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Mostrando postagens com o rótulo Sociologia do cotidiano

Contra os "perversos"

É verão na China. As grandes cidades de lá, como sempre, começam a assar, num calor que tenta as pessoas a tirarem (um pouco das) roupas. A cada ano esse fenômeno vai ficando mais "grave". A ponto de motivar uma companhia, que administra três linhas de metrô de Shangai, a colocar um aviso na sua conta Sina Weibo (a principal rede social do país), um anúncio meio problemático... mostrando a imagem seguinte acompanhada pelos seguintes dizeres: " No metrô, seria difícil não ser  molestada quando se veste uma roupa como esta. Os perversos são relativamente numerosos. Moçcas: para evitar problemas, vistam-se direito, por favor!". Vejam a foto: Péssima idéia, é claro. Muita bobagem para apenas três linhas de metrô. Duas mocinhas chinesas concordaram com isso e decidiram promover uma série de "happenings" artísticos. Fotografaram-se - da maneira seguinte - segurando uma pequena lousa onde está escrito: "Nós queremos menos calor, não os perversos...

Exigências

A tradição literária à qual se filiam as cartas de suicidários constitui um objeto interdisciplinar que eu gostaria de compreender melhor. Seria uma forma de usar Durkheim nos estudos literários. E de usar a teoria literária na antropologia dos ritos. Será que alguém não queria escrever esse trabalho? Eu me inscrevo para orientar.

Uma surpresa "dramática", num bairro tranquilo

A placa dizia: Aperte o botão para um pouco de drama . Uma publicidade acting .

Microsociologias: uma parada de ônibus na Finlândia, façam a fila e respeitem o espaço alheio

Parece que o Batman virou tucano!

No mês passado a editora Panini Comics colocou no mercado a revista Batman 98. Nela, a Panini traduziu o termo inglês "nasty", usado pra se referir a um bandido, como "petralha". Naturalmente, em um gibi traduzido, a palavra gerou estranhamento: com toda a certeza não estava assim no original! O fórum Multiverso DC trouxe em todos os detalhes esta presepada da Panini: Politicagem em HQs: A Panini é Tucana? O termo "petralha" foi cunhado pelo "jornalista" Reinaldo Azevedo como forma de atacar ao PT nas malfadadas páginas da revista Veja.   Após a polêmica instalada, o editor da Panini veio a público admitir o erro , no entanto, a suas justificativas não resolveram nada, pelo contrário, explicita que a escolha do termo não teve nada de "aleatória" como ele tenta dizer. Via blog Aldeia Gaulesa .

Constatação heideggeriana

"Eu perdi para o meu corpo. Esse foi o momento de parar". A frase, ao mesmo tempo que simples e ingênua, tem também sua complexidade. Como se sabe, foi enunciada pelo jogador Ronaldo, o Fenômeno, ontem, quando anunciou que encerrava sua carreira como jogador profissional de futebol. Ocorre que todos nós, em algum momento - senão em vários, e até mesmo diariamente - acabamos perdendo para nossos corpos. Reside aí o enigma heideggeriano do dasein, o ser-aí, condição existencial fundadora do que somos e único espaço para superar a suposição metafísica de que há outro de nós num mundo etéreo. Eu, por exemplo, vou agora me levantar e marcar consulta no meu oculista.

Quando templo é dinheiro

Segue por aqui um relato interessante sobre como dois jornalistas, no curso de uma reportagem, abriram uma igreja evangélica. Precisaram pagar apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis para abrir a Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélho. Tiraram CNPJ, abriram conta em banco e puderam fazer aplicações financeiras isentas de IR e IOF.  Incrível mas verdade. E tem mais, os benefícios fiscais do "negócio de Cristo" são muitos: nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, igrejas não pagam IPVA, IPTU, ISS, ITR. E também há vantagens extratributárias. Os templos podem escolher como quiserem seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório e direito a prisão especial. Para completar, eis ...

