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Sobre o novo trabalhismo inglês

Li hoje um ótimo artigo sobre a renovação do trabalhismo inglês através da liderança de Ed Miliband. O texto é do jornalista Luis Eça e foi publicado no Correio da Cidadania. Começa assim:

Em 1900, o movimento sindical inglês e os partidos socialistas do país fundaram o Partido Trabalhista, lançando a candidatura para o parlamento de representantes da classe operária.
Em sua cláusula 4, o manifesto original do partido defendia a socialização das indústrias básicas, a intervenção do governo na economia, a redistribuição da riqueza, a ampliação dos direitos dos operários e educação e saúde públicas estatais.
O partido cresceu, participou de coligações e, no fim da 2ª. Grande Guerra, chegou ao poder com força suficiente para realizar seus ideais socialistas.
Assim, entre 1945 e1950, no governo trabalhista de Clement Attlee, foram estatizados o Banco da Inglaterra, as minas de carvão, a siderurgia, as indústrias elétricas, de gás e os transportes. Implantou-se o estado de "bem estar social" (welfare state) com a criação do Sistema Nacional de Saúde e a expansão da escola pública. No plano externo, o governo Attlee iniciou o desmantelamento do império britânico, dando independência à Índia, ao Paquistão, à Birmânia e ao Ceilão.
Posteriormente, no governo conservador de Margareth Thatcher, a maioria das nacionalizações foi revogada e os sistemas de educação e de saúde pública, bastante enfraquecidos por pesados cortes orçamentários.
Em fins dos anos 80, com o argumento de que o partido estava perdendo a classe média devido a suas posições radicais, uma ala passou a defender políticas de livre mercado.
Surgiu, então, o projeto do "Novo Trabalhismo" (New Labour), que acabou triunfando internamente sobre a esquerda do partido. E, na convenção nacional de 1992, a cláusula 4 (que pregava o socialismo) acabou sendo retirada.
Com essa nova face, os trabalhistas, liderados por Tony Blair, ganharam as eleições de 1997.
No governo Blair, com o "Novo Trabalhismo", reduziu-se ao máximo a intervenção estatal na economia e o partido alinhou-se à política externa dos EUA. Com isso, pouco se diferenciou dos conservadores. Talvez apenas nas áreas da educação e da saúde públicas, que foram recuperadas com pesados investimentos.
Na continuação do artigo, aqui, o autor mostra como surge a liderança de Ed Miliband, o atual líder Labour, e como suas posições representam uma retomada das posições históricas do partido e, consequentemente, uma superação do trabalhismo de Tony Blair. 

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