Pular para o conteúdo principal

Postagens

Palacete Faciola: lembranças e (bom) contradições...

1.  Feliz com a recuperação/restauração do palacete Faciola. Parabéns ao governo do Estado por isso. Ainda não fui lá, mas vi as fotos e escutei o que os amigos disseram. Tudo muito positivo.  Dona Inah deve estar feliz, lá do outro lado.  Lembro dela, pessoa avançadíssima. De um lado protegendo o prédio, um verdadeiro museu privado, como uma guardiã incansável. De outro, fazendo da sua própria casa o que alguns veriam como o oposto ao palacete: a casa « moderna » por excelência.  Dona Inah Faciola era vizinha e amiga de minha avó. Ambas moravam na Generalíssimo, esquina com a Antônio Barreto, uma de cada lado da rua.  No começo, minha avó tinha resistência a se entrosar com a vizinha, tal como muita gente no tempo deles. É que dona Inah era « separada » e, pior, « recasada » no Uruguai. Desses escâdalos que, na verdade, não escandalizavam ninguém mas que acabavam sendo um empecilho no trânsito com pessoas, digamos, mais sensíveis....

Terça, dia 14/06, estarei em Paraty conversando sobre O Réptil

Próxima 3a-feira, dia 14 de junho, estarei em Paraty, RJ, discutindo "O Réptil Melancólico" com o Clube de Leitura do Sesc. Será a terceira seção de conversas sobre o livro, lá em Paraty, agora com a presença do autor. As outras duas ocorreram nos dias 31 de maio, 04 de junho passado. Muito legal essa programação - um "esquenta" para o festival Literário Arte da Palavra, que acontece em Paraty em julho - e no qual também estarei presente - e para a Flip, que este ano acontece em novembro (quando espero estar outra vez por lá). Horário: das 19 às 21h Local: Sesc Santa Rita - R. Dona Geralda, 320 Centro Histórico, Paraty - RJ

Uma crítica de "O Réptil Melancólico" publicada no 451, da Folha de São Paulo

Por entre fissuras selvagens Atravessado por alegorias amazônicas e criaturas reptilianas, romance ilumina processos históricos João Roriz 25mai2022 15h58 (01jun2022 02h43) Ilustração de Veridiana Scarpelli Fábio Horácio-Castro O réptil melancólico Record • 384 pp • R$ 54,90 Preocupado em resgatar o valor estruturante dos mitos e dos ritos, Claude Lévi-Strauss refuta a premissa que os despreza como acidentais ou casuais em relação ao conhecimento humano acumulado. Para o antropólogo francês, antes da ciência moderna e de sua métrica de validação, as práticas de observação, experimentação e reflexão informavam as comunidades. Marco nas ciências sociais, o conceito de  bricolage  para Lévi-Strauss é esse fazer científico “primeiro” (designação preferida por ele, em vez de “primitivo”). Lévi-Strauss contrasta o labor do  bricoleur  ao de um engenheiro. O engenheiro é refém de suas matérias-primas e de um ferramental preconcebid...

Seminário do Sisa dia 26 de maio

 

Será mesmo hora da UFPA entrar em greve?

A Adufpa decidiu, numa assembleia realizada hoje (23/05), que a categoria docente da instituição entrará em greve a partir do próximo dia 6. Com todo respeito pela posição dos colegas, na minha opinião é uma greve desconectada do momento atual da luta política progressista, sem condições de mobilizar o apoio da sociedade e com um impacto perverso numa comunidade universitária que ainda busca se reorganizar depois da pandemia, um impacto particularmente cruel sobre os alunos.  É uma greve inconsequente, porque prejudica o processo de construção de alianças sociais amplas contra o autoritarismo e o fascismo e que, nesse sentido, pode servir para alimentar as forças conservadoras em pleno processo pré-eleitoral.  É uma greve irresponsável, porque ameaça o acesso à universidade de alunos e da comunidade que precisam dos serviços prestados pela instituição, inclusive alimentação. E, também, porque interrompe a já difícil retoma institucional depois da pandemia. É uma greve extempor...

