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Imperativo categórico

Não se espere que se venha a falar, indiscretamente, sobre o governo do qual participei e participo. Em primeiro lugar porque a confiança que se nos é depositada, em qualquer situação da vida, mais ingrata ou menos ingrata, exige a retribuição da discrição – até que possa se tornar - por si mesmo, bem entendido - história. Em segundo lugar, porque minha fé no coletivo é profunda, e ela postula que a condição de ser ou ter sido secretário de estado só se torna relevante diante dos projetos comuns e coletivos. Para mim, essas coisas são “imperativos categóricos” - no sentido kantiano do termo. Ou seja, coisas impossíveis de serem questionadas, coisas que nem mesmo à razão se submetem.

Não obstante, precisarei falar aqui de comunicação, e para isto conto usar e duvidar da experiência que referi acima. Trata-se de uma fé didática. Precisamos ensinar a sociedade a se defender de sua mídia. E precisamos aprender com ela a nos defendermos de nossa mídia – da que nos envolve e da que produzimos.

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