14 junho 2018

Políticas culturais para as cidades

Foi lançado pela Fundação Perseu Abramo o livro "Políticas culturais para as cidades", organizado por mim, pela Renata Rocha (da UFBA) e pelo Luiz Augusto Rodrigues (da UFF).
O livro lida com a complexidade que é pensar esses dois campos: as políticas culturais e as cidades. Os 10 capítulos do livro tratam tanto de políticas locais setoriais quanto da observância reflexiva de políticas nacionais em suas interações federativas. Abordam impactos culturais da produção de espaçoscontemporâneos regidos pela lógica do empresariamento urbano que tende a gentrificar os territórios impactados por mega-eventos e/ou produzidos prioritariamente pela lógica da atratividade turística. Políticas municipais e a política nacional de cultura são objetos aqui analisados, em especial quanto a desdobramentos territoriais.
Pensar as cidades e as políticas culturais que lhes impactam, e também pensar as culturas e as políticas urbanas que lhes tensionam, ora potencializando-as, ora as inibindo ou quase inviabilizando suas diferentes práticas. Eis o que temos como uma preocupação fundante e fundamental: refletir sobre os territórios e as ações e políticas culturais – tanto as que lhes são levadas quanto as que deles mesmos se aflora.
Para quem quiser o livro está disponível, gratuitamente, no repositório da UFBA - e também no meu perfil no Academia.edu -, mas farei um lançamento em Belém em setembro próximo.

28 maio 2018

O desmonte do ensino superior por Temer: números e consequências


Um sintoma do golpe que está passando desapercebido é a imensa evasão no ensino superior do país. Em 2017, mais de 200 mil estudantes de 19 a 25 anos tiveram de abandonar o ensino universitário antes da conclusão. Em dados brutos, o número de estudantes nas universidades e faculdades brasileiras reduziu, de 7,7 milhões de estudantes em 2016 para 7,65 milhões em 2017, cerca de 50 mil a menos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Nacional de geografia e Estatística (IBGE), para os anos de 2016 e 2017.
As causas imediatas disso são a redução, pelo Governo Federal, de créditos para estudantes, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e de bolsas de estudo, como o ProUni. As causas amplas estão no cenário de aumento do desemprego e da informalidade, bem como no corte de 30% dos recursos de custeio das universidades públicas, o que impacta sobre o apoio ao estudante carente, mantido por essas universidades.
Poucos falaram disso, mas no passado domingo (domingo!), 13 de maio, foram divulgados números do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao ano de 2017. Nesse ano, o Fies teve 170.905 novos contratos, uma redução de 22.454 contratos em relação ao ano anterior. Quando comparada com 2015, o último ano de governo da presidenta eleita Dilma Rousseff, a queda é ainda maior, um total de 102.891 contratos a menos.
O Fies desempanhava, nos governos do PT, um papel estratégico no conjunto de políticas públicas educacionais de combate ao imenso atraso educacional do país, contribuindo de maneira decisive para minorar a imensa demanda por acesso e permanência na educação superior. Entre 2010 e 2015 o Fies contribuiu para a permanência e para o acesso de 2,4 milhões estudantes à educação superior.
Sua importância social é comprovada pelo dado de que 96,8% dos estudantes beneficiários do programa são de família com renda per capita de até três salários mínimos e 54,14% com renda de até um salário mínimo.
Além disso, o programa aumentou o acesso às universidades em cerca de 25%. Entre os alunos que utilizam o Fies a evasão é 3,5 vezes menor do que entre os estudantes não beneficiários do programa.
Para os crítico neoliberais de plantão é preciso lembrar que o financiamento estudantil existe na maioria dos países desenvolvidos e, no caso brasileiro, em função das abusivas taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro, só se tornou viável por meio de subsídios públicos.
Esse tipo de mecanismo é indispensável num país onde, Segundo dados do IBGE, apenas 1,3 % dos 20% mais pobres da população brasileira são diplomados pelo ensino superior, em contraste com os 37,3% dos 20% mais ricos.
Isso comprova uma coisa que é pouco debatida: o fato de que o problema fundamental de acesso não é a disponibilidade de vagas, mas a renda familiar. Os programas de acesso dos governos Lula e Dilma, especialmente o Fies, que tem o maior alcance social, aumentaram em 23 vezes a oportunidade dos jovens das famílias que estão entre os 20% mais pobres de chegarem ao ensino superior.
No Brasil do golpe uma das grande vítimas é o ensino. O “Fieszinho” de Temer exclui os mais pobres da educação superior e assinala para o projeto de colocar o país, de volta, no caminho do seu apartheid educacional histórico,  em que só os filhos das elites e da classe média conseguiam se tornar doutores.

27 maio 2018

Youthquake: a palavra do ano para o dicionário Oxford

Depois que fake news foi escolhida a "pakavra do ano" pelo dicionário Oxford, em 2017, virando um debate mundial, tanto na vida quotidiana como na academia, todos estavam aguardando para ver qual seria a palavra escolhida em 2018. Na Inglaterra havia até bolsa de apostas. Pois bem, o resultado saiu: Youthquake. Que significa protagonismo da juventude. 

Ou, mais especificamente, como colocado no dicionário Oxford, « a significant cultural, political, or social change arising from the actions or influence of young people ». Na verdade, a origem do termo aponta para um movimento cultural londrino, relacionado à moda, dos anos 1960. Na Wikepedia encontrei mais sobre a palavra.

Ah, para constar: nos Estados Unidos os dicionários Webster, também começaram a indicar a sua "word of the year", e lá a indicada foi « feminism ». Ao que parece, uma tendência em referir protagonismos.