Pular para o conteúdo principal

Política de comunicação 1: Proposta

Começo hoje uma nova série de posts no blog: Política de comunicação. O objetivo é mapear e discutir os principais pontos que estão no debate nacional a respeito da comunicação, tentando sistematizar o debate e esclarecer os leitores do blog sobre as posições dos jogadores e sobre o que está em jogo. Vou discutir temas como a convergência midiática, a lei da TV à cabo, a questão da TV digital, a nova lei de publicidade, a questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista, a função da pesquisa em comunicação, etc.
Vou procurar dar um caráter bem didático a esses temas, explicando a situação deles na sociedade brasileira atual, os interesses que estão em jogo e as estratégias dos jogadores.
Meu objetivo é precisar o que seria uma política de comunicação realmente democrática, popular e universal. Ou seja, uma política pública de comunicação. Dizendo de outra forma, uma política de comunicação que supere as amarras do mercado e do marketing eleitoral. Uma política de comunicação que não se submeta à pressão dos oligopólios ou aos interesses E, a partir daí, agregar elementos para construir idéias e propostas de ação e tomadas de posição.

Ah, em época eleitoral, esta política pública de comunicação está livremente ofertada aos candidatos. Quem quiser pode, simplesmente dar ctrl+c / ctrl+v ou, se quiser ir mais à fundo, me procurar, que eu construo plataformas, costuro acordos com os setores, assessoro, escrevo discursos empolgantes e escrevo projetos de lei, sobre esse assunto, sem cobrar nada por isso. Nada mesmo. Zero.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Comentário sobre o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula

Já se sabe que o retorno de Lula à chefia do Estado brasileiro constitui um evento maior do cenário global. E não apenas porque significa a implosão da política externa criminosa, perigosa e constrangedora de Bolsonaro. Também porque significa o retorno de um player maior no mundo multilateral. O papel de Lula e de sua diplomacia são reconhecidos globalmente e, como se sabe, eles projetam o Brasil como um país central na geopolítica mundial, notadamente em torno da construção de um Estado-agente de negociação, capaz de mediar conflitos potenciais e de construir cenas de pragmatismo que interrompem escaladas geopolíticas perigosas.  Esse papel é bem reconhecido internacionalmente e é por isso que foi muito significativa a presença, na posse de Lula, de um número de representantes oficiais estrangeiros quatro vezes superior àquele havido na posse de seu antecessor.  Lembremos, por exemplo, da capa e da reportagem de 14 páginas publicados pela revista britânica The Economist , em...