11 Novembro 2009

Os piores anúncios da história da publicidade 12

A bela e meiga moça tem gonorréia...


10 Novembro 2009

Sangue frio...

É extremamente necessário a Polícia Militar do Pará ter sangue frio e equilíbrio, no cenário que se forma. Igualmente necessário é o governo não ceder às exigências e provocações do setor agrário e recordar sua base social e eleitoral. Necessário lembrar o (desatualizado?) Marx, quando diz que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Devemos, a todo custo, evitar a farsa. Para isso, é fundamental reconstruir nossas heranças a esquerda, como tenho dito.
E se o digo mais uma vez é por ler isto no blog do Sakamoto...

Confecom: A necessidade de rever o modelo de concessões de TV e rádio


Outro post trazendo reflexões sobre a política de comunicação no blog do Miro. Desta vez, o tema é a necessidade de regulamentar as concessões de televisão e rádio. Hoje, no Brasil, o regime das concessões é ditado pelo poder econômico. Não há critério objetivo nas concessões.
Na prática, as emissoras funcionam sem respeitar a Constituição e o próprio Estado de Direito. Por exemplo, ao:
- desrespeitar a proibição constitucional de formação de monopólios;
- desrespeitar a proibição constitucional de produção de conteúdos regionais,
- desrespeitar o limite mínimo de tempo de 5% para o jornalismo e máximo de 25% para a publicidade;
- veicular merchandising, o que é vetado pelo Código de Defesa do Consumidor;
- não exibir o conteúdo educativo exigido pelo Constituição e ou fazê-lo em horários de baixa audiência;
- sabotar a classificação indicativa para faixas etárias, medida essencial para o resguardo do Estatuto da Criança e dos Adolescentes.
Diz Miro:
“O atual processo de outorga e de renovação das concessões, com prazo de 15 anos para as TVs e de dez anos para as rádios, é uma verdadeira caixa-preta. A sociedade não exerce qualquer controle sobre este bem público. O Congresso Nacional, que a partir da Constituição de 1988 virou co-responsável pelas concessões e renovações, não cumpre seu papel, submetendo-se à pressão e chantagem dos barões da mídia. Qualquer questionamento a estas distorções é tachado como afronte à lei da imprensa".
E dá exemplos esclarecedores:

“Até os EUA, nação badalada pela mídia servil, controlam os seus meios de comunicação de massas. A Administração Federal de Comunicações (FCC) cancelou 141 concessões de rádio e TV entre 1934 e 1987. Em 40 desses casos, ela nem esperou que expirasse o prazo da concessão. Já o governo britânico revogou a licença da OneTV, em agosto de 2006; da StarDate, em novembro de 2006; e do canal de televendas Auctionword, em dezembro de 2006. A Espanha revogou, em julho de 2005, a concessão da TV Católica. E a França cancelou a licença da TF1, em dezembro de 2005, por ela ter negado o Holocausto”. 
Miro também explica o que outros países fazem:

“Em vários países existem ouvidorias públicas para receber críticas e analisar as concessões; muitos promovem audiências sobre o tema. Em casos extremos, diante do desrespeito às leis, vários governos simplesmente revogam as concessões. A não renovação é um ato democrático, como admite a União Internacional das Telecomunicações (UIT)".
E lança suas promessas concretas:

  • Garantir transparência e participação da sociedade no processo de concessão de outorgar e nas renovações das concessões para emissoras de rádio e televisão; instituir audiências púbicas e dar publicidade ao mapeamento do atual estágio de concentração e monopolização do setor;
  • Exigir que as empresas de radiodifusão cumpram o fixado no artigo 221 da Constituição, que determina a difusão de conteúdos regionais e de produções independentes. Fixar patamares mínimos de 30% para o cumprimento desta norma constitucional e fixar normas para que a programação tenha finalidades informativas, educativas, culturais e artísticas;
  • Instituir novos critérios de outorgas e renovação de concessões para inibir a concentração e a propriedade cruzada; para fomentar a criação de novas empresas de radiodifusão; e para garantir o respeito à diversidade e pluralidade informativas;
  • Garantir a vigência do artigo 54 da Constituição, que veda que os eleitos para cargos públicos detenham concessões de radiodifusão; regulamentar a exibição de conteúdos religiosos;
  • Garantir o direito de antena, com espaços nas concessionárias públicas de horário gratuito para os movimentos sociais. Aprovação dos projetos de lei dos deputados Vicente de Paula (PT-SP) e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) de criação do horário sindical gratuito.

