Há no Pará duas matrizes econômicas. Uma delas é a matriz econômica de raiz, que decorre da simbiose da sociedade colonizadora com as populações tradicionais. É a matriz da economia cabocla, autosustentável e autoregulável. Essa matriz perdeu seu espaço nas últimas décadas para a outra matriz, a economia produtivista, que procura converter qualquer território, independente de sua experiência histórica, à lógica do grande capital. A matriz cabocla ocupa cerca de 65% do território paraense, o equivalente a uma área com cerca de 1,6 milhão de km2 e ocupa cerca de 2 milhões de paraenses. Ela precisa ser protegida, porque é a garantia de preservação da floresta e das populações que aí habitam, e por isso uma das grande dificuldades estruturais do Pará é controlar a expansão predatória da segunda matriz. Esta, ocupa uma área com cerca de 600 mil km2 e abriga 5,5 milhões de paraenses. Ela concentra a maioria dos problemas sociais e fundiários do estado.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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