Lançamento de "O Réptil Melancólico"

  Lançamento do meu romance "O Réptil Melancólico". Dia 17 de novembro, 19 horas SESC Ver-o-Peso (Boulevard Castilhos França, 522, Belém)

O Réptil Melancólico - booktrailer 1

 

Sobre Sebastião Tapajós

Lamento profundamente o falecimento de Sebastião Tapajós. A palavra “profundamente” não é à toa e evoca seu sentido imediato: tudo, no artista ST, era “profundamente”.   A tanto e a quanto ser impossível, para mim, encontrar sua obra na sua grandeza - porque não tenho ouvido para tanto, me resta dizer o quanto o escutei. Muito, sempre com grande admiração. Mas preciso dizer que, ao menos para mim, ST era um grande mistério.  ST não falava nem de si  e nem de sua musica.  Não explicava, não produzia condescendências...   A quem de ver, que visse e a quem de ouvir que ouvisse. Nas duas ou três vezes em que falei com ele, ele não me disse nada (no alentar dos fatos). Talvez que minhas questões tenham sido excessivas, quem sabe. Qualquer dia conto disso. Agora, o que resta, é o silêncio preenchido por música. 

Bate-papo sobre literatura amanhã, na Facom-UFPA

 

SOBRE OS 150 ANOS DA LEI DO VENTRE LIVRE – Essa hipocrisia que legitimou muitas formas obscuras de poder

Hoje, 28 de setembro de 2021, completam-se 150 anos da proclamação da Lei do Ventre Livre, um dos marcos intersubjetivos mais importantes, pelas consequências havidas, e, ao mesmo tempo, mais hipócritas, da história do Brasil.  Homenagens a esse marco jurídico, considerando sua hipocrisia e malefícios, não merecem ser feitas – embora, chocado, tenha-as visto por todo o lado, na mídia, nas falas oficiais, nas escolas.  Como se sabe, a referida Lei declarava livres a todos os nascituros de mulheres em condição de escravidão. Menos dito é que estabelecia que, mesmo livres, essas pessoas ficassem sob a tutela dos senhores proprietários da sua mãe até os 21 anos de idade.  Ou seja, sob a aparência liberal de libertar o indivíduo, legitimava sua “indireta” escravidão até a maioridade, beneficiando o escravocrata.  É esse marco jurídico que cria a figura da “cria de casa”, do afilhado, da aia, dos meninos e meninas que recebiam abrigo e alimentação, geralmente precários, em...

Post bobo, só pra registrar que ciência é vida

Terminei ontem meu curso anual no Naea, o “Formação Econômica e Social do Brasil e da Amazônia”. Grato pelo interesse, atenção, disposição e esprit de combat de todos e tantos alunos que me acompanharam. Estudar é saúde. Debater é fundamental. E a ciência é o que resta e o que fica. Sei que 12 horas de aulas por semana, durante um mês e meio, e mais de 40 textos para ler – a maioria deles clássicos, densos, extensos, vindos da economia, da ciência política, da sociologia e da história – é puxado, mas o resultado é sempre gratificante. Ideias, trocas, informações, discussões... Difícil expressar a satisfação e a sensação de completude que a gente tem quando termina um curso.  É isso, post bobo, só para registrar que a gente tem prazer e é feliz fazendo ciência, pensando, desconstruindo, fazendo a interdisciplinaridade, continuando, resistindo...

Sobre o filósofo Jean-Luc Nancy, morto recentemente

No dia 23 de agosto passado morreu, aos 81 anos, o filósofo francês Jean-Luc Nancy, professor emérito de filosofia na Universidade de Estrasburgo, onde ensinou de 1968 a 2004, e membro do Collège International de Philosophie.  Nancy atualizou a fenomenologia, usando-a para desenvolver ideias sobre os temas mais diversos: história da filosofia, literatura, política, arte, sexualidade, teologia, psicanálise, ociosidade e mesmo sobre a pandemia de Covid-19 (o livro Un Trop Humain Virus, 2020).  Em suas mais de duzentas obras, um tema constante foi a ideia de “comunidade”. Sobre esse tema escreveu a trilogia La Communauté Désœuvrée (Bourgois, 1986), La Communauté Affrontée (Galilée, 2001) e La Communauté désavouée (Galilée, 2014).  Nancy teve dois grandes parceiros na sua obra: Jacques Derrida (1930-2004) – sobre quem, por sinal, escreveu um livro — Le Toucher (2000) – e Philippe Lacoue-Labarthe (1940-2007), com quem diversos artigos e livros, de...

