que seja o seu caso. Prefiro acreditar num ato menos pensado, numa torcida apaixonada, passional, talvez resultado de algum elemento pessoal por mim desconhecido, como, por exemplo, ter sido prejudicado individualmente pelo PT de alguma forma ou possuir relação estreita com alguém do PSDB. Ainda assim, não há justificativa para a edição de um panfleto tão raso, tão ao gosto da Rede Globo, da Folha e do Estadão e da revista Veja. Você, DaMatta, um intelectual cujo respeito não será por mim perdido por um deslize, infelizmente pôs-se ombro a ombro com o nível de um Reinaldo Azevedo ou de um Augusto Nunes. Tornou-se um Jabor. Se insistir nessa linha, será nivelado, torço para que isso não ocorra, a um Merval Pereira, o imortal da coletânea única. 
DaMatta, retorne à sanidade intelectual. Não para infalivelmente apoiar o PT, mas para, se for o caso, rejeitá-lo pelos motivos lógicos e racionais corretos, ou seja, fundamentando sua contrariedade à linha econômica petista; ou à forma como ocorre, hoje, o enfrentamento da questão social; ou, ainda, pelas teses de relações internacionais atualmente defendidas pelo Itamaraty; ou por qualquer outra que você, livremente e como cidadão, considerar não ser adequada ao seu pensamento. 
O que não dá é para alcunhar o PT de “dono espúrio de um Brasil que é de todos nós”, uma frase de efeito cujo único objetivo é o aplauso fácil. Ou de falar em “aparelhamento do Estado”, um mantra que pode ser considerado bonitinho para aqueles que ignoram as formas pelas quais se materializam os processos políticos, mas que se torna ridículo se proferido por um intelectual ciente de que o aparelhamento do Estado faz parte do processo democrático, uma vez que todo partido que chega ao poder preenche os espaços de indicação política existentes no governo justamente como meio de oferecer aos eleitores a direção política que eles escolheram através da eleição livre. Ou você, DaMatta, acha que o PSDB não “aparelhou” o governo federal, quando lá esteve, ou, atualmente, não nomeou todo e cada um dos cargos políticos de livre nomeação no Estado de São Paulo durante esses vinte anos de seu governo (algo a dizer sobre a “perpetuação no poder” em São Paulo?). 
Vamos nos ater à discussão política, então. Vamos falar de economia, de saúde, de segurança pública, de educação e de quem consideramos mais apto a enfrentar esses enormes desafios. Porque, no tema corrupção, DaMatta, e estou afirmando algo que sei que você de antemão sabe, somente existem telhados de vidro. 
Não desça ao nível dos tabloides. Você é maior do que eles. Ainda acredito e torço por você. 
Do seu leitor, Marcio Valley.

17 outubro 2014

O design ou o jornalista?

Um artigo publicado no Nieman Lab questiona: “O design ou o jornalista: quem molda as notícias que você lê em seus favoritos aplicativos?”. 

O relatório apresentado pelo laboratório reforça a ideia da importância do design como fundamental na decisão de como as notícias devem ser acessadas e compartilhadas.

Via JGol.