27 agosto 2014

Hoje participei do X Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, na Bahia

Hoje participei da mesa de abertura do Enecult - o Encontro de Estudos Multidis ciplinares em Cultura, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. A mesa se chamou "Culturas Brasileiras + 10: Travessias Interculturais". A proposta foi mostrar como anda a cultura brasileira e os pontos de convergências, divergências e avanços no período de 10 anos da nova configuração da cultura. A mesa foi mediada pelo professor da UFBA, José Roberto Severino, da Faculdade de Comunicação da UFBA e, além de mim, contou com a presença de Zilda Iokoi, da USP; Maria Beatriz de Medeiros, da UnB e do caríssimo amigo Márcio Meira, hoje no Ministério da Educação. Para quem se interessar, mais informação sobre essa mesa aqui.

25 agosto 2014

Desdobramentos no Ppgcom

Hoje foram divulgados três documentos sobre a situação do Ppgcom. Reproduzo-os:

Nota de professores da Faculdade de Comunicação (Facom)
NOTA PÚBLICA
Os professores da Faculdade de Comunicação (FACOM/UFPA) signatários deste documento, diante dos episódios que tristemente marcaram os últimos meses no que se refere ao processo de sucessão no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM/UFPA), vêm a público e ao Conselho da Faculdade repudiar a condução do processo e expor seu posicionamento, solicitando providências deste Conselho:

- O pedido de descrendenciamento do Ppgcom, formalizado no último dia 18/08/2014, por parte dos professores Fábio Fonseca de Castro e Alda Cristina da Silva Costa, legitimamente eleitos para a coordenação do programa em reunião de seu colegiado ocorrida no dia 06 de junho, deveu-se à exacerbação de hostilidades e ataques pessoais desferidos contra os professores eleitos e uma sucessão de posturas autoritárias assumidas pela coordenação que terminou o mandato oficialmente em 15 de maio, desde a data da eleição, protelando a efetivação dos novos gestores no cargo por quase três meses, em evidente afronta ao regimento do programa e a qualquer processo sucessório;

- Os deploráveis episódios que marcaram a sucessão no Ppgcom são o ponto culminante de um longo processo de tensionamento, em vista do isolamento e ausência de diálogo com a Faculdade de Comunicação imposto pela forma como vem sendo conduzido o programa, construído coletivamente, ressalte-se, à custa de muito trabalho, desde meados da década passada pelos professores da faculdade. A Facom, entendemos, além de ser a fonte geradora, responsável pela formulação do projeto do mestrado em Comunicação, constitui a própria razão de sua existência, justificada pela consolidação da graduação, que em 2016 completa 40 anos, sem a qual sequer faria sentido criar-se um mestrado em Comunicação na UFPA. A política de pós-graduação no país, a despeito de todas as críticas que se possa fazer, jamais postulou o isolamento entre os cursos de graduação e de pós-graduação. Ao contrário, estimula-se um diálogo permanente capaz de alimentar a formação de uma massa crítica e da prática da pesquisa desde a graduação;

- O Ppgcom, nesse sentido, jamais pode ser objeto de barganhas políticas, desvirtuando- se de sua função acadêmica, de natureza pública e necessariamente democrática, de vez que mantido com verbas públicas com o único fim de cumprir a função social de elevação da produção do conhecimento e da qualidade da pesquisa e do ensino na área de Comunicação.

Diante do exposto, e considerando decisão tomada em 30/04/2014 por parte deste Conselho, de apoio aos nomes dos professores Fábio Castro e Alda Costa para a sucessão no Ppgcom, solicitamos ao Conselho da Facom que reitere o apoio aos professores eleitos e à efetivação do resultado da eleição no colegiado do Ppgcom, de maneira a assegurar a democracia e a transparência no processo. Pelas mesmas razões, pedimos aos professores eleitos que, em nome do interesse público e do bem comum, reconsiderem a posição tomada anteriormente, de desligamento do programa e retirada de seus nomes para a nova gestão.

