Ossos do ofício Felipe Horácio-Castro Desculpem pela ausência. Forçada, à causa do trabalho, porque o trabalho me tirou de Lisboa por alguns dias. Sabem, como está escrito aí ao lado nessa minha apresentação de mim, ganho a vida como restaurador. Sei que há qualquer coisa de estranho em ser restaurador. A começar que tal coisa não parece ser profissão, mas diletantismo de artista frustrado que, não podendo pintar, restaura o que os outros pintaram. Bem, não é nada disso. Nunca quis ser artista e, em conseqüência, jamais frustei-me por não sê-lo. Além do mais, não sou restaurador de pinturas, mas de metais, sim, coisa mais estranha ainda, não é? Ok. Acontece que no velho mundo andaram fazendo muitas coisas em metal, de relicários a coroas de Cristo, de cabos de bengala a gradis de palácios episcopais. A Igreja, essa então, como um ímã, se atraiu sempre por metais. E como a Igreja pobre não é, muito há sempre o que fazer, de maneira que é possível ganhar a vida restaurando metais. A prof...