Segui os cursos de Bourdieu no Collège de France em 2000 e 2001, a bem dizer os últimos que ministrou antes da descoberta dos males que o combaliram tão rapidamente. Não sou bourdieusiano e penso que sua obra comete o pecado que Alan Caillé, em obra famosa em defesa de Marcel Mauss, chamou de “sociologismo”. Mesmo assim, li seus livros e artigos, e acho que ele é um dos autores mais importantes do século XX. O que falta na sua sociologia, acho, é uma maior consideração pelas dinâmicas da subjetividade. Tudo bem que essa palavra ressoa em grande parte de seu pensamento, inclusive em termos centrais, como habitus, por exemplo. Porém, toda discussão sobre a subjetividade feita por Bourdieu está centrada nos aspectos não centrais do verdadeiro problema da subjetividade. E aqui, mais uma vez, precisamos diferenciar as sociologias propriamente ditas – macroanalíticas e, segundo Alan Caillé, sociologizantes ou economicistas – das microsociologias que mais nos interessam como método de observação dos fenômenos simbólicos.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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