A queda de Lupi era esperada, mas merece ser vista para além das motivações diretas que a causaram - os convênios com organizações não governamentais e o aparelhamento partidário do ministério. Refiro-me a uma das grandes incoerência políticas dos governos Lula e Dilma: a cessão de um importantíssimo e simbólico ministério, o do Trabalho, para um campo político que não está à altura de ocupá-lo. Essa situação, como se sabe, ocorre pela pragmática da composição governista, mas sempre foi de uma contradição à toda prova. Não esqueçamos que Lupi, um político claramente clientelista, obrigou o próprio partido, apesar dos protestos de seus correligionários, a engolir Amazonino Mendes, um antigo rival. O PDT tem alguns bons quadros - por exemplo, Brizola Neto - mas a parte contemplada pelo Planalto é sua banda menos saudável, a Força Sindical, tão ambivalente como inconsequente das heranças do trabalhismo. A reinvindicação petista pelo ministério, como se sabe, provém da CUT. ...
Fábio Fonseca de Castro - Fábio Horácio-Castro - fabiofonsecadecastro.org fabiohoraciocastro.com