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Mostrando postagens com o rótulo Governo Bolsonaro

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

Uma nota sobre o cínico pronunciamento do general Mourão

Ótimo ele reconhecer, ainda que indiretamente, que o país foi levado ao caos, mas dizer que os responsáveis por tudo o que ocorreu, nos últimos quatro anos foram os parlamentares, o Executivo e o Judiciário, que « não se entenderam » e dizer que as Forças Armadas estão pagando a conta por isso é absurdo. Ora, as Forças Armadas tiveram 8 mil cargos na gestão executiva do país, ele próprio foi vice-presidente, receberam todo apoio, desde recomposição salarial até pretígio simbólico! Na minha opinião, mais do que o Inominável e do que o bolsonarismo, o que levou o país ao caos foram, justamente, as Forças Armadas, seja por incompetência de gestão, seja por inação, seja por se prestarem a esse papel ridículo de fazerem parte de governo.

Uma crônica (netnográfica) do bolsonarismo no 7 de setembro

O que faz uma pessoa sair às ruas para apoiar Bolsonaro? Dou uma olhada no meu Instagram e encontro algumas respostas. Imagens, frases e hashtags de pessoas que conheço, que foram à manifestação bolsonarista do 7 de setembro, traduzem disposições e disponibilidades que me ajudam a responder essa questão. Ou, ao menos, a cotejar algumas hipóteses.  Meio de brincadeira, mas falando muito sério (meio cronicando, mas também etnografando), vou vendo as imagens e identificando, inventariando, alguns tipos humanos bolsonaristas que encontro nas fotos:  “O eterno herdeiro” – Já na quarentena (de idade) ou mesmo na cinquentena, sabe que vai herdar a empresa do pai, ou seu patrimônio rentista, tanto faz. Bate ponto nessa empresa, finge que trabalha. Felizmente a empresa tem gestores, que fazem o trabalho real. Inseguro de sua posição tardia, precisa dar sinais do que entende como sendo “uma opinião madura e responsável” para se fazer respeitar pela própria família e por seu pai. E é com...

Por que o 7 de Setembro foi muito mal para Bolsonaro

Muitos de nós fomos dormir preocupados com a possibilidade de um transbordo da violência bolsonarista neste 7 de setembro. O receio de um golpe e as imagens dessa gente ocupando a Esplanada dos Ministérios, ontem à noite, com a leniência da polícia militar, assustaram. Porém, o dia acaba evidenciando que tanto Bolsonaro como o bolsonarismo saíram enfraquecidos. Tão pífio como o desfile patético dos tanques-calhambeques da Marinha, semanas atrás, foram as ridículas manifestações de hoje.  Primeiro, pela quantidade dos manifestantes em relação à expectativa. A manifestação de São Paulo ficou aquém da expectativa dos bolsonaristas, que seria de 2 milhões de pessoas. A manifestação de Brasília foi pífia, com 40 mil participantes, se muito.  Segundo, pelo desperdício do investimento. Os apoiadores gastaram muito dinheiro para “mostrar força”. E todos sabemos que muita gente estava sendo paga, como figurantes, com direito a hotel, comida e viagem de ônibus interestadual. Fica a perg...

Ninguém e nada, sobretudo o capital, acredita em Bolsonaro

Ninguém e nada, sobretudo o capital, acredita em Bolsonaro.  Há um indicador econômico pouco referido, os dados das declarações de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE). Atualizado anualmente – o último fechamento de dados foi concluído a 1º de junho de 2020, referente ao ano de 2019 – esse indicador foi, em muito silêncio divulgado, recentemente, pelo banco Central.  Os números são impressionantes: indicam que os brasileiros possuem US$ 529 bilhões em bens no exterior, o maior índice de todos os tempos, a maior fuga de dinheiro do país de todos os tempos. A maior parte desse volume, no valor de US$ 416 bilhões, refere-se a investimentos brasileiros, produzidos pela ação de empresas – dinheiro que normalmente não é repatriado.  O restante divide-se em operações financeiras (US$ 47 bilhões); derivativos (US$ 1,7 bilhão); imóveis (US$ 6,9 bilhões) e moeda viva ou depósitos em bancos (US$ 29,5 bilhões).  Na época Bolsonaro o dinheiro dos ricos tem um destino certo e um...

Genocidas, sim

A declaração de Gilmar Mendes afirmando que o Exército está se associando ao genocídio provocado pelo governo Bolsonaro com sua inoperância no combate à Covid 19, provocou uma crise interna – talvez de consciência, mas supostamente apenas de brios machucados – nas Forças Armadas. Militares no governo, indignados, começaram a escalar – sem necessidade – uma crise política. O que Gilmar Mendes falou, durante uma “live” no sábado à noite, foi, precisamente, o seguinte: “Não é aceitável que se tenha esse vazio no Ministério da Saúde. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção, é preciso se fazer alguma coisa. Isso é ruim, é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável”. Ressentidos, machucados, falsamente (?) ofendidos, militares protestaram com efusão. Gilmar Mendes, porém, não ...

