O Pará é o ponto inicial da experiência humana na Amazônia e, por esse motivo, reúne, dentre os seus 7,5 milhões de habitantes, populações culturalmente diversas, envolvidas em atividades econômicas igualmente diversas. Quando o Amazonas e o Acre surgem como povoamentos importantes, ao final do século XIX, o Pará já tinha 300 anos de história, 300 anos de conflitos, 300 anos de experiência humana na Amazônia. O resultado disso é uma diversidade humana notável: mais de 60 etnias indígenas, um campesinato de várzea heterogêneo e um campesinato "de estrada" mais recente, quase 400 comunidades quilombolas, uma herança africana riquíssima, fluxos de imigrações portuguesa - sobretudo minhota e beirã -, açoriana, galega, italiana, japonesa, síria e libanesa e isso sem falar do povoamento colonial e dos fluxos migratórios induzidos do século XX, que trouxeram ao estado populações importantes de cearenses, maranhenses, gaúchos e mineiros. A diversidade humana, em si não constitui um fator dificultador, mas isso acontece quando cada um desses grupos, isoladamente ou em conjunto, se dedicam a formar sistemas agrários próprios, com suas próprias práticas de produção e articulação do capital.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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