Limites e modelos

Os bons momentos do artigo de Alon Feuewerker, “O limite de um modelo”, publicado no Correio Braziliense de hoje:
"Na superfície, o debate sucessório deverá contrapor a mudança à continuidade. Especialmente na economia. Para ser intelectualmente honesta (coisa improvável na política), a discussão deveria lançar luz sobre uma ruptura necessária: como elevar a taxa de poupança para garantir um crescimento sustentado (não confundir com crescimento sustentável) e diversificado?"
Ruptura “necessária” que, segundo Feuerwerker, Lula não fez:
"Lula desperdiçou a maior oportunidade de um presidente brasileiro, em todos os tempos, para desvalorizar a moeda sem impactar a inflação".
E isso para que? Para superar
"O modelo brasileiro clássico: por que o esforço individual, a poupança, a busca da inovação, a conquista de mercados, se tudo pode ser mais confortavelmente resolvido recorrendo à feliz combinação entre um Estado generoso, mão de obra barata e terras agricultáveis para, literalmente, dar e vender?"
Sendo, pois,
"curioso que na História do Brasil a esquerda esteja intelectual e socialmente associada ao “industrialismo” mas que no poder tenha se acomodado alegremente ao “agrarismo” clássico da direita".

Maria da Conceição Tavares

Alguns trechos da entrevista da economista Maria da Conceição Tavares ao jornal Valor Econômico, no último domingo:
Sobre a crise: A crise ainda não passou e não deu as lições . (...) Todos os sintomas estão ainda muito embaralhados. E aí sobe a Bolsa de Valores, porque houve uma pequena bolha e o pessoal já começa a dar vivas. O desemprego também não terminou, e há muita capacidade ociosa. Então, todas as indicações que apontam para uma estagnação mais longa estão lá presentes. Não houve nenhuma mudança estrutural até agora para reverter a crise.
Situação americana: O Estado americano está fraco. Não está ativo. E está botando o dinheiro todo em cima dos bancos e também em cima do seguro social, do desemprego que subiu muito. Todo o sistema falido, ele sustentando, feito um Hércules, e não está fazendo essa coisa tomar rumo. É um estado fraco, desse ponto de vista. E isso é ruim, porque denota que o governo americano não tem realmente força. Não tem apoio, nem na sociedade, que é dilapidada pelo neoliberalismo, nem no “establishment”. (...) (Eles) não têm mais liderança nenhuma. Eles têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império.
A China: Os chineses estão tentando substituir os americanos nos investimentos em matérias-primas que eles precisam. Estão investindo em toda parte. Em petróleo, em infraestrutura na África. Aqui na América Latina estão vindo para tudo. Siderurgia, portos. Estão fazendo um movimento de expansão não pelo comércio apenas, mas principalmente via investimento direto. Isso é que é novidade.
Obama: O Obama está falando no vazio. É por isso que os conservadores prenunciam um golpe. O primeiro risco que existe é que o matem. Esse é um risco clássico nos Estados Unidos. E existe o risco de ele não se reeleger. Fico com muita pena. Ele seguramente não é o cara. Parecia, mas não é.
O dólar: Não dá ainda para tirar o dólar [de seu papel de moeda de reserva internacional]. O dólar está fraco. Os países, em geral, se pudessem, saiam do dólar. Está ruim acumular reservas em dólar. O problema é com os que já estão acumulados, como os BRICs, sobretudo a China (...) (que, com seus US$ 2 trilhões de reservas) está empacada. E os títulos americanos que ela detém servem de lastro às reservas. Ela não tem como vendê-los no mercado. (...) É um patrimônio morto.
Lula: O Lula, um gênio político, mistura de Vargas e JK, uma liderança do povo brasileiro que tem uma sorte danada, ademais de ser muito competente. (...) Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. (...) Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. (...) O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente.

Prova de vestibular da Uniban




Caricatura Uniban No blog do Onipresente, citando o Blog Boteco Sujo.

Blogs superam jornais impressos

Pesquisa Vox Populi que ouviu 2,5 mil pessoas mostra o seguinte:

  • A principal fonte de informação do brasileiro ainda é a TV com 55,9% da preferência dos entrevistados.
  • A segunda fonte já são os sites de notícias e blogs, com 20,4%.
  • Isso representa o dobro do público que se informa por jornais impressos (10,5%) e quase o triplo dos que se informam pelo rádio (7,8%).
  • Ainda há lugar para os que se informam por redes sociais (2,7%), bem a frente dos que se informam pelas versões online dos jornais (1,8%) ou por revistas impressas (0,8%).
  • Em relação à credibilidade, os sites e blogs jornalísticos também ocupam boa posição. Neste quesito, o rádio está em primeiro lugar com nota média de 8,21 e os sites e blogs jornalísticos estão um centésimo atrás com 8,20.
  • Só depois aparecem TV, 8,12, jornais online, 8,03, jornais impressos, 7,99, revistas impressas, 7,79, redes sociais, 7,74, e revistas online, 7,67.
Via blog do Rovai.