Como mobilizar o #ForaBolsonaro?

 O fiasco absoluto das manifestações políticas do MBL e do VPR, no último domingo (a primeira manifestação home-office da história) indicam claramente algumas coisas:  1. O grande empresariado brasileiro não autoriza esse povo a representá-lo e, consequentemente os deputados eleitos com base nesses movimentos terão dificuldade para sua reeleição.  2. A hostilidade enunciada à candidatura Lula está restrita a um núcleo ideologizado e muito estreito da sociedade. Há que se distinguir entre hostilidade real, hostilidade enunciada e hostilidade anunciada. Outra hora falo disso. Agora, cabe dizer que enunciação é o ato político maior da disputa, e que ela está baixa, no que tange à candidatura Lula 2022.  3. O modelo de protesto desses grupos, centrado numa semiótica do ressentimento, do preconceito e do ódio de classes, foi abalado e não conformará a base da disputa eleitoral de 2022.  4. A liderança das ruas e do combate ao governo Bolsonaro está com o campo progre...

Por que as forças progressistas não devem ir à manifestação de 12 de setembro

Para constar: é claro que não vou a essa manifestação contra Bolsonaro, convocada para amanhã, 12 de setembro. E acho que ninguém, no campo progressista, deveria ir. E digo por que :  1) É claro que sou a favor de que a luta contra Bolsonaro envolva a maior parte possível da sociedade brasileira ;   2) É claro que o papel de Lula é e deve ser o papel do grande estadista e conciliador do país ;  3) É claro que acho que a hora é de todo mundo ir para as ruas.  Mas :  4) É claro, também, que o MBL, que convocou essa manifestação de amanhã, pretende colocar as forças progressistas como caudatárias da sua visão de mundo e do seu projeto político, seja ele qual for.  E isso o campo progressista não deve permitir.  Justifico, observando que :  1) Todos devem marchar contra Bolsonaro, mas é um erro pensar que as forças progressistas devem marchar ao lado da direita neoliberal. Como dizia Mao, “combater juntos, mas marchar separados” – a propósito da...

Uma crônica (netnográfica) do bolsonarismo no 7 de setembro

O que faz uma pessoa sair às ruas para apoiar Bolsonaro? Dou uma olhada no meu Instagram e encontro algumas respostas. Imagens, frases e hashtags de pessoas que conheço, que foram à manifestação bolsonarista do 7 de setembro, traduzem disposições e disponibilidades que me ajudam a responder essa questão. Ou, ao menos, a cotejar algumas hipóteses.  Meio de brincadeira, mas falando muito sério (meio cronicando, mas também etnografando), vou vendo as imagens e identificando, inventariando, alguns tipos humanos bolsonaristas que encontro nas fotos:  “O eterno herdeiro” – Já na quarentena (de idade) ou mesmo na cinquentena, sabe que vai herdar a empresa do pai, ou seu patrimônio rentista, tanto faz. Bate ponto nessa empresa, finge que trabalha. Felizmente a empresa tem gestores, que fazem o trabalho real. Inseguro de sua posição tardia, precisa dar sinais do que entende como sendo “uma opinião madura e responsável” para se fazer respeitar pela própria família e por seu pai. E é com...

Por que o 7 de Setembro foi muito mal para Bolsonaro

Muitos de nós fomos dormir preocupados com a possibilidade de um transbordo da violência bolsonarista neste 7 de setembro. O receio de um golpe e as imagens dessa gente ocupando a Esplanada dos Ministérios, ontem à noite, com a leniência da polícia militar, assustaram. Porém, o dia acaba evidenciando que tanto Bolsonaro como o bolsonarismo saíram enfraquecidos. Tão pífio como o desfile patético dos tanques-calhambeques da Marinha, semanas atrás, foram as ridículas manifestações de hoje.  Primeiro, pela quantidade dos manifestantes em relação à expectativa. A manifestação de São Paulo ficou aquém da expectativa dos bolsonaristas, que seria de 2 milhões de pessoas. A manifestação de Brasília foi pífia, com 40 mil participantes, se muito.  Segundo, pelo desperdício do investimento. Os apoiadores gastaram muito dinheiro para “mostrar força”. E todos sabemos que muita gente estava sendo paga, como figurantes, com direito a hotel, comida e viagem de ônibus interestadual. Fica a perg...

