O Pará é o ponto inicial da experiência humana na Amazônia e, por esse motivo, reúne, dentre os seus 7,5 milhões de habitantes, populações culturalmente diversas, envolvidas em atividades econômicas igualmente diversas. Quando o Amazonas e o Acre surgem como povoamentos importantes, ao final do século XIX, o Pará já tinha 300 anos de história, 300 anos de conflitos, 300 anos de experiência humana na Amazônia. O resultado disso é uma diversidade humana notável: mais de 60 etnias indígenas, um campesinato de várzea heterogêneo e um campesinato "de estrada" mais recente, quase 400 comunidades quilombolas, uma herança africana riquíssima, fluxos de imigrações portuguesa - sobretudo minhota e beirã -, açoriana, galega, italiana, japonesa, síria e libanesa e isso sem falar do povoamento colonial e dos fluxos migratórios induzidos do século XX, que trouxeram ao estado populações importantes de cearenses, maranhenses, gaúchos e mineiros. A diversidade humana, em si não constitui um fator dificultador, mas isso acontece quando cada um desses grupos, isoladamente ou em conjunto, se dedicam a formar sistemas agrários próprios, com suas próprias práticas de produção e articulação do capital.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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