Em conseqüência, o habitus é visto, por Bourdieu, como um “condicionamento” – no horizonte do que esta palavra tem de “condicionante” e “determinante”. Evoquemos, para comprová-lo, o que escreve o sociólogo em O Senso Prático: “Os condicionamentos associados a uma classe particular de condições de existência produzem os habitus, sistemas de disposições duráveis e transmitíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, ou seja, como princípios geradores e organizadores de práticas e representações que podem ser objetivamente adaptadas a seu fim sem pressupor uma ação consciente de fins e o controle expresso das operações necessárias para atingi-los” (“Les conditionnements associés à une classe particulière de conditions d'existence produisent des habitus, systèmes de dispositions durables et transposables, structures structurées prédisposées à fonctionner comme structures structurantes, c'est-à-dire en tant que principes générateurs et organisateurs de pratiques et de représentations qui peuvent être objectivement adaptées à leur but sans supposer la visée consciente de fins et la maîtrise expresse des opérations nécessaires pour les atteindre” - Le sens pratique, Minuit ,1980, p.88). Não obstante, há uma diferença sensível entre a percepção bourdieusiana e o efeito de “condicionamento” presente nas sociologias de filiação marxista menos contemporêneas. Essa diferença está expressa na idéia de que as ações sociais, pela força do habitus, são coletivamente orquestradas sem que sejam o produto de um maestro (“collectivement orchestrées sans être le produit de l'action organisatrice d'un chef d'orchestre” – ib.)
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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