Ainda sobre as britânicas, uma observação sobre a projeção de cenários e avaliação de peswquisas. Anthony Wells é um especialista em cenários eleitorais e leitura de pesquisas. Trabalha na empresa YouGov e é um dos autores do blog UK Polling Report. Tenho acompanhado seus escritos sobre o processo eleitoral em curso no Reino Unido – por exemplo, aqui, aqui, aqui,aqui e aqui e aprendido com ele umas coisas interessantes. Em tempos em que as sondagens brasileiras sobre as sucessões de 2010 começam a pipocar, alguns temas há a levar em consideração:
Parece ser um consenso, entre mídias e analistas de pesquisas, que as discrepâncias entre os resultados dos diversos institutos decorre de house effects, ou seja, diferença metodológica, sistematicamente relacionadas com os resultados obtidos. No entanto, é preciso considerar variáveis que não pesam, normalmente, sobre as pesquisas nacionais e que estão fazendo toda a diferença nas pesquisas britânicas. Dentre elas, a avaliação de novas formas de risco causado por erro aleatório.
Penso especificamente em algo que os blogs especializados do Reino Unido não têm parado de falar: o "shy Labour", ou seja, a prática de enviesar a resposta, do eleitor esconder sua real intenção de voto como parte de uma estratégia de oportunizar a sondagem como tática micropolítica.
Isso é novidade, ainda que há mais de duas décadas se fale sobre o "shy Tories", reconhecida e super pesquisada prática de micropolítica da direita em esconder sua real intenção de voto. No sistema eleitoral britânico isso tem um efeito que é difícil de imaginar numa eleição brasileira, mas merece ser considerado nas análises daqui, porque pode tomar forma variada.
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