28 abril 2010

Heranças à Esquerda 32

Esquerdas Brasileiras 3: O PCB 3 – A dissolução, em 1991
Em 1991, a liderança do PCB estava sendo disputada por três chapas. Roberto Freire, Sérgio Arouca e Salomão Malina lideravam a tese da reformulação partidária reunidos da chapa “Socialismo e Democracia”. Eram apelidados de “renovadores modernizantes”. Um grupo mais “ortodoxo”, o dos “renovadores revolucionários”, se reunia em torno da chapa “Fomos, Somos e Seremos Comunistas”. Um terceiro grupo formava a chapa “Política de Esquerda pelo Novo Socialismo”.
A primeira dessas chapas obteve 54% dos votos e determinou a composição do novo Diretório Nacional. Isso significou a vitória das teses liberalizantes. Na prática, representava a superação dos conceitos de partido único, ditadura do proletariado e centralismo democrático. A economia de mercado numa sociedade socialista passava a ser a nova bandeira dos comunistas. Logo, os “renovadores modernizantes” extinguiam o PCB para criar o Partido Popular Socialista (PPS).
O grupo dos “renovadores revolucionários”, composto por diversos quadros históricos,  começaram a organizar um “novo” partido... o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
A morte do Partidão estava anunciada há muito. A criação do PPS correspondia à mera satelitização de um partido sem heranças à esquerda, bichado, estragado, cedido.
A lição que fica para a história é que reforma é reforma, e revolução é revolução. Um partido “de quadros” já não fazia sentido no Brasil, porque a realidade histórica se mostrou mais complexa que o etapismo. A história não é linear e a dialética, enquanto método de compreensão da história, pode não ser mais que um instrumento discursivo que, à força de demais simplificar, perde a crônica das coisas que passam.
Porém, podemos perguntar: O que aconteceu, então, com o comunismo – para além do que aconteceu com o PCB?
A partir daqui vai da opinião de cada um. A minha percepção, pessoal e que não deve ser vista como algo definitivo, é que o PPS não representa nenhuma forma de continuidade do comunismo. Sei que é uma visão que gera polêmica e que, a ser exata depende de toda uma história futura, ainda em aberto, mais que da curta vida do PPS como partido.
Penso que a herança do comunismo, propriamente, que é uma herança à esquerda mas não toda a herança à esquerda, tem por depositário simbólico primordial o PCdoB, embora seja uma herança prática disseminada por vários partidos, como o PT e, inclusive, o PPS.
Para além da questão político-partidária, as heranças à esquerda deixadas pelo PCB foram muitas, e precisamos enumerá-las. Vamos a elas, para bem além do PPS e retornando ao passado do PCB.

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