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Lançamento de "O Réptil Melancólico"

  Lançamento do meu romance "O Réptil Melancólico". Dia 17 de novembro, 19 horas SESC Ver-o-Peso (Boulevard Castilhos França, 522, Belém)

O Réptil Melancólico - booktrailer 1

 

Sobre Sebastião Tapajós

Lamento profundamente o falecimento de Sebastião Tapajós. A palavra “profundamente” não é à toa e evoca seu sentido imediato: tudo, no artista ST, era “profundamente”.   A tanto e a quanto ser impossível, para mim, encontrar sua obra na sua grandeza - porque não tenho ouvido para tanto, me resta dizer o quanto o escutei. Muito, sempre com grande admiração. Mas preciso dizer que, ao menos para mim, ST era um grande mistério.  ST não falava nem de si  e nem de sua musica.  Não explicava, não produzia condescendências...   A quem de ver, que visse e a quem de ouvir que ouvisse. Nas duas ou três vezes em que falei com ele, ele não me disse nada (no alentar dos fatos). Talvez que minhas questões tenham sido excessivas, quem sabe. Qualquer dia conto disso. Agora, o que resta, é o silêncio preenchido por música. 

Bate-papo sobre literatura amanhã, na Facom-UFPA

 

SOBRE OS 150 ANOS DA LEI DO VENTRE LIVRE – Essa hipocrisia que legitimou muitas formas obscuras de poder

Hoje, 28 de setembro de 2021, completam-se 150 anos da proclamação da Lei do Ventre Livre, um dos marcos intersubjetivos mais importantes, pelas consequências havidas, e, ao mesmo tempo, mais hipócritas, da história do Brasil.  Homenagens a esse marco jurídico, considerando sua hipocrisia e malefícios, não merecem ser feitas – embora, chocado, tenha-as visto por todo o lado, na mídia, nas falas oficiais, nas escolas.  Como se sabe, a referida Lei declarava livres a todos os nascituros de mulheres em condição de escravidão. Menos dito é que estabelecia que, mesmo livres, essas pessoas ficassem sob a tutela dos senhores proprietários da sua mãe até os 21 anos de idade.  Ou seja, sob a aparência liberal de libertar o indivíduo, legitimava sua “indireta” escravidão até a maioridade, beneficiando o escravocrata.  É esse marco jurídico que cria a figura da “cria de casa”, do afilhado, da aia, dos meninos e meninas que recebiam abrigo e alimentação, geralmente precários, em...

Post bobo, só pra registrar que ciência é vida

Terminei ontem meu curso anual no Naea, o “Formação Econômica e Social do Brasil e da Amazônia”. Grato pelo interesse, atenção, disposição e esprit de combat de todos e tantos alunos que me acompanharam. Estudar é saúde. Debater é fundamental. E a ciência é o que resta e o que fica. Sei que 12 horas de aulas por semana, durante um mês e meio, e mais de 40 textos para ler – a maioria deles clássicos, densos, extensos, vindos da economia, da ciência política, da sociologia e da história – é puxado, mas o resultado é sempre gratificante. Ideias, trocas, informações, discussões... Difícil expressar a satisfação e a sensação de completude que a gente tem quando termina um curso.  É isso, post bobo, só para registrar que a gente tem prazer e é feliz fazendo ciência, pensando, desconstruindo, fazendo a interdisciplinaridade, continuando, resistindo...

Sobre o filósofo Jean-Luc Nancy, morto recentemente

No dia 23 de agosto passado morreu, aos 81 anos, o filósofo francês Jean-Luc Nancy, professor emérito de filosofia na Universidade de Estrasburgo, onde ensinou de 1968 a 2004, e membro do Collège International de Philosophie.  Nancy atualizou a fenomenologia, usando-a para desenvolver ideias sobre os temas mais diversos: história da filosofia, literatura, política, arte, sexualidade, teologia, psicanálise, ociosidade e mesmo sobre a pandemia de Covid-19 (o livro Un Trop Humain Virus, 2020).  Em suas mais de duzentas obras, um tema constante foi a ideia de “comunidade”. Sobre esse tema escreveu a trilogia La Communauté Désœuvrée (Bourgois, 1986), La Communauté Affrontée (Galilée, 2001) e La Communauté désavouée (Galilée, 2014).  Nancy teve dois grandes parceiros na sua obra: Jacques Derrida (1930-2004) – sobre quem, por sinal, escreveu um livro — Le Toucher (2000) – e Philippe Lacoue-Labarthe (1940-2007), com quem diversos artigos e livros, de...