Somente dessa maneira, acreditamos, poderemos vislumbrar um horizonte de construção de um novo pacto coletivo que possa dar sustentação e permitir o crescimento do programa que tanto lutamos para implantar.

Belém, 25 de agosto de 2014.

Rosaly de Seixas Brito
Célia Regina Trindade Chagas Amorim Luiz Cezar Silva dos Santos
Manuel José Sena Dutra
Otacílio Amaral Filho
Rosane Maria Albino Steinbrenner Carolina Mártyres Venturini
Kelly Kalynka Damasceno Cruz
Lívia Lopes Barbosa
Scarleth Yone Ohara

Manifesto do Centro Acadêmico de Comunicação (Caco) da UFPA 
Manifesto de Apoio ao Prof. Fábio Castro e Prof.ª Alda Costa e sua decisão de descredenciamento do PPGCom 
O Centro Acadêmico de Comunicação Social declara o apoio à gestão que seria composta pelos docentes do Curso de Graduação em Comunicação Social, Fábio Fonseca de Castro e Alda Cristina Costa, para coordenar o Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom), que foi eleita em junho e que não assumiu até o presente momento devido a manobras burocráticas da gestão que ainda continua na coordenação do programa. 
O CACO também lamenta a decisão de os docentes citados descredenciarem-se do PPGCom, que foi tomada mediante os entraves que estavam sendo postos à assunção da gestão e à implantação do seu projeto para a pós-graduação. Entraves estes causados, sobretudo, pelo modelo por meio do qual o PPGCom é gerido, baseado na disputa por poder, em que a ética e a construção de um projeto agregador, que colabore com a consolidação de pesquisa e produção de conhecimento sobre o contexto amazônico, são desconsiderados em prol de projetos que visam, sobretudo, a obtenção e manutenção do poder que a coordenação do programa representa. 
Entendemos que a pós-graduação é um âmbito que precisa ser adequadamente valorizado e gerido, com fins de construir e dar relevância ao campo científico da Comunicação da região Norte e, mais propriamente, Amazônia. É reduto para o qual as atividades da graduação têm a possibilidade de convergir e dialogar, inclusive pela presença de discentes que venham do curso de graduação da Faculdade de Comunicação da UFPA. Desse modo, a permanência do modelo de gestão que está sendo praticado, representa estagnação e dificuldade de acesso pelos estudantes que vêm da graduação. 
Não podemos nos esquecer da relação que a pós-graduação têm estabelecido com a Faculdade de Comunicação, já denunciada pela própria direção e percebida por todos os estudantes, que consiste em ignorar os docentes na condução de suas atividades e organização de eventos. O Centro Acadêmico está ciente da relevância de acompanhar os acontecimentos relativos a esse processo, motivo pelo qual está recolhendo informações e buscando dialogar com os envolvidos, com a finalidade de participar de um processo que garanta um desfecho positivo à crise pela qual este polo de formação de profissionais e produção de conhecimento está passando. 

Nota do Conselho da Faculdade de Comunicação
NOTA PÚBLICA 
O Conselho da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal do Pará (UFPA) reitera seu apoio integral aos nomes dos professores Fábio Fonseca de Castro e Alda Cristina Silva da Costa para a direção do Programa de Pós- Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (Ppgcom) e vem a público solicitar aos referidos professores, eleitos legitimamente para a sucessão no programa em 06 de junho de 2014, que, em nome do interesse público e do bem comum, reconsiderem a posição tomada anteriormente, de desligamento do programa e retirada de seus nomes para a nova gestão. 
Este pedido se sustenta em dois documentos apresentados por professores e alunos da Facom a este Conselho em reunião extraordinária, realizada no dia 25 de agosto de 2014, e endossados por maioria dos votos (9 votos a favor, 01 contra e 03 abstenções), que repudiam a falta de diálogo e a hostilidade crescente do Ppgcom em relação à Facom.
O Conselho da faculdade considera que honrar a democracia e a transparência é o único caminho capaz de promover a construção coletiva do conhecimento em uma universidade pública e cidadã. 
Belém, 25 de agosto de 2014. 
Conselho da Faculdade de Comunicação (FACOM)
                 

