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Mostrando postagens com o rótulo Política Internacional Reino Unido

6 notas rápidas para entender o Brexit

1. Vários motivos fundamentam o Brexit. Em primeiro lugar o espírito conservador, que grassa no ocidente de maneira assustadora e que engendrou o populismo britânico atual – agente central do Brexit. Mas esse populismo conservador não é sem razão. A União Europeia tem dado motivos para muita gente querer sair dela. Dentre esses motivos, é central a arrogância da Alemanha, personificada na figura do seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, que vem impedindo até mesmo a discussão de um plano de recuperação econômica por meio de Eurobonds. Essa possibilidade dinamizaria as economias da França e do Reino Unido e salvaria Portugal, Espanha e Itália, mas não é de interesse alemão.   A injeção de Eurobonds emitidos por governos dos estados europeus no mercado mundial ajudaria a reciclar os excedentes globais e, em consequência, geraria o crescimento do consumo e do emprego no continente. 2. Dentre os resultados do Brexit, há algumas questões geopolíticas a considerar. A prim...

Britânicos só não invadiram 22 países no mundo

Vejam que curiosa esta informação do Daily Telegraph: apenas 22 país no mundo contemporâneo não foram, em algum momento da sua história, invadidos pelo Império Britânico. Dentre eles, alguns são de "invasão" improvável, como o caso dos micro-estados do Vaticano, Andorra, Liechtenstein, Luxemburgo, San Marino e Mônaco. Outros, estão, digamos assim, "tão no centro" dos continentes, sem saída para o mar, que a invasão seria igualmente improvável, como é o caso da Mongólia, da Bolívia, do Mali e do Chad, além dos Quirguistão. Outros, me parecem, tiveram "sorte", como a Guatemala e a Suécia. Vejam a matéria aqui:  British have invaded nine out of ten countries - so look out Luxembourg

#Londonriot

Como virou costume, a rebelião de Londres foi mediatizada (e mediada) pela internet. Sob a hastag #prayforlondon, tuiteiros fizeram com que o tema fosse um dos mais comentados pela rede mundial neste terceiro dia de protestos. A hashtag #Londonriot também entrou para os Trending Topics do Twitter, e foi usada para comentar o assunto. Além disso, os incêndios de ganharam ícones e marcação no Google Maps. Veja em http://bit.ly/qdtgUd .

Considerações sobre os incêndios de Londres

Tottenham, Hackney, Enfield e Brixton são bairros menos privilegiados de Londres. Acumulam um índice elevado de desemprego e uma pirâmide social larga no números de jovens. Esses bairros centralizaram – e depois canalizaram – a explosão de violência da semana passada. Tudo começou quando Mark Duggan, um jovem pai de família, negro, desempregado, foi morto a tiros pela policia londrina. Uma cena de abuso de poder evidente. A policia alegou que Duggan trocou tiros ao receber voz de prisão. Testemunhas dizem o contrario, o que é corroborado pelo fato de que Duggan não possuía, e jamais utilizou, armas de fogo. Seguiu-se uma onda de violência popular que se espalhou por diversas áreas da cidade, como Lewisham (sudeste de Londres) Peckham, Croydon, Clapham (sul) e Ealing (oeste). E que chegou a Oxford Circus, o centro rico e turístico de Londres. Tudo lembra muito os acontecimentos de Paris de 2005, quando dois adolescentes muçulmanos (Bouna Traore, 15 anos, e Zyed Benna,...

Sobre o novo trabalhismo inglês

Li hoje um ótimo artigo sobre a renovação do trabalhismo inglês através da liderança de Ed Miliband. O texto é do jornalista Luis Eça e foi publicado no Correio da Cidadania . Começa assim: Em 1900, o movimento sindical inglês e os partidos socialistas do país fundaram o Partido Trabalhista, lançando a candidatura para o parlamento de representantes da classe operária. Em sua cláusula 4, o manifesto original do partido defendia a socialização das indústrias básicas, a intervenção do governo na economia, a redistribuição da riqueza, a ampliação dos direitos dos operários e educação e saúde públicas estatais. O partido cresceu, participou de coligações e, no fim da 2ª. Grande Guerra, chegou ao poder com força suficiente para realizar seus ideais socialistas. Assim, entre 1945 e1950, no governo trabalhista de Clement Attlee, foram estatizados o Banco da Inglaterra, as minas de carvão, a siderurgia, as indústrias elétricas, de gás e os transportes. Implantou-se o estado de "bem estar ...

