15 maio 2010

Reflexão sobre os relatórios da AGE

Quando ocupei o cargo de secretário de comunicação do Governo enfrentamos situações de crise. Cometemos erros e acertos, mas pudemos aprender com alguns erros. Distante do cargo e das situações de crise, o aprendizado dos erros tende a se consolidar, o que é natural, porque é inevitável deixar de projetar cenários políticos e midiáticos em meio aos desafios atuais, interessantes como são.
Em relação aos relatórios da AGE, penso que a situação se agrava diante da dificuldade política, do nosso governo, em assumir as responsabilidades de prestação de contas que necessariamente tem.
Neste caso preciso, seria necessário tomar a dianteira da palavra. Fornecer abundantes informações a respeito dos relatórios de auditoria feitos pela AGE, mais do que os próprios relatórios dizem, ir à fundo nos esclarecimentos, relacionar as providências que já foram tomadas e justificar as razões pelas quais não autorizou a AGE a encaminhar os relatórios, quando solicitado.
A fala do secretário de governo, Edílson Silva, feita ontem à imprensa, não ajudou a proteger o governo. Ela protege a setores do governo e o faz sob a justificativa de proteger a todo o governo. E essa é a dificuldade política sobre a qual me referi acima. Por que isso se dá? Porque sua fala foi parcial e adotou uma estratégia de minorar os efeitos do fato.
À imprensa, isso passou uma idéia de “fuga ao tema”, de acuamento e, talvez, de certa arrogância. Isso tudo constrói uma idéia de distanciamento – em relação ao fato, ao debate público e à própria realidade.
Convenhamos, é uma deficiência do meu governo. Muitas vezes, bem o sei, atribuída à comunicação, embora seja, na verdade, uma deficiência de ordem política. Na prática sempre foi conveniente tornar a comunicação o bode expiatório dos problemas políticos.
Nenhum problema de comunicação de governo é um problema de comunicação, exclusivamente. Tudo vem a ser um problema de comunicação política. A maneira como a comunicação comunica traduz o movimento tático político do governo. Traduz a expectativa de audiência, o receio, a vontade, o amálgama de paixões que emanam da sua substância política, que todos sabemos, é complexa até a dogma.
O que as posições assumidas traduzem, me parece, é uma postura política marcada pela idéia de autosuficiência. Não que isso decorra de alguma falta de humildade, ou espírito democrático, ou coisa similar, mas sim de uma concepção política de que é melhor agir dessa maneira. É a tese que tem prevalecido, mas como disse, ela não protege o governo, mas sim uma parte dele, e é dessa parte que provém a tese.

4 comentários:

Anonymous disse...

Vou dar uma ligada para o Paulo Roberto para ver se ele ainda está inteiro.

Anonymous disse...

Olhe Fábio, sendo seu amigo, antes eu sentia muito você ter saído do governo; mas hoje eu fico aliviado. Eta cara! ainda bem que tu saiu dessa. mano, como secreta de comunicação tu ia tá fufu.

Anonymous disse...

Fábio, comunicação é sempre faca de dois gumes. Mas uma coisa ela não é, e nem nunca foi neste governo, incompetente. Sabemos, nós aqui, que é muito conveniente que ela seja o bode expiatório. Mas que para o bem de uma possível reeleição, 'que assim seja'. talvez o PT, assim, se reeleja. Só não sei se ele vai conseguir governar!

Anonymous disse...

Fábio, viste o Diário do Pará ontem? Acho que vale a pena. Aguardamos teus comentários.