O tema da sexualidade, na cultura contemporânea, articula-se ao tema do supérfluo. A sexualidade descreve-se como supérflua porque o desejo é moralmente codificado como supérfluo. Obviamente que o tema não é recente. Uma metafísica do desejo como algo supérfluo pode ser encontrada na ontologia platônica. No Banquete, propriamente, talvez por meio de uma contaminação epicuriana, pela qual se sugere que o prazer das belas coisas se conforma como um prazer sensual, um prazer dos grandes espíritos. Por meio de uma empatia. Os gregos chamavam o desejo de pathos erotikon. A respeito dele, Epicuro sugeriu que a única forma de fugir à tentação do desejo é suprimir a visão do objeto desejado. O que é curioso. Porque o conforma como um plus à vida quotidiana. A bem da verdade, essa moral do supérfluo se deve a Epicuro, que fez tantas diferenças entre prazeres puros e impuros, que condenou “a alegria de rapazes e moças”, e que descreveu a fome, e não o amor, como “o grito da carne”. Muito bem para um espírito politicamente correto, mas é fato que também a carne grita por um pouco de amor. Será necessário esperar chegar o século XX e toda a coleção de temas sobre nevroses sexuais que ele botou sobre a nossa mesa para, efetivamente, podermos tematizar a sexualidade como uma metafísica do ausente estruturadora das nossas práticas afetivas. Podemos nós sermos perfeitamente felizes sem associarmos sexualidade e superflubilidade em nossa vida quotidiana? Relegar os prazeres sensuais do corpo à condição de uma abstração dos grandes espíritos, e completar dizendo que é a fome, e não a vontande sexual que constitui o “grito do corpo” é de um cinismo sem conta. Prova-o, aliás, aquele conhecido episódio relatado por Diógenes Cínico a respeito de Diógenes Laércio, dizendo que este, ao ser incomodado pelas autoridades por estar-se masturbando numa praça pública de Atenas, respondeu-lhes que seria muito bom se se pudesse matar a fome da mesma maneira e que, caso fosse isso possível, as autoridades não estariam a incomodá-lo.
Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene : Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...
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