O Novo Trabalhismo inglês, sob uma perspectiva histórica, pode ser visto como a construção de um lugar político sem identidade social. Trata-se de uma espécie de concessão relativa ao programa neo-liberal. Afinal, qual a grande diferença entre a geração neoliberal de Tatcher e John Major e a geração do Novo Trabalhismo, de Blair, Brown e Giddens? O desmonte das políticas do “estado do bem-estar”, feita por Tatcher, pode não ter sido aprofundado, mas não foi revertido. Não que a política básica do “velho” trabalhismo inglês fosse centrada na idéia do bem-estar social, mas ele surgia como uma conquista de todos. A base teórica do Novo Trabalhismo, a noção de “terceira via”, é uma espécie de discurso vazio feito por uma esquerda que abriu mão da política e dos seus compromissos históricos para se entregar ao rentismo globalizado – o mercado financeiro - que terminou na crise das sub primes. Uma “terceira via” bem mais para terceira do que para via.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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