O segundo texto trabalhado no Seminário de ontem, denominado "Áreas culturais na modernidade tardia", de autoria de Ana Pizarro, está presente na mesma coletânea referida no post anterior (pp. 21-36). O texto foi apresentado pela Ercília Wanzeler, também bolsista do projeto Tribos Urbanas. Discutimos como a noção de "área cultural" tem se tornado imporante para os Estudos Culturais. Talvez tenha faltado complementar a discussão observando que a oção de "modernidade tardia", que vem sendo amplamente utilizada pelos pesquisadores de alguns programas de pós-graduação em letras no Brasil, notadamente os da UFMG, apresenta alguns problemas. A modernidade de Minas e do Rio de Janeiro é fundamentalmente tardia, mas o gênero de modernidade observável em outras regiões brasileiras - e me parece que belém é o exemplo mais notável - não é tardia. Isso é uma longa discussão, presente no meu trabaho de mestrado (que, aliás, será publicado em março próximo). Não vou aprofundá-la agora. Quanto à idéia de área cultural, notamos que, ela também, apresenta alguns problemas sensíveis, alguns previstos por Pizarro, quando refere uma "área cultural amazônica". Porém, mal previsto. Em nosso caso, precisamos trabalhar com uma perspectiva heterodoxa um tantomais radical, para compreender o que realmente se passa. Fica o tema para discussão.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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