Como mobilizar o #ForaBolsonaro?

 O fiasco absoluto das manifestações políticas do MBL e do VPR, no último domingo (a primeira manifestação home-office da história) indicam claramente algumas coisas:  1. O grande empresariado brasileiro não autoriza esse povo a representá-lo e, consequentemente os deputados eleitos com base nesses movimentos terão dificuldade para sua reeleição.  2. A hostilidade enunciada à candidatura Lula está restrita a um núcleo ideologizado e muito estreito da sociedade. Há que se distinguir entre hostilidade real, hostilidade enunciada e hostilidade anunciada. Outra hora falo disso. Agora, cabe dizer que enunciação é o ato político maior da disputa, e que ela está baixa, no que tange à candidatura Lula 2022.  3. O modelo de protesto desses grupos, centrado numa semiótica do ressentimento, do preconceito e do ódio de classes, foi abalado e não conformará a base da disputa eleitoral de 2022.  4. A liderança das ruas e do combate ao governo Bolsonaro está com o campo progre...

Por que as forças progressistas não devem ir à manifestação de 12 de setembro

Para constar: é claro que não vou a essa manifestação contra Bolsonaro, convocada para amanhã, 12 de setembro. E acho que ninguém, no campo progressista, deveria ir. E digo por que :  1) É claro que sou a favor de que a luta contra Bolsonaro envolva a maior parte possível da sociedade brasileira ;   2) É claro que o papel de Lula é e deve ser o papel do grande estadista e conciliador do país ;  3) É claro que acho que a hora é de todo mundo ir para as ruas.  Mas :  4) É claro, também, que o MBL, que convocou essa manifestação de amanhã, pretende colocar as forças progressistas como caudatárias da sua visão de mundo e do seu projeto político, seja ele qual for.  E isso o campo progressista não deve permitir.  Justifico, observando que :  1) Todos devem marchar contra Bolsonaro, mas é um erro pensar que as forças progressistas devem marchar ao lado da direita neoliberal. Como dizia Mao, “combater juntos, mas marchar separados” – a propósito da...

Uma crônica (netnográfica) do bolsonarismo no 7 de setembro

O que faz uma pessoa sair às ruas para apoiar Bolsonaro? Dou uma olhada no meu Instagram e encontro algumas respostas. Imagens, frases e hashtags de pessoas que conheço, que foram à manifestação bolsonarista do 7 de setembro, traduzem disposições e disponibilidades que me ajudam a responder essa questão. Ou, ao menos, a cotejar algumas hipóteses.  Meio de brincadeira, mas falando muito sério (meio cronicando, mas também etnografando), vou vendo as imagens e identificando, inventariando, alguns tipos humanos bolsonaristas que encontro nas fotos:  “O eterno herdeiro” – Já na quarentena (de idade) ou mesmo na cinquentena, sabe que vai herdar a empresa do pai, ou seu patrimônio rentista, tanto faz. Bate ponto nessa empresa, finge que trabalha. Felizmente a empresa tem gestores, que fazem o trabalho real. Inseguro de sua posição tardia, precisa dar sinais do que entende como sendo “uma opinião madura e responsável” para se fazer respeitar pela própria família e por seu pai. E é com...

Por que o 7 de Setembro foi muito mal para Bolsonaro

Muitos de nós fomos dormir preocupados com a possibilidade de um transbordo da violência bolsonarista neste 7 de setembro. O receio de um golpe e as imagens dessa gente ocupando a Esplanada dos Ministérios, ontem à noite, com a leniência da polícia militar, assustaram. Porém, o dia acaba evidenciando que tanto Bolsonaro como o bolsonarismo saíram enfraquecidos. Tão pífio como o desfile patético dos tanques-calhambeques da Marinha, semanas atrás, foram as ridículas manifestações de hoje.  Primeiro, pela quantidade dos manifestantes em relação à expectativa. A manifestação de São Paulo ficou aquém da expectativa dos bolsonaristas, que seria de 2 milhões de pessoas. A manifestação de Brasília foi pífia, com 40 mil participantes, se muito.  Segundo, pelo desperdício do investimento. Os apoiadores gastaram muito dinheiro para “mostrar força”. E todos sabemos que muita gente estava sendo paga, como figurantes, com direito a hotel, comida e viagem de ônibus interestadual. Fica a perg...

