Pular para o conteúdo principal

Implicações do novo Código Florestal

Ontem foi aprovado, na comissão especial criada na Câmara dos Deputados para discuti-lo, o novo Código Florestal Brasileiro. Houve algumas mudanças, mas nenhuma delas alterou o teor do texto do relator Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O projeto continua flexibilizando as leis de proteção ambiental e, na prática, anistia quem desmatou ilegalmente até agora. Também continua isentando as propriedades de até quatro módulos fiscais (cerca de 400 hectares na Amazônia) de refazerem as reservas desmatadas. A proposta libera 90% dos proprietários de terra do país da exigência de recuperar vegetação nativa em parcela dos imóveis. Calcula-se que 870 mil quilômetros quadrados, extensão equivalente a três vezes e meia o Estado de São Paulo, tenham sido desmatados de forma irregular. O Ibama divulgou informação dizendo que o governo perderá R$ 10,6 bilhões se o projeto for mantido.
A única coisa a comemorar (vitória parca) é que os ruralistas não conseguiram, como pretendiam, dar aos governos estaduais a possibilidade de legislar sobre o tamanho das áreas de preservação permanente ao longo de cursos d’água. Como se sabe, os Estados são mais suscetíveis a pressões.
Via blog do Favre, um bom resumo de como fica a lei florestal brasileira:
ANISTIA
O que está previsto: Anistia aos proprietários que fizeram desmatamento ilegal até 22 de julho de 2008. As multas por extração irregular de madeira poderão ser perdoadas: basta o proprietário aderir ao Programa de Regularização Ambiental.
Como é hoje: A lei não prevê perdão para as multas.
RIOS
O que está previsto: As áreas de preservação obrigatória às margens dos rios terão como referência as bordas menores, quando o leito está com baixo volume. Também está prevista a redução da área de proteção às margens dos rios de 30 metros para 15 metros de largura, em rios de até 5 metros de largura.
Como é hoje: As áreas de preservação às margens dos rios têm como parâmetro as bordas maiores, quando os rios estão cheios. A área de proteção às margens não pode ser inferior 30 metros de largura.
PEQUENAS PROPRIEDADES
O que está previsto: Donos de propriedades de até quatro módulos fiscais (medida que varia de estado para estado) não precisam recompor a vegetação devastada, até a promulgação da nova lei. Áreas não desmatadas deverão ser conservadas de acordo com os percentuais de reserva legal estipulados para cada região do país.
Como é hoje: Proprietários devem recompor as áreas desmatadas até atingir os percentuais de reserva legal estabelecido para cada região, não importa o tamanho da propriedade. O prazo para a recomposição é de 30 anos, dez a mais que o previsto no projeto de Aldo Rebelo.
MORATÓRIA
O que está previsto: Proibido o desmatamento de florestas nativas para exploração agropecuária nos próximos cinco anos, a não ser em propriedades que já receberam licença ou que já tenham pedido autorização.
Como é hoje: Não há moratória.
Proprietários podem desmatar desde que respeitados os parâmetros básicos de cada região.
Pela lei, proprietários na Amazônia Legal devem manter reserva em 80% do imóvel em área de florestas, 35% em áreas de cerrado e 20% em campos gerais. Nas demais regiões , o percentual é de 20%.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...