10 Anos sem Benedito Nunes. Entre memória, apropriações e desvelamentos.

Benedito Nunes 01/03/2021 Alberto da Veiga Guignard, Bambus, 1937. Por  FÁBIO FONSECA DE CASTRO* Reflexões em torno das lições do filósofo sobre Martin Heidegger. Completaram-se, no último 27 de fevereiro, dez anos da morte do filósofo Benedito Nunes. Nascido em Belém a 21 de novembro de 1929, Benedito foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, mais tarde incorporada à Universidade Federal do Pará (UFPA) e, ainda, da Academia Brasileira de Filosofia. Sua atuação intelectual se deu em diferentes campos e subcampos das ciências humanas, da estética à teoria literária, da fenomenologia à história da filosofia, da hermenêutica aos estudos da poesia. Professor emérito da UFPA, Benedito atuou em diversas universidades, no país e no exterior, e produziu uma obra – composta por 22 livros e dezenas de artigos – reconhecida e influente como atestam os vários prêmios que recebeu, dentre os quais o  Prêmio Multicultural Estadão , o  Prêmio Jabuti de Literatura  (po...

130 anos da promulgação da primeira Constituição republicana brasileira: Com a atual já "eram" 7!

Mas o que ela fez e o que ela não fez?  Bom, algumas notas a seu respeito.  Promulgada a 6 de fevereiro de 1891, 15 meses após a derrubada de d. Pedro II, foi praticamente imposta pelos militares, dando ao Congresso apenas 3 meses para discutir um texto que já veio montado. 130 Anos da 1a Constituição republicana. Cabe lembrar que os militares, que deram o golpe da República, estrupiaram a Constituinte. Dificultaram a eleição dos seus adversários monarquistas, parlamentaristas e opositores do federalismo.  O que ela mudou? Em síntese: 1) descentralizou o poder, dando muito mais força para as províncias (agora “estados”); 2) Extinguiu o Poder Moderador, exercido pelo imperador e sinônimo da centralização do poder e da autocracia; 3) Substituiu o sistema parlamentarista pelo presidencialismo.  Obra de 2 grupos de pressão: o Apostado Positivista e a Igreja Católica. Mudanças: separação Igreja/Estado, casamento religioso perdeu validade, o Estado deixou de pagar o salár...

Aula: Formação histórica do Brasil

Estão todxs convidadxs para a aula Formação Histórica do Brasil, que será ministrado por mim, junto com a professora Marilane Teixeira, da Unicamp. A aula é parte do módulo Jornada de Formação Política do Brasil, promovido pela Democracia Socialista, seção Pará, e ocorre no sábado, 30 de janeiro de 2021, de 15 às 18 horas. Quem tiver interesse solicite o link para meu email: fabiofc@ufpa.br.

Considerações sobre a lei do aborto na Argentina

Não devo ter muito direito de dizer o que segue, porque minha compreensão do problema não é, senão, transcendental ao fato, considerando a elementaridade de que homens podem ter o poder, mas, jamais, terão legitimidade para dar sua opinião sobre o assunto.  Não obstante, como sou um ser opiniático e reflexivo, não me recuso a não dizer o que penso.  Falo a respeito do aborto, motivado pela legalização do mesmo na Argentina. Penso que se trata de um evento maior, desses de imensa magnitude e que faz questionar as referências hegemônicas.  Sendo muito sintético e objetivo, vou direto ao ponto: a legalização do aborto, na Argentina, é uma vitória cultural e política. É uma vitória das mulheres sobre os abusos históricos incondescendentes que a política e a cultura fazem do corpo feminino.  Dizendo de oura maneira: a legalização do aborto é uma vitória do corpo feminino sobre a política e sobre a cultura. Uma vitória do corpo feminino.  Uma vitória que se faz poss...