10 Anos sem Benedito Nunes. Entre memória, apropriações e desvelamentos.

Benedito Nunes 01/03/2021 Alberto da Veiga Guignard, Bambus, 1937. Por  FÁBIO FONSECA DE CASTRO* Reflexões em torno das lições do filósofo sobre Martin Heidegger. Completaram-se, no último 27 de fevereiro, dez anos da morte do filósofo Benedito Nunes. Nascido em Belém a 21 de novembro de 1929, Benedito foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, mais tarde incorporada à Universidade Federal do Pará (UFPA) e, ainda, da Academia Brasileira de Filosofia. Sua atuação intelectual se deu em diferentes campos e subcampos das ciências humanas, da estética à teoria literária, da fenomenologia à história da filosofia, da hermenêutica aos estudos da poesia. Professor emérito da UFPA, Benedito atuou em diversas universidades, no país e no exterior, e produziu uma obra – composta por 22 livros e dezenas de artigos – reconhecida e influente como atestam os vários prêmios que recebeu, dentre os quais o  Prêmio Multicultural Estadão , o  Prêmio Jabuti de Literatura  (po...

130 anos da promulgação da primeira Constituição republicana brasileira: Com a atual já "eram" 7!

Mas o que ela fez e o que ela não fez?  Bom, algumas notas a seu respeito.  Promulgada a 6 de fevereiro de 1891, 15 meses após a derrubada de d. Pedro II, foi praticamente imposta pelos militares, dando ao Congresso apenas 3 meses para discutir um texto que já veio montado. 130 Anos da 1a Constituição republicana. Cabe lembrar que os militares, que deram o golpe da República, estrupiaram a Constituinte. Dificultaram a eleição dos seus adversários monarquistas, parlamentaristas e opositores do federalismo.  O que ela mudou? Em síntese: 1) descentralizou o poder, dando muito mais força para as províncias (agora “estados”); 2) Extinguiu o Poder Moderador, exercido pelo imperador e sinônimo da centralização do poder e da autocracia; 3) Substituiu o sistema parlamentarista pelo presidencialismo.  Obra de 2 grupos de pressão: o Apostado Positivista e a Igreja Católica. Mudanças: separação Igreja/Estado, casamento religioso perdeu validade, o Estado deixou de pagar o salár...

Aula: Formação histórica do Brasil

Estão todxs convidadxs para a aula Formação Histórica do Brasil, que será ministrado por mim, junto com a professora Marilane Teixeira, da Unicamp. A aula é parte do módulo Jornada de Formação Política do Brasil, promovido pela Democracia Socialista, seção Pará, e ocorre no sábado, 30 de janeiro de 2021, de 15 às 18 horas. Quem tiver interesse solicite o link para meu email: fabiofc@ufpa.br.

Considerações sobre a lei do aborto na Argentina

Não devo ter muito direito de dizer o que segue, porque minha compreensão do problema não é, senão, transcendental ao fato, considerando a elementaridade de que homens podem ter o poder, mas, jamais, terão legitimidade para dar sua opinião sobre o assunto.  Não obstante, como sou um ser opiniático e reflexivo, não me recuso a não dizer o que penso.  Falo a respeito do aborto, motivado pela legalização do mesmo na Argentina. Penso que se trata de um evento maior, desses de imensa magnitude e que faz questionar as referências hegemônicas.  Sendo muito sintético e objetivo, vou direto ao ponto: a legalização do aborto, na Argentina, é uma vitória cultural e política. É uma vitória das mulheres sobre os abusos históricos incondescendentes que a política e a cultura fazem do corpo feminino.  Dizendo de oura maneira: a legalização do aborto é uma vitória do corpo feminino sobre a política e sobre a cultura. Uma vitória do corpo feminino.  Uma vitória que se faz poss...