Eleições no Reino Unido 9

O Novo Trabalhismo inglês, sob uma perspectiva histórica, pode ser visto como a construção de um lugar político sem identidade social. Trata-se de uma espécie de concessão relativa ao programa neo-liberal.  Afinal, qual a grande diferença entre a geração neoliberal de Tatcher e John Major e a geração do Novo Trabalhismo, de Blair, Brown e Giddens? O desmonte das políticas do “estado do bem-estar”, feita por Tatcher, pode não ter sido aprofundado, mas não foi revertido. Não que a política básica do “velho” trabalhismo inglês fosse centrada na idéia do bem-estar social, mas ele surgia como uma conquista de todos.  A base teórica do Novo Trabalhismo, a noção de “terceira via”, é uma espécie de discurso vazio feito por uma esquerda que abriu mão da política e dos seus compromissos históricos para se entregar ao rentismo globalizado – o mercado financeiro - que terminou na crise das sub primes. Uma “terceira via” bem mais para terceira do que para via.

Eleições no Reino Unido 8

Há muito tempo a esquerda inglesa já não existia. A chamada “Terceira Via” nunca foi mais do que uma concessão eleitoral, ou uma estratégia publicitária, se quiserem. A prova, em síntese, de que há uma diferença enorme entre marketing político e marketing eleitoral. Chico Cavalcante explica essa diferença. Enquanto marketing eleitoral é a simples publicidade das ações de governo, o marketing político é o comprometimento real com a construção de um posicionamento crítico, democrático e construtivo. Há governos que fazem marketing eleitoral e há governos que fazem marketing político. Os primeiros poderem durar alguns anos, mas não mudam profundamente a sociedade. Os segundos vão à fundo. Conquistam a sociedade. Trabalham com a verdade. Formam a sociedade. O neo-trabalhismo inglês fez marketing eleitoral. Abandonou seus princípios, suas heranças à esquerda, para “comunicar” melhor. O resultado foi um sucesso relativo: 13 anos no poder, mas ao custo de desarticular o trabalhismo, destruir...

Eleições no Reino Unido 7

O que representa a derrota dos trabalhistas? Muito simples: o sepultamento de algo que já estava morto. O enterro do "Novo Trabalhismo" de Tony Blair, com seu braço teórico: a "terceira via" de Antony Giddens. Não perdemos nada. Ganhamos. Ganhamos a possibilidade de superar uma teoria política equivocada e que negou os valores sociais e humanistas da esquerda. Algo que ficou desmoralizado quando Blair fez o jogo torpe dos republicanos norte-americanos e converteu o país na segunda força de invasão do Iraque - além de, com grande cinismo, dizer que  não havia "dúvidas" de que o Iraque possuía armas químicas e nucleares.

Eleições no Reino Unido 7

O trabalhista Gordon Brown, atual primeiro-ministro, renunciou à presidência do Labour. A rede Record disse que o fato indica uma coligação entre os conservadores de David Cameron e os liberais democratas de Nick Clegg. A rede Globo, agora há pouco, foi mais esperta. Disse que sua renúncia é uma cartada final dos trabalhistas: entregar seu principal nome (e mais algumas fichas políticas) para tentar viabilizar uma aliança com os Lib-dems. Ainda que o líder liberal democrata tenha declarado que prefere formar uma aliança com os conservadores, já que eles tiveram maior número de votos, nada indica, definitivamente, que seja o fim do reinado trabalhista. Afinal, a compensação política de Clegg será, em qualquer um dos casos, a sonhada reforma eleitoral do lib-dems.

Eleições no Reino Unido 6

A surpresa das eleições britânicas foram a não surpresa da "surpresa" liberal-democrata. Explicando: Todos esperavam que o "terceiro partido", fora do poder desde 1916, alcançasse um lugar proeminente nesta eleições. Foi a "surpresa" anunciada. O cabeça do partido, Nick Clegg, como foi dito abundantemente pela mídia "devorou" os adversários nos debates televisivos e se constituiu, na campanha, como a única novidade de um cenário eleitoral monótono e previsível. No entanto, enquanto algumas pesquisas lhe davam uma possibilidade de chegar a 34% do legislativo, o partido Liberal Democrata só alcançou 23%. Por quê? Por causa da posição dos Lib-debs quanto à imigração. O partido propôs a anistia aos imigrantes ilegais. Os adversários concentraram seus ataques a Clegg nesse assunto, durante o segundo e no terceiro debates. O fato é que essa questão tem, na Europa, uma dimensão quase metafísica cujo oposto é o que pensam os Araweté (vide o livro, assim ...

Eleições no Reino Unido 6

Bem, acabou. Sem novidades, ao que parece. As últimas sondagens estão aqui, no muito atento Pollster.com . Não tenho muito a haver com isso, mas preocupa-me o que vai dar por Hammersmith. E vai dar conservatives, infelizmente. Razões pessoais, projetos a caminho. O resultado sai amanhã e tudo prossegue muito sem estímulo.

