07 outubro 2009

Heranças à Esquerda 20



O marxismo ocidental 2: O último esforço
Luckás (1885-1971), Korsch (1886-1971), Gramsci (1891-1937) e Benjamin (1892-1940) formam a entente inaugural do marxismo ocidental. Esses quatro indivíduos representaram o primeiro e último esforço do marxismo ocidental para manter a tradição marxista dos intelectuais dialogarem com as massas. Isso porque todos eles tiveram essa disposição no início de sua carreira, cada um a seu modo. Militaram num partido ou no movimento estudantil, pertenceram a comitês, escreveram teses que foram publicamente debatidas, pertenceram a governos comunistas e atuaram em círculos operários. Coisas que todos os intelectuais marxistas sempre fizeram. Porém, cada um a seu modo e pelas mais diversas contingências da história, se afastaram radicalmente de toda militância. O pano de fundo desse afastamento foi, certamente, o fascismo europeu, que foi cerceando a possibilidade de expressão desses autores e os condenando direta ou indiretamente à morte (Gramsci e Benjamin) ou ao exílio, de Korsch nos Estados Unidos e de Lukács na União Soviética.
Já com eles, e depois deles, o marxismo ocidental se tornou uma linguagem cifrada, para utilizar a expressão de Anderson.
Porém, uma cifra que o manteve vivo, pensante, ativo, ao contrário de toda a tradição marxista-leninista, impedida, pela política, de fazer qualquer coisa de novo, de toda inteligência e de toda forma de autocrítica.
Por isso, o marxismo ocidental representa, se podemos dizer assim, uma continuação renovadora. Renovadora porque não temeu botar abaixo as idéias feitas, os chavões instrumentalizados pela política e a pulsão de imobilismo presente nas formações partidárias e, sobretudo, no estado soviético.
O marxismo ocidental representa aquilo que, no começo desta série de artigos chamamos de a “grande política”, a que pensa a longa duração, e não somente o factual, a “pequena política”.
E dentro desse quadro cabe notar que as forças imobilistas da esquerda fizeram desses autores, sobretudo de Gramsci, uma espécie de ícone póstumo, ou de mártir do movimento ao mesmo tempo em que distorciam ou negligenciavam sua obra. O Partido Comunista Italiano o fez, transformando Gramsci num mártir e, assim, em ícone ideológico, mas em simultâneo proibindo ou dogmatizando a leitura da sua obra. 

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