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Singularidade, clínica e pesquisa

Um dos temas importantes do seminário de ontem foi a idéia de singularidade. O texto que debatemos, do Enildo Stein, situa o fenômeno da singularidade no campo psicanálise e, portanto, ao nivel do sujeito. Porém, por meio do jogo entre "história contada" e "história não contada", colocamos a questão ressaltando que há uma diferença entre a singuralidade contada, equivalente a uma "identificação", e a singularidade não contada, presente no interstício. Um interstício, observe-se, que pode ser lido pela psicanálise. Bom, a singularidade é, talvez, o objeto central da psicanálise. Com a psicanálise estabelece-se a possibilidade de um conhecimento sobre a singularidade do ser humano. Os protagonistas desse processo são o enfermo e sua enfermidade, mas também o terapeuta. A base desse processo está assentada na descoberta do inconsciente. Bom, ocorre que a psicanálise não constitui o horizonte metodológico do Laboratório, posto que nosso campo de investigação se centra numa perspectiva sociológica, embora seja, a psicanálise, uma fonte permanete de inspiração. Então, que seria o tema da singularidade colocado sob o ponto de vista dos atores sociais grupais?, das coletividades?, dos processos sociais de indentificação e de produção dos sentidos identitários?

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