10 Blogs sobre Jornalismo digital que todo estudante de comunicação deveria ler.

Seguindo a série O que todos aluno de comunicação deveria fazer, iniciada aqui, seguem 18 sugestões de blogs que contêm técnica, dicas e utilitário para o jornalismo digital.
  1. The Innovation Journalism Blog: Blog do professor David Nordfors, do Departamento de Jornalismo da Universidade de Stanford. O asunto central é a inovação em jornalismo.
  2. Bob Stepno: Blog de Bob Stepno, que trata de jornalismo comunitário.
  3. PressThink: Blog de Jay Rosen, professora de jornalismo na Universidade de Nova Youk.
  4. Columbia Journalism Review: Excelente blog do Departamento de Jornalismo da Universidade de Columbia. Bastião da comunicação democrática nos EUA.
  5. Teaching Online Journalism: Blog sobre o ensino e o aprendizao de jpornalismo on-line.
  6. Neiman Journalism Lab: Blog que debate a qualidade do jornalismo praticado em meio on-line, com boas discusses sobre o papel da internet para o futuro da comunicação social. Neiman é professor da Universidade de Harvard.
  7. Public Journalism Network: Blog animado por Leonard Witt, monitor da cátedra Robert D. Fowler, na Kennesaw State University.
  8. Campfire Journalism: O blog dá dicas de utilitários e técnicas de redação para jornalimo digital.
  9. Andy Dickinson: O blog debate mídia digital em geral.
  10. WJEA Blog: É uma ferramenta cheia de dicas e utilitários mantida pela Associação de Educação para o Jornalisno, de Washington.

Crise no Jornalismo

A infografia seguinte, produzida pelo The New York Times, mostra a situação da imprensa escrita nos Estados Unidos.

Confecom: A lógica aburda da filiação de emissoras às grandes redes

As afiliadas da Rede Globo produzem apenas três telejornais locais, um bloco do Globo Esporte e boletins informativos. Aos sábados, a edições do telejornal se reduzem a duas e nos domingos a nada. Somando tudo, não chega a três horas das 21 horas restantes, de jornalismo semanal, geradas pela Rede Globo. E essa situação não para na quantidade de horas permitidas à programação local. Vai além, pois a afiliadas são obrigadas a manter em seus quadros ou a permitir que dele participem profissionais indicados ou vinculados à Rede Globo.
Isso pode ser visto como uma lógica de submissão, por meio da qual o contrato de filiação se constitui, antes, uma relação autoritária e centralizada que não afetam somente as relações comerciais entre duas empresas, mas toda uma sociedade, porque a exigir o predomínio se seu ponto de vista, o centralismo e o autoritarismo da Rede Globo não se dá, apenas, sobre a empresa local, mas sim sobre o modo de vida, a cultura e a dignidade de todas as populações que são obrigadas a consumir o “padrão globo de qualidade”.
Essa lógica é, na verdade, inconstitucional por dois fatores. Pelas razões já destacadas porque atente ao princípio federativo e, também, pelo fato de que a Constituição de 1988 estabelece que deva haver um mínimo de tempo necessário, na programação, ao conteúdo local. Os movimentos pela democratização da comunicação defendem que esse mínimo de tempo corresponda a, ao menos, 25% da programação, mas até hoje não foi feita a regulamentação da matéria.