Expulsar Bolsonaro é lutar pela vida, pela inteligência e pelo direito à solidariedade

O principal signo de que alguém é ignorante, burro, idiota e imbecil é o binarismo. A prática de reduzir o mundo a equações do tipo “ou... ou...” constitui a quintessência do sofismo e, ao mesmo tempo, da asnice pura. Essas coisas do tipo branco ou preto, doente ou saudável, nacional ou estrangeiro, mulher ou homem, dentro ou fora, falso ou verdadeiro, ciência ou ficção e até mesmo esquerda ou direita nunca deram conta de expressar a riqueza, a diversidade e a complexidade da vida social. Por que estou dizendo isso? Só para dizer que o bolsonarismo é, fundamentalmente, binarista. Essa conversa que tende a opor saúde pública a economia é ridícula e não deixa de ser impressionante como tem gente ainda cai nesse papinho. De jornalistas a economistas, de gente “séria” a gente “doida”. O fato é que o bolsonarismo produz falsos dilemas. Para fazê-lo, quando na falta de um polo opositor, inventa inimigos quiméricos: do marxismo ocidental ao deus-mercado. Politizar binariamente essa epi...

Enredo patológico

A política brasileira tem sido a novela das oito destes tempos de confinamento. Bolsonaro e Moro se esfaquearam numa primeira manifestação de forças de cada lado. Para os próximos capítulos esperamos revelações de podres dos dois lados e muita baixaria. E isso com gravações, segredos e, claro, denúncias vazias. Espero duas coisas desse enredo: que as revelações de Moro ofereçam munição para a queda de Bolsonaro e que as revelações de Bolsonaro firam profundamente a imagem pública de Moro. E da esquerda, o que eu espero?  Só uma coisa: Que saiba não perder, para o Moro, o protagonismo do “Fora Bolsonaro”. Sim, porque a Globo e a direita conservadora vão trabalhar para isso, com apoio de gente graúda que já assinalou, hoje mesmo, que pode deixar o barco de Bolsonaro, como o PGR Augusto Aaras e o ministro Luís Roberto Barroso, do STF. E isso, inclusive, criando elementos para uma cassação da chapa eleita por fraude eleitoral, o que leva imediatamente a novas eleições. Por que...

É preciso começar o ‘Fora, Bolsonaro'

Finalmente o PT decidiu apoiar o Fora Bolsonaro. Mas finalmente mesmo! Muitos estavam ficando com a sensação de que o PT estava cansado de fazer política. Ou melhor, que os dirigentes do partido haviam ficado cansados de fazer política. A justificativa de que o momento era de combater à pandemia, aprovada em resolução do Diretório Nacional do partido no último dia 9, foi aparentemente revertida, hoje, 23, com a deixa de Lula no Twitter, dizendo que “É preciso começar o ‘Fora, Bolsonaro’” É difícil entender a prudência do PT. Há argumentos a seu favor, é verdade, mas creio que eles não se justificam realmente. Dentre o que se ouviu, posso anotar as percepções de que “lutar contra a pandemia tem que ser prioridade”, “a luta contra Bolsonaro não contaria com apoio das massas”, “o momento não é agora, é preciso aguardar uma correlação de forças mais favorável”, “confrontar Bolsonaro é fazer o jogo dele de dicotomização e de vitimização”, “não há um projeto claro nem de retirada e nem de...

Diários Confinados 2 – O que o governo Bolsonaro devia fazer e não faz?

A taxa de mortalidade por Covid 19, na Alemanha, apresenta dados interessantes: 0,3%, contra 3,6% na França e 8?5% na Itália. Por que essa diferença? São três países europeus e vizinhos, economias desenvolvidas e estados com condições técnicas bem mais elevadas eu a grande maioria dos países do mundo. O que explica, então a diferença? O que explica a “exceção” alemã? Venho lendo os jornais e os documentos públicos sobre o coronavirus desses países –  quer dizer, não da Alemanha, porque não tenho alemão para isso – tentando entender a diferença. Atenção: não sou profissional da área da saúde, então o que anoto aqui são apenas dados de leitura e observações, e não considerações científicas. E o que percebo são algumas variáveis interessantes: 1°) a média de idade das pessoas contagiadas é mais jovem na Alemanha de que em outros países: 47 anos na Alemanha; 2°) a decisão política imediata do estado alemão de testar, massivamente, a população – hoje num ritmo de 160 mil tes...