10 reflexões que todo estudante de jornalismo deveria fazer

1. Reflita sobre o futuro dos cursos de comunicação e jornalismo após de desobrigação do diploma. 2. Reflita sobre a diferença entre todos aqueles valores éticos que você pretende acreditar, atualmente, e a prática real das empresas de comunicação. Converse com quem está no mercado sobre isso e perceba as entrelinhas do que essa pessoa vai lhe dizer. 3. Perceba como o conteúdo de um curso de comunicação é insuficiente para que você possa fazer uma análise, mesmo básica, da complexidade social. Encontre alternativas sérias para superar essa sua deficiência básica. Pense seriamente em fazer uma outra graduação, em sociologia, antropologia ou ciências políticas para voltar a trabalhar com jornalismo. 4. Imagine a parte da declaração de bens, na sua declaração de Imposto de Renda, no futuro. Reflita se poderá lhe fazer falta constatar a ausência de grandes coisas a declarar. 5. Considere suas fraquezas sentimentais. Indague-se se você está preparado para passar a vida sentindo uma sen...

A entrevista com Maffesoli

Pode-se fundar, ou pelo menos legitimar a posteriori um poder institucional sobre o ”ridículo”? Crê que se esteja assistindo a novas formas de “saturação” do discurso político através de um jogo por baixo onde não se compreende mais onde esteja a mídia e onde a mensagem, qual o meio e qual o fim? Retenho que não se possam compreender adequadamente as grandes características da pós-modernidade a não ser considerando e recorrendo à comparação com as manifestações pré-modernas. A teatralização do político é, de fato, algo que se atém de modo particular à sensibilidade mediterrânea e realiza regularmente um retorno na história e nas vivências humanas: pensemos em Calígula, em Heliogábalo, na festa da deusa Razão durante a Revolução francesa, nos milhares de cerimônias inúteis e de ritos profanos que tem circundado ou circundam a nossa vida. Poderemos recordar-nos, a tal propósito, da fórmula do bom velho Marx, segundo quem toda coisa que se apresenta na nobre forma da tragédia é destinada,...

Sobre a Caixa de Criadores

O blog nunca fez incursões no mundo da moda. Não entendo do assunto e devo dizer que sou do tipo que gosta do colarinho bem engomado e das placas tectônicas bem calminhas no seu lugar. Porém, na segunda-feira passada fui ao desfile da Caixa de Criadores. Há muito tempo considero a Caixa C uma iniciativa admirável, e então, acho que devia essa visita. E gostaria de falar um pouco sobre o que vi. Como disse, não estou bem posicionado para falar sobre moda e não falarei. Ocorre que não houve como não perceber as relações sociais que vão se sedimentando em torno do evento e da moda local. E quando falo em relações sociais não estou me referindo, exclusivamente, às práticas do mercado, exclusivamente, mas sim do conjunto das práticas simbólicas que envolvem essa atividade. A Caixa C já criou, claramente, um campo social. Um campo formado por estilistas, produtores, modelos, vendedores, estudantes de moda, fotógrafos, jornalistas e público-fiel, etc. Dá para perceber a rede de interações que...

Sociologias do cotidiano 2

Primeiramente, um mapa de Nova York, com seus cinco grandes distritos e suas divisões em bairros.       As cores indicam, como se vê nas legendas, o rendimento familiar médio: De menos de 25 mil dólares / ano (o verda mais escuro, quase azul) a mais de 70 mil / ano (o verde mais claro, quase amarelo). Agora, vejam outro mapa, que representa a quantidade de áreas de lazer, praças e playgrouns em NY:               Ok. Agora, um terceiro mapa, que superpõe os dois mapas anteriores. O resultado mostra que a maioria das áreas de lazer se concentram nas áreas onde moram as famílias com menor rendimento. Isso chama-se política social. É importante para conter a violência doméstica e social, bem como para melhorar os índices de saúde pública, IDH, etc. E que tal se projetarmos sobre Belém? Bem, já fizemos, várias vezes. A concentração de áreas de lazer, praçaz e equipamentos congêneres está nos bairros de Nazaré...

Sociologias do cotidiano 1

O The New York Times publicou aqui um estudo dos sociólogos norte-americanos Neil Gross e Ethan Fosse que mostra o perfil ideológico de algumas profissões. De acordo com o perfil, as categorias estão mais à esquerda ou mais à direita. O resultado foi o seguinte: Não hesito em fazer, imodestamente, observações pessoais: sendo eu mesmo professor, jornalista, cientista social e, digamos, um criativo não necessariamente artista, ou seja, pertencendo eu às quatro categorias mais à gauche no quadro, meu percentual bateria algum recorde...