09 Novembro 2009

Caetano Veloso e a violência simbólica do Brasil

Dois episódios chocantes pelo preconceito na última semana: a fala de Caetano Veloso sobre o Lula e a expulsão da aluna da Uniban por “postura indecorosa”. Somente uma sucessão de qualificativos podem descrever esses casos: preconceito, racismo, arrogância, ignorância, desrespeito. A eles acrescente-se, embora seja um caso menos chocante, o artigo do FHC, publicado na Folha de São Paulo. Menos chocante, bem entendido, porque dele já se esperava isso.
A fala de Caetano foi de uma grosseria inesperada. Não se chama ninguém de analfabeto, nem em público e nem em privado. Fazer isso é um desrespeito absurdo, para dizer o mínimo. Porque mais do que um absurdo, é uma canalhice. As condições sociais que levam alguém a ter menos estudos do que seria o desejável, para o senso comum, são condições sociais que estão, necessariamente, acima das pessoas. Há coisas que não se faz. E que, se foram feitas, não são explicáveis.
O que está ao fundo dessa fala do Caetano Veloso é o mesmo rancor das elites que não admitem que o país seja governado por um operário. E, o que é pior: que o país esteja sendo bem governado. A fala de CV traduz esse preconceito com toda a sua arrogância, com a mesma violência simbólica que só podia ter surgido numa sociedade violenta como a brasileira, com a mesma violência simbólica que resulta da escravidão e que não será resolvida, jamais, por ninguém, ou nenhum partido, que governe com o ponto de vista dessas elites.
Nelas, a ignorância é um estigma. O racismo é um atavisto. Não há chance, infelizmente, e é preciso lembrar que a essência do Brasil é, exatamente, o oposto daquela sociologia mítica e deslumbrada que apostava num povo mestiço, amoroso e cordial como a base de uma “civilização”. Crença tropicalista ingênua. Tecida para perpetuar a reprodução do sistema social brasileiro tal como ele de fato é: preconceituoso, racista, arrogante, ignorante e desrespeitoso.
Caetano Veloso traduz essa violência simbólica. Justo dizer que ele é a alma do Brasil.

O manifestante da Islândia

O espaço público da islândia não será mais o mesmo sem ele: Helgi Hóseasson. Tinha 89 anos e era uma das figuras mais conhecidas do país. Tudo começou em 1962, quando tentou “desbatizar-se”. Ali começou um combate com a igreja nacional que acabou também envolvendo o governo, partido, jornais et caterva. Não conseguiu, vejam só. Dez anos depois despejou skýr – o iogurte nacional islandês – sobre o bispo, o presidente e membros do parlamento. Foi uma vingança. Ficou muito famoso. Resolveu que, a partir de então, passaria a protestar contra o que estava errado. Foi a ´punica pessoa na Islândia, durante todos esses anos, que achou que muita coisa estava errada. A cada dia saia às ruas com um cartaz novo e acabava sempre na mesma esquina, com seu apito. De vez em quando ficava nu. Em 2003 foi realizado um documentário sobre sua vida: Mótmælandi Íslands (O Manifestante da Islândia). O Museu Nacional comprou seus cartazes, faixas e placas e vai abrir uma sala em sua homagem.


Os piores anúncios da história da publicidade 11


Coca-Cola usa açúcar sem licença ambiental na Amazônia

Thaís Brianezi, jornalista da Repórter Brasil, apurou que a empresa Agropecuária Jayoro, localizada em Presidente Figueiredo, no vizinho Amazonas, funciona desde o começo do ano sem licença ambiental. Seria até um fato banal, qu não casaria mais espanto aos amazônidas, não fossem os seus 4 mil hectares de canaviais, como também os seus 400 hectares de pés de guaraná, serem usados para produzir o xarope que dá sabor à Coca-Cola, ou seja, a fórmula misteriosa e famosa. O açúcar Jayoro também é exportado para Colômbia, Venezuela e Paraguai. A licença ambiental deveria ser emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão ambiental do governo amazonense. O motivo para que a licença não tenha sido renovada decorreria do fato de que a empresa não teria cumprido da lei de Reserva Legal, de 80% da área da propriedade, nesse caso.Via Blog do Sakamoto.

Confecon: Ainda sobre a rede pública de televisão


Ainda sobre o artigo do Miro, vale à pena destacar suas quatro propostas para a consolidação de um sistema público de maior envergadura, que dispute a hegemonia com a ditadura do setor privado. São elas:
  • Regulamentar o artigo 233 da Constituição Federal, que fixa a complementaridade dos sistemas privado, estatal e público de radiodifusão, garantindo um terço do espectro das emissoras para cada setor – a exemplo da “Lei dos Medios” recentemente aprovada na Argentina;
  • Criação de um Fundo Nacional de Fomento à Rede Pública e Comunitária, formado a partir dos recursos do Fistel, das verbas carimbadas do Orçamento da União e da taxação da receita em publicidade veiculada nas redes privadas;
  • Viabilizar que as TVs públicas e comunitárias sem transmitidas em canal aberto;
  • Garantir autonomia de gestão e financiamento para as emissoras públicas, instituindo conselhos formados por representantes eleitos da sociedade para orientar sua programação e conteúdo.