Novo corte de bolsas pode paralisar pesquisa científica

Estou indignado com o novo corte de bolsas de estudo feito pela Capes. O mesmo governo que corta bolsas, corta o Bolsa Família, estimula demissões e cortes salariais, transfere bilhões aos planos de saúde, companhias aéreas, bancos e empresários. Isso acontece justamente num momento em que a pesquisa científica se torna vital na luta contra a epidemia do coronavírus. Mais um exemplo da incapacidade desse governo continuar governando, em meio a uma situação de crise nacional.  Só o departamento de Pneumologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul teve um corte de 80% de suas bolsas. Pneumonologia! É preciso exigir a revogação imediata da portaria 34/2020 da CAPES. Pesquisa se faz com bolsas e investimento!  Para quem não sabe, antes dessa portaria os programas de pós-graduação poderiam perder, este ano, no máximo 10% das bolsas que possuíam. O novo corte eleva essa porcentagem para 50% nos programas nota 3, 40% naqueles de nota 4, 35% nos de nota 5, 30% nos de nota 6...

Mascarados fazendo necropolítica

O pior não é a evidente incompetência do governo Bolsonaro. O pior não é a sua inoperabilidade. O pior de tudo é a lógica de tudo o que ele faz: a lógica da morte, a necropolítica. Conscientemente ou tacitamente, esse governo trabalha para exterminar o inimigo. Ou tudo aquilo que identifica como inimigo: adversários, os pobres, a educação, a ciência, o Nordeste, a Amazônia... necropolítica.   Ao que estamos vendo, para além de não ter ideia alguma sobre o que deva ser governar o Brasil em meio à crise do novo corona vírus, essa gente está percebendo o vírus, consciente ou tacitamente, como uma oportunidade. Uma oportunidade de extermínio, de morte, de aniquilação de tudo o que identifica como inimigo.  Só isso explica a inação, a apatia, o descaso e o descompromisso com uma ação política mais contundente e efetiva de combate à epidemia.  A entrevista coletiva de ontem comprova o que estou dizendo aqui: mascarados com uma atitude irresponsável e canalha de construir...

Entrevista ridícula, governo incompetente. Essa gente não tem a menor ideia do que deve fazer: nem com o país e nem com a máscara.

Sub-celebridades ex-bolsonaristas

O jornalista Moisés Mendes , de PoA, descreveu, com felicidade, a nova praga nacional: a sub-celebridade ex-bolsonarista: Lobão, Janaína Paschoal, delegado Valdir, Reinaldo Azevedo, Fagner, Alexandre Frota, Joice Hasselmann... Só espero que essa tendência alcance também os ex-bolsonaristas que não ousam dizer o nome: aqueles tios, primos e amigos de infância – para não falar os incontáveis evangélicos re-penitentes – que embarcaram na onda anti-petista e foram tomados pelas ilusões moristas-bolsonaristas.

Pacote de maldades contra o serviço público

O “Plano mais Brasil”, pacote de maldades neoliberais apresentado ontem por Bolsonaro e seu comparsa Paulo Guedes constitui uma tentativa de dinamitar o serviço público brasileiro. O pacote se divide em 3 propostas de emendas constitucionais que incluem, dentre inúmeras estratégias de desestabilização do serviço público, um plano de redução temporária de 25% da jornada de trabalho, com consequente corte no salário dos trabalhadores, O impacto de uma medida como essa pode catapultar a economia brasileira para trás, produzindo um efeito devastador sobre a renda familiar, com impacto na saúde pública e na formação/qualificação de mão de obra futura, um processo de crescente endividamento das famílias, insegurança alimentar, crise geral do comércio e, consequentemente, da produção industrial. Podendo atingir os cerca de 600 mil servidores ativos da União, com ressonância, eventualmente, sobre a massa de aposentados e sobre os servidores públicos estaduais e municipais, Note-s...

Mensagens ao establishment

Como disse Helena Chagas , a imagem mais simbólica do dia em que o governo entregou seu novo pacote econômico ao Legislativo não foi a da entrega, ao Senado, do pacote de maldades contra o serviço público de Bolsonaro, mas a da ex-líder do Governo, Joice Hasselmann, chorando na tribuna da Câmara, chamando o presidente, seus filhos e seu “governo” de “bandidos” e “criminosos”. A performance da deputada demonstra que a base parlamentar do governo praticamente está anulada. Porém, Bolsonaro e Guedes, com imenso apoio da mídia, entregaram, mesmo assim, o seu pacote anti-servidor público. Por que o fizerem? Penso que para mandar mensagens para o establishment: mensagens de que, mesmo sem base parlamentar e com a perda de apoio social, continuam sendo a melhor opção para os interesses do grande capital. Num governo de nulidades, joga-se o ônus e o bônus do novo pacote de maldades para o Congresso. A ele de aprovar o que quiser, inclusive colhendo os louros políticos de suas ev...