Lançamento de As Identificações Amazônicas

Esta semana entra em circulação meu novo livro, AS IDENTIFICAÇÕES AMAZÔNICAS. Lançado pela editoria do Naea, o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA, o livro reúne 8 capítulos que exploram diferentes perspectivas da questão identitária no espaço amazônico. Os artigos dialogam com processos intersubjetivos de construção de sentidos identitários e com sutis questionamentos sobre as percepções hegemônicas da identidade. Partindo da compreensão de que muitas e variadas são as Amazônias, à despeito da sua representação dominante como “região”, como espaço coerente de identidade, busca-se pensar as identidades sociais como processos de bricolagem, identificações sempre em curso, em contínua invenção e reinvenção. O livro está disponível na Amazon, em versão e-book. Em versão impressa, somente sob encomenda, enquanto durar a pandemia. Mais informações no meu site: fabiofonsecadecastro.org ou pelo email sisamazonia@gmail.com. No site há outros conteúdos informando sobre o l...

Belém como metrópole cultural e criativa da Amazônia

Debatendo o tema « Belém como metrópole cultural e criativa da Amazônia : Quais são as condições e possibilidade para que isso aconteça ? ». HOJE, às 11h, no Projeto Circular, pelo link https://youtu.be/UX9j4cezPaM

Sobre o banimento da música instrumental da Rádio Cultura

Corre rapidamente a notícia de que a Rádio Cultura baniu a música instrumental de sua programação diária, relegando-a a programas especiais. Gostaria de dizer que me uno ao coro dos descontentes com essa decisão.   Como bem disse o Delcley Machado, a música instrumental tem uma história e uma energia forte em Belém. Tem uma tradição de qualidade e de envolvimento de públicos. Desde os anos 1920, quando iniciou a febre dos “bailes de clube” com as diversas orquestras que atuavam na cidade - dentre as quais as dos maestros Guiães de Barros, Oliveira da Paz e Marcos Drago, dentre outros, passando pelo grande maestro Alberto Mota, já nas décadas de 1940 a 60 - Belém tem um envolvimento profundo com o instrumental. Tudo isso produziu heranças valiosas. No final dos anos 1960 e começo dos 70, o grupo Sol do Meio Dia - com o baixo de Minni Paulo, Odorico na guitarra, Zé Macedo na percussão e o baterista Magro, se formou na juventude católica de Belém, com apoio do fabuloso padre Raul e su...

Ainda sobre a Covid e a UFPA: corrigindo um erro e recuperando o debate que merece ser feito

A respeito do tema do planejamento da UFPA em relação ao ano de 2021 e ao retorno possível às atividades presenciais - tema que discuti em publicação anterior - gostaria de fazer uma correção e algumas observações. A correção diz respeito ao que afirmei sobre falha na tramitação interna do debate. Tomei por base, para afirmá-lo, o fato de que, na condição de representante docente junto à Congregação de minha unidade na instituição, o ILC, não havia recebido a minuta e os documentos que tratavam da matéria. De fato não os recebi, mas pela razão de que meu endereço email havia, por erro, sido excluído do mailling da Congregação. Essa situação foi esclarecida pelo ILC, o erro corrigido e, de minha parte, retiro minha consideração e peço desculpas pelo equívoco. Isto dito, sigo em direção às considerações: O texto produziu um debate interessante circulando em listas da UFPA, mas cabe dizer que esse debate elegeu um centro que, na verdade, é secundário: ou seja, desloca o debate dos verdade...

Covid: Repentina mudança de rumo na UFPA provoca crise institucional

A comunidade da UFPA foi recentemente surpreendida com uma proposta da reitoria de retorno às aulas presenciais associada à multiplicação punitiva da carga horária de trabalho e de estudos e à adoção de uma "política de bandeiras" - não pouco famosa e aclamada em redutos negacionistas. De meu ponto de vista, tenho a dizer o seguinte: 1) Sou radicalmente contra qualquer proposta que sugira o retorno das atividades presenciais antes que a população brasileira tenha sido vacinada e que o risco de contaminação da Covid-19 tenha sido dirimido. Inclusive, acho que temos, como cientistas, a responsabilidade social e política (grande ilusão achar que cientistas não têm responsabilidade política…) de transmitir à sociedade uma mensagem politica clara quanto a isso: retorno ao presencial só com a população brasileira vacina. 2) Estou me sentindo PROFUNDAMENTE desrespeitado por essa proposta. E isso por 2 razões:  A proposta, em si mesma, ao impor 3 semestres a serem realizados em um ún...