07 junho 2010

Alfabetização midiática

Reproduzo trecho da entrevista concedida pelo vice-diretor-geral-adjunto para Comunicação da Unesco, o dinamarquês Mogens Schmidt, ao jornalista José Meirelles Passos e publicada no jornal O Globo:
O que vem a ser essa iniciativa da Unesco denominada como “alfabetização midiática”? 
É uma maneira de dar às pessoas o poder de, elas mesmas, utilizarem a mídia, para se expressar e, assim, participar mais da sociedade. Mas, também, fazer isso de uma forma que possam refletir, criticamente, sobre o que a mídia tradicional traz para elas e, também, decodificar o que acontece nos meios de comunicação.
E como, na prática, essa iniciativa é aplicada? Quem é o alvo central dela? 
Há três níveis de alcance. Um deles engloba crianças de 9 a 15 anos. Desenvolvemos um currículo e uma “caixa de ferramentas” para ajudar professores a treinar as crianças. Outro diz respeito aos próprios profissionais de imprensa, fazendo-os pensar mais seriamente sobre a sua responsabilidade. E o terceiro é formado por proprietários de meios de comunicação e de publishers, buscando fazer com que também repensem a sua atividade.
O objetivo da Unesco é o de incentivar a criação de novos meios, populares, que sirvam de contraponto à mídia tradicional?

O esquema funciona assim: você ensina as pessoas a desenvolverem meios de comunicação: criar um jornal, um website e, a partir disso, discutir tal iniciativa. Ou seja: colocando a mão na massa, elas passarão naturalmente a perguntar “por que fiz tal coisa?, por que disse ou escrevi tal coisa?, por que usei tal informação?, qual a lógica por trás de uma determinada escolha? Fiz a coisa certa ou não? Cedi a algum tipo de influência, de pressão? Por quê?”. Dessa forma, as pessoas passarão a saber julgar melhor a mídia. É, portanto, uma alfabetização midiática.
E quanto aos profissionais do ramo? Qual o objetivo dessa iniciativa da Unesco? 
Estamos trabalhando com várias organizações de jornalistas profissionais, em todo o mundo, com relação a padrões profissionais, desenvolvendo manuais de redação, sistemas de transparência e responsabilidade. Tudo isso baseado em autorregulação. O objetivo é dialogar sobre o que, afinal, é bom jornalismo, quais são os bons padrões éticos profissionais. Precisamos refletir mais sobre o que estamos fazendo, como jornalistas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Fábio, interessante como Schmidt, sublinarmente, coloca o jornalista em relação aos donos de meios de comunicação; para ele, me parece, não existe muita diferente, ambos devem ser tratados da mesma forma, portanto receberão o mesmo tratamento, ainda que eles tenham procurado fazer uma divisão "em etapas".
Luíza.