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Mostrando postagens com o rótulo Política Internacional Oriente Médio

O tratado de livre-comércio de Mercosul e Palestina

Política se faz com mensagens. Algumas têm pouca efetividade e pouca objetividade, mas sua importância simbólica é grande. Eis um exemplo: o tratado de livre-comércio assinado pelo Mercosul e a pela Palestina, durante a cúpula de chefes de Estado do bloco em Montevidéu, na semana passada.  No evento, estavam presentes os presidentes das nações do bloco: Dilma Rousseff (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai). Também compareceu ao evento o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A Palestina foi representada por seu ministro das relações exteriores, Al Maliki. O tratado tem importância mais política do que econômica, dado o baixo intercâmbio comercial entre as duas partes. Ele representa uma cópia do convênio assinado entre Mercosul e Israel em 2007, que entrou em plena vigência neste ano. Esse tratado representa mais um passo no apoio da região ao estabelecimento de um Estado palestino, depois que os quatro países do grupo o terem re...

Artigo de Perry White

Esclarecedor o novo artigo do cientista político Perry White a respeito do processo de (talvez) democratização, em curso no mundo árabe, aparecido da New Left Review deste mês.  Perry White é um autor fantástico, desses que iluminam nossa compreensão sobre o contemporâneo. E a New Left Review é dessas revistas instigantes, que não repetem idéias e que conseguem sempre produzir o novo. O artigo começa fazendo uma relação entre esse processo e três outros momentos similares da história, marcados pela produção de um fenômeno político de transmigração de lutas políticas de um país a outro:  as independências das nações latino-americanas, no começo do século XIX, as revoluções européias de 1848-49 e a queda dos regimes pró-soviéticos da Europa, em 1989-91. Está em inglês (o Google traductor resolve) e pode ser lido aqui :

Geopolítica do conflito na Líbia

O dilema do Orienta Médio

Carisma

A bandeira Senussi por todos os lados

A bandeira  dos  Senussi  está sendo hateada  por toda o Líbia. E parece que isso quer dizer algo mais do que uma revolução a mais no mundo árabe. É que o rei Idris é, para eles, o senhor d. Sebastião que voltará um dia...

Agora é a Líbia, e parece que Kadafi fugiu de verdade

Egipcíacas 2

O Ocidente, inculto e belo, teme que uma revolução integralista varra agora o Egito. Algo semelhante à que varreu o Irã em 1979. Não que não seja possível tal coisa - embora a temida entidade Irmãos Islâmicos não o intente. Ocorre que é preciso entender melhor de onde vêm esses ventos do integrismo islâmico. Vou contar uma historinha: Há cerca de dois séculos, dois clãs: o dos Saud e o dos Wah'aab se uniram em busca da unificação e domínio da Península Arábica. Na década de 1930 esse processo resultou na unificação dos dois grandes reinos da penísula, Hejas e Nejd, por meio da qual se criou o Reino da Arábia Saudita. O reino foi criado sob um manto ideológico de uma forma brutal de islamismo, o chamado Wahaabismo, filosofia que permeia o pensamento da Família Real Saudita até hoje e que compreende a associação entre política, economia, guerra e islã como um fato social total. A Arábia Saudita financia a difusão dessa ideologia por todos o mundo muçulmano. E, pior: os Estados Uni...

Egipcíacas 1

O Egito sempre foi um quebra-cabeças político. Por exemplo, assim era em 1918: Província turca administrada a partir de Beirute completa influencia da cultura francesa, que era a lingua semi-oficial controle militar e naval britanico imprensa nas mãos de sirio-libaneses comércio partilhado entre judeus, gregos e armênios educação e cultura com franceses agricultura e a terra nas mãos da aristocracia turca (que permaneceu no Egito mesmo depois da queda do Imperio Otomano) profissionais liberais (médicos, advogados e engenheiros) coptas (cristãos egípcios) um Rei albanês que preferia falar italiano.