18 agosto 2014

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões:
Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.  
Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de ampliar o envolvimento de professores e alunos do curso de comunicação nas atividades de pesquisa próprias do mestrado. 
Faze-lo teria sido agir endogenamente, preparando, de maneira consequente, a entrada futura de professores da Facom no programa e, ao mesmo tempo qualificando os alunos da graduação para que pudessem se preparar melhor para a pesquisa. Ciente da hostilidade de alguns em relação a esse projeto, estávamos dispostos a fazer um trabalho paciente, construindo um PPGCOM para o futuro, reformulando a máquina já existente e acalmando os interesses paroquiais num projeto maior. Em suma, pretendíamos melhorar o mestrado, por assim dizer, “a partir de dentro”. Porém, confrontados com ataques pessoais, irracionais e intempestivos; confrontados com atos tão incrivelmente mesquinhos, inadmissíveis numa instituição pautada pela racionalidade científica, chegamos à conclusão de que o esforço seria vão: um desperdício dos recursos públicos, do tempo de pesquisa e ensino dos professores com boa vontade para o projeto e, em geral, do esforço comum.  
O clima de hostilidade evidenciado nos últimos meses impede de maneira absoluta e decisiva qualquer proposta de construção coletiva. Nesse cenário inóspito, torna-se infrutífera nossa proposta e vão todo esforço que possamos fazer para concretizá-la. As incontáveis agressões verbais que temos sofrido por parte de alguns membros do colegiado constituem um desrespeito inaceitável em uma comunidade científica. 
Essas agressões evidenciam o quanto a ciência pode se amesquinhar na construção de pequenos poderes e se tornar refém de projetos isolados e egoístas. Evidenciam, igualmente, o quanto a Academia se distancia da sua missão de educação e pesquisa, construindo falsos projetos e falsos compromissos baseados em disputas paroquiais e improdutivas.  
Nosso trabalho científico e nossa sempre aberta disposição para a cooperação e para o debate público demonstram o quanto respeitamos e estimamos a construção coletiva. Além disso, nossa experiência de gestão já nos ensinou que se não há condições organizacionais prévias, em equipes pequenas, o esforço empreendido será desperdiçado.  
Acreditamos no bem comum, no bem público e na construção colaborativa do trabalho acadêmico. Acreditamos no respeito, na humildade e no coletivismo do trabalho científico. Acreditamos numa universidade pública respeitosa do trabalho dos pares e da experiência dos pesquisadores amazônicos e repudiamos a maneira como os professores João de Jesus Paes Loureiro e Manuel José de Sena Dutra foram tratados pelo programa. Acreditamos no valor atemporal de um Regimento legitimamente vigente e repudiamos toda possibilidade de alterá-lo. Acreditamos que um mestrado deve trabalhar juntamente com a graduação. Acreditamos na missão de fazer uma pesquisa amazônica com pesquisadores comprometidos com a região.  
Saímos do Ppgcom com a certeza de que contribuímos grandemente com ele – infelizmente, em vão. Evidentemente lamentamos pelo programa e estimamos aos que com boas intenções prosseguem em seu colegiado o bom êxito que moveu nosso trabalho e nosso esforço por criá-lo, desejando que recupere, nos seus embates futuros, o espírito de comunidade, de solidariedade e respeito que o moveu como projeto. 
De nossa parte, continuaremos pesquisando e produzindo no campo da comunicação e procurando fazer um trabalho original, cuidadoso e, sobretudo, comprometido com a sociedade amazônica. Continuaremos participando ativamente do debate público e de todo esforço comum pela construção de uma universidade melhor, mais séria, mais próxima da realidade e mais competente.