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Mostrando postagens com o rótulo Palestras sobre os Amigos

Palestras sobre os Amigos, n. 58: Otacílio e os afetos rolantes

Por ocasião da defesa de memorial acadêmico do prof Otacílio Amaral Filho na UFPA, publico mais esta "Palestra sobre os Amigos", em sua homenagem. O Tatá é um dos colegas mais éticos e sensíveis que conheci na minha vida acadêmica. Sempre aprendi muito com ele e sobre diferentes coisas: ser pesquisador, ser professor, ser cidadão, ser gente... e isso fora seus grandes temas, como a "marca Amazônia" e os "espetáculos culturais", dentre outros. Grande orgulho de ter a chance de trabalhar junto com ele. As "palestras", já expliquei antes, são pequenos textos que de homenagem aos meus amigos. A ironia discreta desses textos com o academicismo não conseguiria estar num lugar mais apropriado do que numa homenagem ao Otacílio - que sempre desconstruiu as pretenções por trás da ciuência. Uma oportunidade de lhe dizer OBRIGADO! Palestras sobre os Amigos, n. 58. Otacílio e os afetos rolantes Senhoras e Senhores, Meu amigo Otacílio A. F. possui a mesma de...

Palestras sobre os Amigos,n. 65: Igor e a metafísica temporal

Igor e a metafísica temporal Senhoras e Senhores, Meu amigo Igor E. S. me ensina, prestimoso e solidário como é, que o que importa não é o relógio, mas sim as horas. Igor não tem pressa. É o próprio oposto do coelho de Lewis Carol, que obceca-se com o enfardo do compromissos. Igor não enfarda, apesar de seus compromissos. O próprio oposto do tempo moderno, o próprio oposto do oposto. Digo-o porque Igor sabe de estar. Estar e ficar. Ficar e conversar. Conversar e continuar. Sem presa do tempo, sem nenhuma adoração por relógios, esses objetos em forma de Deus que produzem a pior das metafísicas: a metafísica que submete a vida às interposições do tempo. Essa importante lição a respeito das horas a utilizo quando espero, sentado ou em pé, no consultório ou na fila do elevador. E também quando espero que o mundo aconteça, que os cães afobados se acalmem, que passem os navios ao largo no porto de Santarém, que o Círio de Nazaré regire em torno do próprio eixo, que o te...

Palestras sobre os Amigos, n. 55: Marise e o dever-ser de se conhecer a si mesmo

Senhoras e Senhores, A língua francesa se me presta para a filosofia e é por meio dela que algumas perguntas me vêm, sonolentas, quando nem mesmo estou esperando. Uma dessas perguntas me veio, certa vez, imediatamente após uma conversação, sempre instigante, sempre plena de potenciais filosóficos, com minha amiga Marise R. M. E foi a seguinte: Est-ce un devoir que d'être soi-même? A qual traduziria assim: Temos o dever, de fato, de sermos quem somos? Imperioso é não confundir essa questão com o Γνῶθι σεαυτόν, Gnothi seauton – Conhece-te a ti mesmo, também sabido como nosce te ipsum, em latim – tão cara ao mundo antigo, pois não se trata de conhecer quem verdadeiramente quem se é, se é que se é verdadeiramente alguma coisa, ou mesmo alguém, mas sim de se ter o dever de ser quem se é, após tê-lo descoberto. Todas as vezes que converso com a querida Marise minha mente fervilha de ideias, mas sobretudo de perguntas, em geral desprovidas de coetâneas respostas. Na verdade, i...

Palestras sobre os Amigos, n. 52: Biá e a recusa de Ulysses

Há 20 anos atrás eu usava presentear meus amigos, no Natal, com "palestras", que escrevia a respeito deles. Era presente de coração, feito com uma das (raras) coisas que sei fazer razoavelmente: escrever. Agora, em 2019, decidi retomar o velho costume, acreditando que, nestes tempos em que tudo ameaça a boa-fé, a sinceridade e a amizade, precisamos declarar, cada vez mais, nossa devoção à amizade e nossa alegria de viver-juntos, de estar, de estar-no-mundo-com-os-outros. São textos de agradecimento, aos meus amigos, por serem que são e por estarem ali. Segue, então, a série Palestras sobre os Amigos. Neste episódio, a Palestra número 52, sobre a Biá: Biá e a recusa de Ulysses Senhores a senhores, A clássica figura de minha vizinha e amiga Maria Beatriz M. F., a Biá, constitui, em meu imaginário, a exegese perfeita da recusa de Ulysses, tema estrutural dos estudos clássicos. Por tal “recusa de Ulysses” se entende a maneira como Ulysses recusou-se, determinado, a v...