Como anda o Egito

Os principais grupos que organizaram e conduzem as manifestações no Cairo e nas cidades mais importantes do Egito, reunidos por meio da Liderança Unificada da Juventude da Revolução da Ira, divulgaram uma relação com sete reivindicações: saída do Mubarak;  revogação imediata estado de emergência;  libertação imediata de todos os prisioneiros políticos;  dissolução das duas casas do parlamento;  formação de um governo civil de unidade nacional para o período de transição;  investigação pelo judiciário dos abusos das forças de segurança durante a revolução;  proteção dos manifestantes pelos militares. As reivindicações foram comunicadas por Ziad al-Olaimai, advogado de 32 anos, militante da Campanha Popular para Apoiar El-Baradei e apresentado como o único porta-voz autorizado da Liderança Unificada da Juventude da Revolução da Ira. A junta militar que governa o país após a queda de Mubarak, no entanto, ainda não atendeu a nenhuma dessas exigências. R...

Nada será como antes no Oriente Médio

Reproduzo artigo de sociólogo Emir Sader, publicado no sítio Carta Maior: Nada será como antes no Oriente Médio Emir Sader Por duas fortes razões o Oriente Médio tornou-se um pilar da politica externa do império norteamericano: a necessidade estratégica do abastecimento de petróleo seguro e barato para os EUA, a Europa e o Japão, e a proteção a Israel – aliado fundamental dos EUA na região, cercado por países árabes.   Por isso o surgimento do nacionalismo árabe tornou-se um dos fantasmas mais assustadores para os EUA no mundo. Por um lado, pela nacionalização do petróleo pelos governos nacionalistas, afetando diretamente os interesses das gigantes do petróleo – norteamericanas ou europeias –, pela ideologia nacionalista e antimperialista que propagam – de que o egípcio Gamal Abder Nasser foi o principal expoente - e pela reivindicação da questão palestina.   A história contemporânea do Médio Oriente tem assim na guerra árabe-israelense de 1967 sua referência mais important...

Acabou

16º dia e protestos e o monstro ainda vive

Artigo de Robert Fisk, publicado originalmente no The Independent , e traduzido pelo Coletivo Vila Vudu. Egito, 3ª semana, 16º dia, mas o monstro ainda vive Robert Fisk   Dezenas de milhares de manifestantes anti-Mubarak sacudiam as bandeiras nacionais e reuniam-se para o 15º dia consecutivo de manifestações na praça Tahrir no centro do Cairo, dia 8/2/2011, exigindo a saída do depauperado presidente Hosni Mubarak. Velho, o sangue fica escuro, marrom. As revoluções não. Numa esquina da praça, há farrapos, restos das roupas usadas pelos mártires de Tahrir: entre eles, um médico, um advogado, uma moça, suas fotografias carregadas como troféus pela multidão, o tecido das camisetas e calças manchadas de marrom escuro. Ontem, a multidão homenageou seus mortos, desfilando, às centenas de milhares, na maior manifestação até agora contra a ditadura de Hosni Mubarak, gente suada, aos gritos,empurrões, lágrimas, impaciente, temerosa de que o mundo esqueça seu sacrifício e sua coragem. Demor...

Chomsky: EUA estão seguindo seu velho manual no Egito

Reproduzo entrevista de Noam Chomsky sobre a questão egípcia, concedida ao site Democracy Now e reproduzida pelo site Carta Maior: Democracy Now: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?   Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak. O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer. Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o co...

A respeito de um livro interessante sobre o Egito

Sobre a história do Egito Andre Araujo A historia moderna do Egito vem da Segunda Guerra. Um extraordinario pano de fundo social, politico e economico foi traçado pela escritora inglesa Artemis Cooper no livro CAIRO IN THE WAR 1939-1945, Cairo ao tempo da Segunda Guerra era uma cidade efervescente, de romance, de espionagem, de magnificas festas, de boates sempre cheias, dinheiro correndo solto, os alugueis de partamentos quadruplicaram de preço por causa da presença de milhares de oficiais ingleses e americanos, a maioria dos melhores imoveis  de Gezira, Zamalek e Heliopolis, os bairros chiques,  pertenciam à aristocracia turca, classe docimante apesar do Egito ter deixado de ser provincia truca desde 1918. Tudo girava em torno da Casa Real, seus principes e intrigas como um dos polos sociais. O outro polo era a Embaixada de Sua Mahestade Britanica, aonde pontificava o Embaixador Sir Miles  Lampson, casado com uma italiana, Jacqueta (Jaqueline) Lampson. Quando o prepo...

