A surpresa das eleições britânicas foram a não surpresa da "surpresa" liberal-democrata. Explicando: Todos esperavam que o "terceiro partido", fora do poder desde 1916, alcançasse um lugar proeminente nesta eleições. Foi a "surpresa" anunciada. O cabeça do partido, Nick Clegg, como foi dito abundantemente pela mídia "devorou" os adversários nos debates televisivos e se constituiu, na campanha, como a única novidade de um cenário eleitoral monótono e previsível. No entanto, enquanto algumas pesquisas lhe davam uma possibilidade de chegar a 34% do legislativo, o partido Liberal Democrata só alcançou 23%. Por quê?
Por causa da posição dos Lib-debs quanto à imigração. O partido propôs a anistia aos imigrantes ilegais. Os adversários concentraram seus ataques a Clegg nesse assunto, durante o segundo e no terceiro debates. O fato é que essa questão tem, na Europa, uma dimensão quase metafísica cujo oposto é o que pensam os Araweté (vide o livro, assim chamado, de Viveiros de Castro, mencionado aqui dias atrás).
Dando uma olhada nos fóruns britânicos sobre as eleições deu para perceber que o quesito "imigração" foi, de longe, o mais discutido. Trata-se de uma questão econômica que os europeus só conseguem abordar com uma perspectiva moral. A proposta dos Lib-debs é conseqüente, todo mundo sabe disso e pode até estar de acordo, mas há por aí um desvão de alma que exige que o assunto não seja abordado com o pragmatismo usado por Clegg. Seria preciso fazer algumas messuras, uns volteios, não ir direto ao ponto, enrolar.
Acho que foi isso que gerou o efeio fly-Labour que referi aqui antes: a prática de dizer que vai votar num partido e votar em outro. No caso do voto trabalhista (Labour), esse efeito tem uma pregnância moral: por uma questão de consciência, parte do eleitorado trabalhista precisou dizer que concordava com Clegg, já que a posição dele avançava bem além da proposta sobre imigração apresentada pelo seu partido, a princípio mais à esquerda que os Lib-debs (mas não de fato). Com efeito, a legalização dos ilegais é uma proposta histórica do trabalhismo, abandonada condescendentemente pelo "novo trabalhismo". Porém, essa declaração de voto era falsa, decorria de uma falsa consciência. na verdade, de um passadismo.
A consciência britânica à esquerda é uma falsa consciência. Por lá também eles precisariam resgatar algumas heranças à esquerda. O lye-labour, que discuti antes por aqui, é exatamente isso: dizer uma coisa e votar em outra, com algum peso na consciência, mas também com algum pragmatismo.
Por causa da posição dos Lib-debs quanto à imigração. O partido propôs a anistia aos imigrantes ilegais. Os adversários concentraram seus ataques a Clegg nesse assunto, durante o segundo e no terceiro debates. O fato é que essa questão tem, na Europa, uma dimensão quase metafísica cujo oposto é o que pensam os Araweté (vide o livro, assim chamado, de Viveiros de Castro, mencionado aqui dias atrás).
Dando uma olhada nos fóruns britânicos sobre as eleições deu para perceber que o quesito "imigração" foi, de longe, o mais discutido. Trata-se de uma questão econômica que os europeus só conseguem abordar com uma perspectiva moral. A proposta dos Lib-debs é conseqüente, todo mundo sabe disso e pode até estar de acordo, mas há por aí um desvão de alma que exige que o assunto não seja abordado com o pragmatismo usado por Clegg. Seria preciso fazer algumas messuras, uns volteios, não ir direto ao ponto, enrolar.
Acho que foi isso que gerou o efeio fly-Labour que referi aqui antes: a prática de dizer que vai votar num partido e votar em outro. No caso do voto trabalhista (Labour), esse efeito tem uma pregnância moral: por uma questão de consciência, parte do eleitorado trabalhista precisou dizer que concordava com Clegg, já que a posição dele avançava bem além da proposta sobre imigração apresentada pelo seu partido, a princípio mais à esquerda que os Lib-debs (mas não de fato). Com efeito, a legalização dos ilegais é uma proposta histórica do trabalhismo, abandonada condescendentemente pelo "novo trabalhismo". Porém, essa declaração de voto era falsa, decorria de uma falsa consciência. na verdade, de um passadismo.
A consciência britânica à esquerda é uma falsa consciência. Por lá também eles precisariam resgatar algumas heranças à esquerda. O lye-labour, que discuti antes por aqui, é exatamente isso: dizer uma coisa e votar em outra, com algum peso na consciência, mas também com algum pragmatismo.
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