Confecon: Sobre a rede pública de televisão

Num artigo publicado em seu blog, Altamiro Borges defende a rede pública de comunicação. Alguns elementos:

  • No modelo europeu de televisão as redes públicas são sólidas. Na Alemanha, as duas redes públicas, ARD e ZDF, têm conselhos com 77 membros, que reúnem partidos e movimentos sociais.
  • Mesmo no modelo norte-americano, a rede pública, com suas duas redes, PBS e APT, têm conselhos (com 27 membros) e congregam 354 e 356 retransmissoras, respectivamente, além de gerenciarem orçamentos superiores aos US$ 2 bilhões.
  • Enquanto isso, no Brasil, a questão é resumida por Miro da seguinte forma: “O espectro eletromagnético, um bem público e finito, tornou-se um bem privado dos barões da mídia, autênticos “latifundiários do ar”. No caso da TV, o setor privado detém cerca de 80% das emissoras, 90% da audiência e 95% das receitas publicitárias”.
  • O artigo 223 da Constituição de 1988 fixou a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. Porém, nunca houve investimento público sério nos setores não comerciais.
  • A Lei da TV a Cabo, promulgada em 1995, obrigada as empresas exploradoras a reservarem cinco canais, em cada estado, para o uso do Executivo, Legislativo, Judiciário, um canal comunitário e outro universitário. Mesmo assim, eles padecem da falta de recursos.
  • Leia na íntegra aqui.

20 anos da queda do muro

A queda do muro de Berlim no Obvious:


O muro

Há vinte anos precisos

A princípio era um dia como este aqui, e era um muro como qualquer outro. Há vinte anos, por uma dessas coincidências improváveis, eu estava aguardando o início de uma palestra sobre a situação política da Alemanha, a ser ministrada por alemães, no auditório da reitoria da UFPA. Seria às seis da tarde, e desde as cinco eu estava esperando, batendo papo na beira do rio Guamá com três amigos, Potiara, Jorane e o Rui Rothe, de ascendência alemã, que havia chegado há pouco de um ano vivendo por lá e que nos descrevia algumas cenas interessantes. Porém, a palestra se atrasava. As pessoas que vieram assisti-la aguardavam entre a beira do rio e a escada do prédio da reitoria. A Casa de Estudos Germânicos, pólo cultural ativo da vida universitária, estava por lá em peso. Mas a coisa demorava para começar e ninguém dava explicações. O que não sabíamos é que o muro tinha caído... De repente, a notícia de que algo acontecera começou a se espalhar. Alguns murmuravam, especulando sobre a queda do regime na Alemanha Oriental, mas tudo era tão insólito e inesperado que parecia, a todos, algo inverossímil. De repente, os alemães chegaram. Já era quase oito da noite. Todos entraram no auditório e alguém fez uma apresentação muito rápida, dizendo que eles, os alemães, somente eles, poderiam dizer o que estava acontecendo. Eram três pessoas, os alemães. Uma moça alta e esguia, muito loira, tomou a palavra e disse que era, para eles, um momento especial. Ela abriu a bolsa e retirou um pequeno martelo. Então, disse que, naquele momento, milhares de pessoas estavam sobre o mítico muro quebrando-lhe a existência a marteladas. E, romântica e etérea, nos disse que as pessoas afluíam em massa, levando de casa seus pequenos martelos, para botar abaixo o muro. Ela estava emocionada. Os três convidados falaram sobre o significado do evento em suas vidas pessoais. Ninguém era capaz, naquele momento, de fazer uma análise coerente do fato histórico, mas todos podiam falar sobre o impacto do muro, bem como de sua destruição, em suas vidas. Eu prosseguia atônito. Naqueles dias tinha-se impressão de que a história era uma matéria viva, feita de fatos oleosos, transpirantes e sanguíneos.

Prefeitura tugas

O Diário do Pará de ontem resume perfeitamente a política da Prefeitura de Belém: vender a cidade. Uma política que vai muito além da idéia de privatizar a Saaeb, porque, na verdade, o que essa gente chama, para efeitos de seus sentidos, de sua mídia e de seu discurso político de privatizar significa, na verdade, patrimonializar. Ou seja, transformar o bem público em bem privado, não necessariamente das pessoas que ocupam os cargos públicos, mas, necessariamente, de pessoas afins, politicamente próximas. Esse é o grande mal da política tuga que se pratica no Pará: não se foi liberal ou neoliberal por princípio, ideologia ou coerência, mas sim porque o discurso liberal ou neoliberal serviu como uma luva para acomodar e dissimular os interesses privados de gente tuga e de partidos tugas.