Julgo que é necessário que a esquerda produza, incessantemente, sua autocrítica. Sem negar a importância da ação política do Partido dos Trabalhadores, meu partido, penso que seria necessário avançar mais em certas conquistas sociais. Também penso que os rumos do PT, hoje em dia, tendem a reproduzir o modelo da social-democracia européia, e que esse não é o caminho ideal. Digo isso como exemplo e se o escrevo aqui é acreditando, sempre, que o debate de idéias é um debate de posições. Da mesma maneira, se utilizo o termo “esquerda” é para assinalar que devemos marcar posições, reconstruir territórios, advogar e administrar “heranças à esquerda” e não como mero passadismo. A esquerda sobre a qual falo é a do futuro mais que a do presente e, de jeito nenhum, a do passado. É uma esquerda a inventar.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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