Não se espere que se venha a falar, indiscretamente, sobre o governo do qual participei e participo. Em primeiro lugar porque a confiança que se nos é depositada, em qualquer situação da vida, mais ingrata ou menos ingrata, exige a retribuição da discrição – até que possa se tornar - por si mesmo, bem entendido - história. Em segundo lugar, porque minha fé no coletivo é profunda, e ela postula que a condição de ser ou ter sido secretário de estado só se torna relevante diante dos projetos comuns e coletivos. Para mim, essas coisas são “imperativos categóricos” - no sentido kantiano do termo. Ou seja, coisas impossíveis de serem questionadas, coisas que nem mesmo à razão se submetem.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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