27 julho 2009

Heranças à Esquerda 5

Trotsky I

2008 deixou outra herança a reivindicar: o trotskysmo. Não necessariamente aqui, no Pará da DS – Democracia Socialista, tendência petista trotskysta, à qual pertence a Governadora Ana Júlia e uma parte importante do governo – mas no movimento socialista internacionalista. O que motiva reivindicar essa herança é a morte, em 2008, de Pierre Lambert, líder pretensamente trotskysta de uma muito famosa OCI – Organização Comunista Internacionalista.

Em minha opinião, eis aí alguém que morreu e não deixou saudades. A mim, pelo menos, o pensamento de Pierre Lambert soa como oportunismo e proselitismo. Sua própria herança compõe um revisionismo das idéias de Trostky superado apenas pelo pablismo, e de muitas maneiras é dele derivado.

Na verdade, falar da herança de Lambert exige falar da herança do pablismo, um movimento revisionista surgido na França no começo dos anos 1950 e que gerou debates calorosos na esquerda mundial. O que quer dizer revisionista¿ Um voltar atrás nas idéias, um dar o braço a torcer. Na prática, um retorno ao stalinismo, que, como se sabe, é o oposto radical do trotskysmo. Michel Pablo, codinome de um imigrado russo, advogava uma leitura progressista de Stalin. Deixou-se empolgar com as nacionalizações promovidas pela URSS no leste europeu. Guiados por ele, um número grande de trotskystas retornou à esfera stalinista. Porém, na verdade, isso era apenas o pretexto para uma estratégica política desastrada e espúria de ocupação de espaço, baseada sempre no obscurantismo e na dissimulação.

Pablo propunha aos trotskystas uma estratégia entrista nos partidos de comunistas dos diversos países, o que equivaleria a penetrar nas máquinas burocráticas partidárias e estatais para, depois, transformá-las em máquinas políticas.

No jargão da esquerda o entrismo significa a invasão de um grupo político por indivíduos que, na verdade, pertencem a outro grupo e que, havendo ali se infiltrado, atuam no sentido de derrubar teses e direcionar o novo grupo num caminho útil ao seu grupo original. Normalmente não funciona. Aliás, do ponto de vista ético, o entrismo dá provas de toda indignidade. E, por outro lado, até prova em contrário – e na boa – todo revisionismo é desmoralizante. O lambertismo é herdeiro do entristo e do revisionismo pablista, ainda que Lambert tenha uma longa história de atritos com os seguidores de Pablo. E o que significa isso? Uma prática política esquiva, que renunica a falar para as massas e que se aproxima dos poderosos, que atua na surdina e, sem méritos mais laicos, à noite. Que nega o debate, a democracia das idéias e que por isso, a meu ver, trai os ideais trotskystas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quanta besteira nessa ´postagem!
Se na 'guerra fria' não era o stalinismo (que abarava inclusive o guevarismo e o maoismo), ainda a social democracia em seu auge reformista e de apoio operário e o nacionalismo progressista as principais referencias de massas, quem mais?
O pablismo identificou uma era de expansão da revolução e desenvolvimento de crise no stalinismo pelo acirramento da guerra fria, crescimento dos movimentos de libertação nacional, revolução cultural na China, e contestação interna das nomenklaturas, sem falar no Maio de 68 e propos que os trotskistas saissem do gueto resistente necessário pelo duro período ribentrop-molotov para tentar impulsionar essas condições favoráveis, como parte do velho preceito marxiano de "não erguer muralhas entre os comunistas e as demais correntes políticas proletárias".
Claro que Pablo não foi um Lenin de sua época, até porque estava limitado pelas condições nefastas de isolamento ideolgógico e social concreto do trotskismo, mas foi de longe a melhor caracterização entre os seguidores do velho Leon, que conseguiu apresentar alguma novidade entre o marxismo trotskiano que não velhas formas dogmáticas de sobrevivencia política pelo espírito de seita.
Pelo seu post, até o PSTU fala às massas!. Ora por favor, professor!