Há no Pará duas matrizes econômicas. Uma delas é a matriz econômica de raiz, que decorre da simbiose da sociedade colonizadora com as populações tradicionais. É a matriz da economia cabocla, autosustentável e autoregulável. Essa matriz perdeu seu espaço nas últimas décadas para a outra matriz, a economia produtivista, que procura converter qualquer território, independente de sua experiência histórica, à lógica do grande capital. A matriz cabocla ocupa cerca de 65% do território paraense, o equivalente a uma área com cerca de 1,6 milhão de km2 e ocupa cerca de 2 milhões de paraenses. Ela precisa ser protegida, porque é a garantia de preservação da floresta e das populações que aí habitam, e por isso uma das grande dificuldades estruturais do Pará é controlar a expansão predatória da segunda matriz. Esta, ocupa uma área com cerca de 600 mil km2 e abriga 5,5 milhões de paraenses. Ela concentra a maioria dos problemas sociais e fundiários do estado.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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