O trabalho de Homi Bhabha é influenciado pela psicanálise e pelos estudos literários, dentro da perspectiva dos cultural studies. Bhabha sugere que o outro não é um ser externo ao eu, mas uma projeção do incognoscível e do irrealizável, que permanentemente corroem a unidade e a plenitude de toda identidade, de todo próprio, de toda ética, de todo eu. Fora da escala do ser individual, passando à escala do ser social, esse processo representa a relação conflituosa entre projetos de coesão (por exemplo, a coesão nacional) e os retalhos de uma realidade marcada pela diáspora e pela diversidade. Amazônidas que somos, colonizados que somos, precisamos fazer nossa "autoetnografia". Recuperar os sons e a fúria da nossa diáspora identitária. Precisamos externalizar a visão que temos de nosso colonizador.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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