10 fevereiro 2016

Diálogos entre Antropologia e Comunicação: o conceito de intersubjetividade nas duas disciplinas.

Amanhã, no Goeldi: SEMINÁRIO INTERDIÁLOGOS

Diálogos entre Antropologia e Comunicação: o conceito de intersubjetividade nas duas disciplinas. 
com Fábio Fonseca de Castro

O seminário mensal promovido pelo Laboratório de Antropologia dos Meios Aquáticos do Museu Paraense Emílio Goeldi Interdiálogos recebe o Prof. Dr. Fábio Fonseca de Castro, coordenador do grupo de pesquisa Fenomenologia da Cultura e da Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA, que irá falar das proximidades e das afinidades entre a Comunicação e a Antropologia, da noção de intersubjetividade na duas disciplinas e sobre as proximidades entre a prática etnográfica e fenomenologia hermenêutica, ponto de convergência entre autores como Taussig, Rabinov, Dening, Rosaldo, Marcus, Price e outros. 

Amanhã (11/02), às 9h30, na sala 10 (Anexo do Auditório Paulo Cavalcante), no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi.

28 janeiro 2016

Sobre Christiane Taubira

“As vezes, resistir significa ficar. E as vezes significa partir. Por fidelidade a si mesmo”. Foi com esse tweet que Christiane Taubira, ministra da justiça da França, anunciou que saia do governo, que deixava o gabinete do primeiro-ministro Manuel Vals e, portanto, o governo Hollande.

Taubira era a fiadora do governo Hollande. A caução socialista de um governo que prometeu ser socialista e não saiu do centro. Somente por causa dela, moralmente falando, o governo Hollande continuava sendo de esquerda.

Sou seu fã. Mais um, porque há muitos. Acompanhei seu ministério com curiosidade e até mesmo com encantamento. É raro fazer política como ela faz: com extrema sinceridade e simplicidade. E evidentemente com fidelidade, tal como ela coloca no tweet.

Nascida na Guiana Francesa, aqui ao lado, foi eleita para a Assembleia Nacional francesa, pelo Partido Socialista em 1993 e, em seguida, deputada ao Parlamento Europeu. Sem que a pauta estivesse combinada com ninguém, iniciou uma campanha para fazer a Europa reconhecer a escravidão, que perpetrou durante séculos, como crime contra a Humanidade. A proposta estava destinada ao fracasso, em meio a um parlamento conservador e à acusação de proselitismo politico feita pela grande mídia, mas a opinião pública de todo o continente se mobilizou a seu favor – sobretudo nos países que mais escravizaram, inclusive Portugal - e o resultado foi histórico: sua moção acabou sendo aprovada, levando a uma enxurrada de reconhecimentos de responsabilidade por países, governos e instituições. 

Sempre cobrando, à esquerda, a fidelidade a seus compromissos históricos, acabou sendo acusada de ser a responsável pela derrota de François Jospin nas presidenciais de 2002, mas se tornou um dos braços fortes da campanha de Ségolèlene Royal na campanha de 2007. Foi nomeada ministra da justiça de François Hollande – ou  melhor, Garde des Sceaux, como esse cargo é tratado na linguagem quotidiana – e acabou se tornando a melhor face do seu governo. Foi a autora e a defensora do projeto de lei do casamento homosexual (ou, como ela mesma colocou, provando sua capacidade de simpliciar as coisas, o “casamento para todos”), que acabou se tornando a principal marca do governo Hollande. Nessa batalha, houve momentos memoráveis na forma de debates parlamentares, sempre marcados pela coragem e pelo bom humor.

O que a fez demitir-se foi o confronto de longa duração com o atual primeiro ministro, Manuel Vals, provável candidato socialista nas próximas eleições e que pode ser tudo, menos, de fato, um socialista. A gota d’água é o debate em curso em torno da lei que prevê a “perda de nacionalidade”, uma bizarrice ridícula que, inconcebivelmente, os socialistas de Vals tentam aprovar no Congresso.

Ninguém com bom senso pode ser favorável a uma lei que prevê a “perda de nacionalidade” e a coisa, com efeito, soa ainda mais bizarra num governo que tem uma pessoa do porte de Christiane Taubira como ministra “da justiça”.


Reproduzo alguns videos de Taubira no parlamento, sempre com suas marcas: coragem, bom humor, ironia, empatia:






20 janeiro 2016

Eleições para a reitoria da UFPA começam muito mal

Há alguns dias todo o corpo docente da UFPA foi surpreendido por um questionário eletrônico não identificado contendo uma pesquisa de intenção de voto para a sucessão da atual reitoria. Gostaria de manifestar minha indignação com esse questionário e com a maneira como ele foi feito: utilizando o mailing da instituição (ao qual poucas pessoas têm acesso), sem nenhuma identificação de autoria e sem indicação de metodologia. Ou seja, como um subterfúgio espúrio de algum interesse eleitoral que procura se dissimular em vez de participar, de maneira democrática e honesta, do processo sucessório. Pior: provavelmente, mais do que uma pesquisa de intenção de voto, trata-se de um mecanismo para identificar quem pretende votar em quem, pois o sistema utilizado no questionário permite a identificação de cada pessoa que o responda. Uma vantagem eleitoral obtida de maneira desleal, que leva ao constrangimento de sujeitos político legítimos e a acordos pontuais, traindo o princípio democrático do debate e da construção coletiva. Esse tipo de atitude corresponde à esfera da baixa política, inadmissível numa universidade pública. Penso que o processo de escolha do próximo reitor da UFPA deva ser transparente. A UFPA merece uma eleição honesta. Os candidatos devem se apresentar de cara limpa, sem máscaras, sem artifício e sem subterfúgios. Os candidatos que porventura ocupem cargos de gestão ou chefia não devem recorrer a instrumentos ou recursos da instituição para fazer sua campanha ou para fazer sondagens dessa natureza. Estou profundamente indignado com esse tipo de atitude e lamento que, em plena universidade pública, haja pessoas que recorrem a práticas tão simplórias de manipulação.
Prof. Fábio Fonseca de Castro, Facom/Ppgcom