Julgo que é necessário que a esquerda produza, incessantemente, sua autocrítica. Sem negar a importância da ação política do Partido dos Trabalhadores, meu partido, penso que seria necessário avançar mais em certas conquistas sociais. Também penso que os rumos do PT, hoje em dia, tendem a reproduzir o modelo da social-democracia européia, e que esse não é o caminho ideal. Digo isso como exemplo e se o escrevo aqui é acreditando, sempre, que o debate de idéias é um debate de posições. Da mesma maneira, se utilizo o termo “esquerda” é para assinalar que devemos marcar posições, reconstruir territórios, advogar e administrar “heranças à esquerda” e não como mero passadismo. A esquerda sobre a qual falo é a do futuro mais que a do presente e, de jeito nenhum, a do passado. É uma esquerda a inventar.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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