Eleições no Reino Unido 5

Este ano o Parlamento do Reio Unido terá 650 cadeiras. Para continuarem no poder, os trabalhistas podem perder até 23, das 356 que conquistaram em 2005. Por sua vez, para retornarem ao poder após 13 anos, os conservadores precisam conquistar 116 cadeiras, além das 198 que obtiveram em 2005. Enfim, o terceiro partido do país, os liberais democratas irão precisar ganhar mais 254 cadeiras, além das suas 62 atuais. Todas as pesquisas indicam o cenário de um “parlamento truncado”, ou seja, de uma assembléia dividida. Se ninguém tem a maioria, é preciso formar alianças para formar um governo. Isso é mais provável de acontecer unindo os trabalhistas com os liberais democratas.

Eleições no Reino Unido 4

Ainda sobre as britânicas, uma observação sobre a projeção de cenários e avaliação de peswquisas. Anthony Wells é um especialista em cenários eleitorais e leitura de pesquisas. Trabalha na empresa YouGov e é um dos autores do blog  UK Polling Report . Tenho acompanhado seus escritos sobre o processo eleitoral em curso no Reino Unido – por exemplo, aqui ,  aqui ,  aqui , aqui  e  aqui e aprendido com ele umas coisas interessantes. Em tempos em que as sondagens brasileiras sobre as sucessões de 2010 começam a pipocar, alguns temas há a levar em consideração: Parece ser um consenso, entre mídias e analistas de pesquisas, que as discrepâncias entre os resultados dos diversos institutos decorre de house effects , ou seja, diferença metodológica, sistematicamente relacionadas com os resultados obtidos. No entanto, é preciso considerar variáveis que não pesam, normalmente, sobre as pesquisas nacionais e que estão fazendo toda a diferença nas pesquisas britânicas. Dent...

Eleições no Reino Unido 3

Na verdade, as eleições britânicas de hoje parecem reproduzir o cenário eleitoral de 1974. Nesse ano, o governo conservador liderado por Edward Heath enfrentou as famosas greves trabalhistas e em particular o sindicato dos carvoeiros. Porém, os trabalhistas não foram capazes de construir uma alternativa política real e os liberais, como sempre, foram o fiel da balança. Heath ensaiou uma aliança com os liberais, prometendo em troca uma reforma do sistema político do país e por pouco essa aliança não deu certo. O que se vê hoje é quase o mesmo cenário: Brown acabou de cortejar os liberais democratas prometendo-lhes uma reforma constitucional que vai lhes trazer grandes vantagens eleitorais no futuro. Neste momento tudo pode ser prometido e até mesmo acontecer. 

Eleições no Reino Unido 2

As eleições britânicas, aliás, costumam anunciar coisas novas. Nos anos 60 o país cresceu ao ritmo do keynesianismo, que parecia dar prosperidade a todos e injetar rock no coração das pessoas. No entanto, em 1974, estourava por lá uma crise política sem precedentes. Uma crise causada, justamente, pelo keynesianismo, que levava a uma constante expansão fiscal sem nenhuma forma de contração monetária paralela. Os impasses políticos duraram até 1979, quando o furacão neo-liberal Margaret Tatcher começou a varrer o país.

Eleições no Reino Unido 1

Se as placas tectônicas do cenário partidário britânico vão se mover ou não, só no fim da noite saberemos. Porém, com as eleições de hoje, já se sabe que muita coisa muda:  No campo da política, a falência do modelo do Novo Trabalhismo, particularmente a superação da sua falta de compromisso com uma regulação social mais precisa.  No campo da mídia, a procura de modelos eleitorais mais simpáticos e acessíveis, pois se Gordon Brown permaneceu sisudo e com ar de poucos amigos durante toda a campanha, os conservadores desafivelaram as abotoaduras reluzentes e encontraram candidatos novos – embora até demais.  E isso sem falar em Nick Clegg , que aos 43 anos ressuscitou o antigo e esquecido Partido Liberal Democrata para leva-lo a uma condição política decisiva. Na verdade, os principais blogs e sites políticos britânicos apontam uma vitória eleitoral conservadora, o que não significa, necessariamente, uma vitória política conservadora. De acordo com o site Politics Home vão...

Enquanto isso na bat-Inglaterra...

Há algo de estranho no reino da Grã-Bretanha. O país está mal, tem o pior índice econômico do G-8 e foi o último desses “ 8” a sair da recessão. Gordon Brown, o porimeiro-ministro trabalhista, é terrivelmente impopular e particularmente inábil. Porém, a estrela em ascenção, David Cameron, líder dos Tories no parlamento, começou a entrar numa reta de comiseração que faz com que, apesar de todas as expectativas, Brown ressuscite. A política tem mistérios ergonômicos. Melhor, talvez, silenciar a respeito.