23 agosto 2010

Memorial do acaso 3: O Sena, a Conciergerie



Este não é o rio evocado por Heráclito. Tampouco é o símbolo de um rio, numa lâmina persa. Não é a palavra rio, mesmo se escrita pela mão vermelha de Macbeth e não é, enfim, a memória que tem, de um rio, o escravo  hebreu que só o viu uma vez, em toda a sua vida.

Observo que nenhum rio passa na minha aldeia. O Amazonas caudaloso, ou o Tâmisa, nos seus labirintos. Nenhum rio profundo da África obscura e nem mesmo o Mita, pardacento e humilíssimo, que inventei numa brincadeira da infância.

Quando olho para o horizonte, vejo a Aquitânia e um cego me diz que é o Ganges. E não é uma poça de água, isto que molha meus pés.

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