Sim, necessariamente, porque se trata de uma disputa entre modelos de desenvolvimento. De um lado o modelo de desenvolvimento espoliador, presente desde o primeiro segundo da presença européia na Amazônia, um modelo perpetuado pelo estado brasileiro. De outro, um outro modelo de desenvolvimento, que acredita que um outro mundo é possível. Não é possível implementar, mesmo que parcialmente, esse outro modelo de desenvolvimento, se não for por meio de um projeto político de esquerda. Isso se deve ao fato de que as forças históricas que tradicionalmente governam a Amazônia são forças, como disse, espoliadoras, ou seja, interessadas exclusivamente no seu lucro, sem nenhum compromisso redistributivo, com a justiça social ou com a sustentablidade.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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