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O desejo e a subjetividade

Uma subjetividade ordenada pelo desejo é um produto histórico. Foucault bem o sabe. No começo da História da Sexualidade demonstra a sexualidade como um dispositivo da subjetividades. Desse modo, sugere que o desejo é construído historicamente e que o sujeito do desejo – o ser que deseja, ou que é acometido pelo ato de desejar – é, na verdade, uma experiência re-dita, uma experiência repetida, uma prática. Na civilizaçã grega essa prática tem até mesmo nome: aphrodisia, ou seja, os frutos e saberes de Afrodite, a deusa do amo. “Os aphrodisia são atos, gestos, contatos, que proporcionam uma certa forma de prazer”, diz Foucault, acrescentando que os gregos não precisaram definir, objetivamente, o que eram os aphrodisia. Isso porque não lhes parecia necessário hierarquizar condutas, dizer o que era permitido ou proibido, classificar comportamentos e padrões de tolerância, etc. Prática social, o desejo é contíguo ao prazer. Não separam-se. Contêm-se, ambos, na categoria dos aphrodisia. Formam um só conjunto: “Na experiência dos aphrodisia (...) ato, desejo e prazer formam um conjunto cujos elementos, é verdade, podem ser distinguidos mas que são fortemente associados uns aos outros. E é precisamente seu vínculo estreito que constitui um dos caracteres essenciais dessa atividade”. O desejo leva ao ato, que leva ao prazer que leva de novo ao desejo.

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