O blog lamenta profundamente a morte de Neuton Miranda, ocorrida ontem a noite, em Belterra. Neuton, que ocupava o cargo de superintendente do Serviço do Patrimônio da União (SPU) no Pará e que era presidente regional do PC do B, vai muito prematuramente, aos 61 anos. Sua vida foi plena de dignidade e sua postura serena e equilibrada deu lições a todo o campo da esquerda e a toda a sociedade paraense. Recordo quando rompeu a aliança de seu partido com a coalização que, liderada pelo PSDB, governava o Pará. Foi um gesto de coerência, antes de tudo, pois se deu imediatamente após o massacre de Eldorado de Carajás, em 1996. Porém, além de um gesto de coerência, foi também um gesto político, o que mostra que a coerência pode ter um efeito que já nem se lhe atribui, no campo cínico da política. Imagino como foi duro, para o governo Almir Gabriel, ser abandonado pelo pequeno, mas digníssimo aliado. Fica aqui minha solidariedade à família e a todos os companheiros do PC do B.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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