16 agosto 2010

Eleições sem debate...

Estas eleições estão chatíssimas. Não há e não haverá debate. Esperava-se uma polarização entre PT e PSDB, mas a verdade é que o PSDB já nem tem mais o que dizer. Já nem fala mais em neoliberalismo ou qualquer outra porcaria conceitual equivalente.... uma vergonha é uma vergonha. E o pior é que, indignamente, o PSDB até abre mão de tentar dar uma explicação decente sobre o processo histórico (ou coisa equivalente) e até afasta da campanha aquele que já foi seu totem, FHC.

José Serra parece um paranóico municipal. Desses que ficam acusando todo mundo de tudo. Como candidato, entra e sai da política, foge e volta da política. Suas posições são erráticas e confusas. Não tem bandeiras a levantar, não tem nada. Poderia, ao menos, qualificar o debate. Mas até abre mão disso.

Marina Silva, do PV, reproduz uma agenda política democrata-cristã. Totalmente descontextualizada.

Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, está se fingindo de doido. Triste fim para um intelectual de peso.

Dilma, vamos lá, precisava de um pouco mais. Obviamente votarei nela e tenho convicção de que é a melhor candidata, mas precisava de um pouco mais. E vamos em frente, queassim caminha a humanidade.

Um comentário:

Anonymous disse...

A falta de polarização talvez possa ser explicada pelo fato de não haverem, na prática, diferenças significativas entre os projetos de campanha do PT-PSDB-PV. Se por um lado os tucanos tem medo de atacar os programas assistências(listas) do Governo Lula, por outro a candidatura de Dilma e a sua frente de coalizão social democrata a muito não incomoda os interesses das elites, o próprio PT já abandonou a política de ruptura com as estruturas hegemônicas. Temos ainda a candidata ecocapitalista com cheirinho de prípioca que sonha com um país onde empresários e trabalhadores, latifundiários e trabalhadores sem terra trabalhem juntos por uma nação sustentável. Na prática independente de quem ganhe as eleições o Brasil vai continuar o mesmo – a educação a mesma, a saúde a mesma, a segurança pública a mesma, a comunicação cada vez monopolizada, a concentração de renda é que pode mudar um pouco mas sem grandes variações.
O Plínio-Psol poderia fazer muito mais do que tem feito para apresentar outra alternativa de projeto político e reestruturação da esquerda, mas não acredito que esteja se fazendo de doido na verdade adotou a estratégia errada para contornar o boicote da mídia. Boicote este tenho certeza o senhor conhece muito bem.