A 70 anos de sua morte, hoje celebrados, Freud ainda ensina, e me ensina o seguinte: o inexplorável não é inexorável. Leibnitz já havia teorizado sobre o inconsciente, um século antes de Freud, mas Freud deixou clara a diferença entre o inconsciente (matéria prima da psicanálise) e o subconsciente (matéria prima da psicologia). Elizabeth Roudinesco, cuja clareza de pensamento concorre com a própria capacidade mnemônica, tem observado como a psicanálise, hoje, é dominada por um pensamento neoconservador, mas também prevê a rebelião próxima – como, aliás, seu mestre, Lacan. Temos chance de fazê-la a partir dos Estudos Culturais. Ou, a partir de uma reflexão sobre o papel do desejo na contemporaneidade. Já não é, afinal, a mesma coisa. E a psicanálise é, antes de tudo, uma teoria sobre o desejo. Ou, a patir da nossa compreensão da política, pois vacilar eternamente entre o Bem e o Mal é doloroso. Ou, ainda, porque, ainda, vamos ao cinema, porque a melhor maneira de ver um filme é pelas lentes que enxergam o inconsciente. E assim, hoje, por esses singelas razões, caminhemos lentamente até o número 19 de Berggasse, que seja porque Freud é 70 hoje, que seja porque vamos, na próxima terça, construir uma revolta.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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