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Mascarados fazendo necropolítica

O pior não é a evidente incompetência do governo Bolsonaro. O pior não é a sua inoperabilidade. O pior de tudo é a lógica de tudo o que ele faz: a lógica da morte, a necropolítica. Conscientemente ou tacitamente, esse governo trabalha para exterminar o inimigo. Ou tudo aquilo que identifica como inimigo: adversários, os pobres, a educação, a ciência, o Nordeste, a Amazônia... necropolítica. 
Ao que estamos vendo, para além de não ter ideia alguma sobre o que deva ser governar o Brasil em meio à crise do novo corona vírus, essa gente está percebendo o vírus, consciente ou tacitamente, como uma oportunidade. Uma oportunidade de extermínio, de morte, de aniquilação de tudo o que identifica como inimigo. 
Só isso explica a inação, a apatia, o descaso e o descompromisso com uma ação política mais contundente e efetiva de combate à epidemia. 
A entrevista coletiva de ontem comprova o que estou dizendo aqui: mascarados com uma atitude irresponsável e canalha de construir pautas de interesse próprio para suas frágeis agendas políticas, a começar pelo presidente, que em vez de dizer o que faria para combater a epidemia, usou a entrevista para convocar a população para um panelaço de apoio a ele mesmo (panelaço de apoio?).
E a continuar com os seus ministros mascarados: Guedes falando de “reformas”, Moro de “segurança”, Mandetta fazendo elogios ao governo com medo de perder o cargo – justamente pelo fato de se destacar, na mídia, como o único que tem algo a dizer sobre a Covid19...
Em síntese, ninguém estava ali para tratar da epidemia, somente para fazer política, ou melhor, necropolítica.
Essa irresponsabilidade vai levar o Brasil ao caos – sim, aparentemente é possível um caos ainda maior do que o que já estamos vivendo.
De imediato, faltam políticas públicas de defesa social. Qual é o plano para defender a imensa maioria da população brasileira da propagação do vírus? E quem não pode “fazer confinamento”? E quem não pode “aderir ao teletrabalho” porque não tem nem computador e nem internet? E quem não tem dinheiro para comprar álcool em gel? E quem não pode deixar de trabalhar? E quem vive nas ruas? 
É evidente que isso não é um problema para os mascarados de Bolsonaro. Nem para os mascarados que o acompanharam na coletiva de ontem e nem para os mascarados que continuam apoiando seu “governo”, a sua política de morte, a sua milícia de extermínio.
Fábio Fonseca de Castro
Professor da UFPA.

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