No, Mubarak, you can't

Falar sobre a crise política no Egito e, na verdade, em todo o mundo mulçumano, depois da abertura do Fórum Social Mundial de 2011, ontem, que pela segunda vez se realiza na África, é quase uma obrigação. Dez anos depois da sua primeira edição, a revolução em curso no Egito demonstra
que a idéia de um outro mundo é possível. As transformações sociais no Brasil e em vários outros países da América Latina são provas disso. Ou seja, o FSM dá força moral aos protestos, mesmo porque as negociações entre governo e oposição foram e tendem a ainda ser, pífias. E as manifestações seguem, bem como o apoio internacional, que também aumenta. O primeiro ministro da autoridade palestina, Salam Fayyad, por exemplo, deu seu recado há dois dias, em Paris, ao declarar que “A estabilidade de um regime político passa pela democracia”. A verdade é que Mubarak deveria sair logo, e por si mesmo. Prolongando, inutilmente, uma confrontação com seu povo, ele vai deixando de ser o presidente autocrata que é par...

Egito: cai ou não cai?

Para além do Egito

A percepção da crise política que envolve o mundo árabe se concentra, neste momento, sobre o Egito. Porém, a “revolução” está em curso, também, em outros países – e, o que é significativo, est’;a sendo convocada, aos milhares, em meio digital. O instrumento mais revolucionário, neste momento, na Síria, é o Facebook. Uma convocação foi disparada, ao longo da semana, convocando para uma manifestação pacífica no sábado, em frente ao parlamento, em Damasco. O mote da convocação era “protestar para acabar com o estado de urgencia do país e com a corrupção”. O eufemismo “estado de urgência” significa, precisamente, diminuir a miséria. A pobreza extrema engloba 14 % dos 22 milhões de habitantes do país e 20 % da população ativa está desempregada. Para diminuir o impulso contestatório o governo sírio anunciou, na sexta-feira, a criação de um “Fundo Nacional para a ajuda social”, no valor de US$ 250 milhões e, também, um aumento de 72 % no valor da ajuda social para o aquecimento a gás das ...

Coisa difícil, o Egito 2

Quando se indaga sobre as condições políticas de formação de um governo que possa suceder ao de Mubarak e garantir a establidade e transição democrática se depara com a falta de nomes.  Toda a oposição egípcia se resume a duas figuras: a pessoas de El Baradei e o coletivo islamista da Irmandade Muçulmana.  Amre Moussa , ex-chanceler egípcio e atual secretário-geral da Liga Árabe, um sujeito adorado pelos egípcios, poderia ser uma opção, e o general Omar Suleiman, outro. Mas... Suleiman bem que merecia algum título como o de "banana" da história. É que o general é chefe da polícia secreta e do serviço nacional de informação. O sujeito estava sendo cotado, e até mesmo aclamado pelas ruas, como possível alternativa "democrática" no caso de o Mubarak cair. Porém acabou de cometer a asneira de aceitar ser vice-presidente de Mubarak.   Continuo pedindo ajuda para entender o Egito...

Coisa difícil, o Egito 1

Todo ano os EUA injetam 1,3 bilhão de dólares no Egito a pretexto da "modenização" do complexo militar nacional. Não obstante, pelo que se informa, a quase totalidade desse dinheiro é, costumeiramente, desviada para forças anti-americanas do país, notadamente para os remanescentes do partido comunista egípcio. Mubarak é sucessor de Sadat que foi sucessor de Nasser. Os dois primeiros foram a antiamericanos ferrenhos. Mubarak está na boa com americanos e israelenses, mas todos sabem que desviar toda essa grana para a luta contra ambos é parte da engrenagem da paz acordada. Ou seja, os EUA financiam a própria luta antiamericana como uma condição para a aliança com Mubarak. Não obstante, os EUA também financiam – en revanche - a luta contra seu próprio aliado. Explico: Tradicionalmente, os governos egípcios não possuem base de apoio popular consolidada e a solução que dão é, invariavelmente, a articulação contingenciada com alguma grande força social do país. É uma dinâmica cul...